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— não deveria estar aqui.

Clary deu de ombros, se sentando no chão ao lado do amansador e deixando o lampião no chão.

Eles ficaram em silêncio por uns minutos, Thomas observando a luz alaranjada refletindo na pele dela, formando um contorno suave.

— com o que você sonhou? — ela perguntou olhando pros muros.

— o que?

— seus sonhos... O que você viu?

Thomas olhou pras suas mãos, estavam começando a calejar.

— crianças em tanques de água. Se afogando — ele murmurou. — e eu tava lá. Olhando pra...

— olhando pra elas — Clary completou e ele a olhou. — sem fazer nada.

Ficaram em silêncio por um momento, sentindo o peso daquilo que ainda não sabiam.

— estávamos juntos — ele murmurou. — nós dois.

— éramos um casal.

Ele concordou, mexendo nas mãos de forma ansiosa.

— por isso sentimos essas coisas... — ele não deu nome as sensações que sentiam, não sabia nem descreve-las.

— acho que não importa mais — ela disse e ele a olhou. — não somos mais aquelas pessoas.

— não podemos evitar o que sentimos, Clary.

— nem sabemos o que sentimos.

— podemos descobrir — sua voz soou um pouco mais afobada do que ele esperava. — eu... Sinto que é certo. Ficarmos juntos é o certo.

— ficarmos juntos não deu certo antes.

— Clary... — ele quase implorou.

A forma como ele disse seu nome a fez estremecer, fechando os olhos ao lembrar de seu sonho. Conseguia sentir o toque fantasma em sua pele.

— nos de uma chance.

Ela suspirou e encostou a cabeça na grade do amansador, olhando pro céu.

— não sei se temos uma.



Assim que Thomas foi tirado do amansador, ele olhou pra casa na árvore de Clary. Ela tinha voltado antes do amanhecer, depois de passar a maior parte da noite ao lado do amansador. Ter ela alí de alguma forma tranquilizou Thomas, o confortou. Ele não queria ficar sozinho, apesar de saber que estava mais seguro dentro do amansador do que fora dele.

Apesar de querer ir até Clary naquele momento e ter uma conversa cara a cara, ele sabia que tinha coisas mais importantes.

Seu relacionamento confuso teria que esperar.

No café da manhã, Thomas e Minho já não estavam mais na clareira. Já tinham entrado no labirinto.

Clary estava ao lado de Newt, comendo em silêncio e com sua mente agitada. Estava preocupada e ansiosa, mas não queria preocupar ninguém com isso. Infelizmente, Newt a conhecia bem de mais pra não perceber.

Ao fim do café da manhã, eles foram realizar suas tarefas, se separando pela clareira. Clary novamente estava em sua sala na enfermaria, com vários papéis e desenhos sobre a pequena mesa.

— Cruel... Cruel é bom — ela resmungou, olhando pra parede de madeira a sua frente enquanto rabiscava em uma folha com anotações inúteis. — o que significa?

Ela bateu a caneta no papel, tentando pensar em alguma explicação para aquela frase. Aquela voz nas suas memórias roubadas.

Ao olhar novamente pro papel, tinha uma forma confusa entre os seus rabiscos confusos e malfeitos. Pernas longas como as de uma aranha, um corpo deformado, uma calda cheia de riscos e uma cabeça com vários dentes.

BEACH, Thomas - Maze RunnerOnde histórias criam vida. Descubra agora