Por que aquilo estava acontecendo? Ele não sabia. Não fazia ideia. Ou apenas tentava ignorar o óbvio.
Seu amor por [Nome] havia ganhado proporções extensas — grandes demais até para ele.
Capitano se olhava no espelho do banheiro do QG, a garganta coçando, doendo como se algo estivesse agarrado em sua traqueia e então, tossiu. Grandes pétalas cobertas de sangue caindo em sua mão.
Ele já não aguentava mais. Aquilo havia durado tempo demais — dois longos meses guardando sentimentos que jamais poderiam ser retribuídos da mesma forma. Afinal, [Nome] havia estado em um relacionamento durante todo esse tempo.
Capitano não sabia mais o que fazer. Não podia simplesmente abrir a boca e dizer a todos o que sentia, não queria arruinar sua amizade com [Nome].
Ele não suportaria perder a pessoa mais importante da sua vida em todos os sentidos, mas estava ficando sem tempo. A quantidade de pétalas ensanguentadas que saía de sua boca a cada tosse estava aumentando, ficando insuportável.
Ele apertou a beirada da pia com ambas as mãos trêmulas, respirou fundo e então limpou tudo, saindo como se nada tivesse acontecido, logo se juntando aos outros agentes no QG.
[Nome] estava lá, deslumbrante como sempre, sorrindo para alguém que deveria ser ele, mas não era. Talvez jamais seria.
Conforme o tempo passava, as tosses iam aumentando. O que antes vinha a cada poucas horas agora surgia em minutos — rápidas, violentas, impossíveis de ignorar.
Entre uma ordem e outra, uma conversa, uma tentativa de respirar fundo… outra pétala. Mais sangue.
Capitano torcia para ninguém notar, mas havia olhos atentos.
[Nome] tinha percebido.
Não apenas que ele estava distante — isso já acontecia havia semanas — mas que havia algo diferente, algo errado nos olhos dele. Algo que fazia seu peito apertar de um jeito que não conseguia nomear.
E, no fundo, isso só aumentava o peso que já carregava dentro do próprio relacionamento. Era sutil, quase invisível para qualquer um… mas não para [Nome].
A sensação de que dava mais amor do que recebia estava ali, arranhando, silenciosa. Uma falta que crescia devagar.
Observando Capitano de longe, essa falta parecia ainda maior.
A cada vez que tentava se aproximar, ele dava um passo para trás — sempre com uma desculpa pronta, sempre escondendo a boca com a mão, como se estivesse tentando segurar algo que insistia em escapar.
[Nome] não sabia o que doía mais: a ideia de ter feito algo errado… ou a ideia de estar perdendo Capitano sem entender o motivo.
Nos dias que se passaram, aquela sensação só foi piorando.
[Nome] tentava fingir que estava tudo bem, que era apenas uma coisa de sua cabeça, mas não conseguia esquecer aquilo — não dava para esquecer. E para piorar, seu parceiro parecia cada vez mais distante.
Não fisicamente, não.
Ele abraçava, beijava, acariciava, mas era algo tão... frio — automático, sem sentimento — raso.
E de forma lenta, silenciosa e dolorosa, [Nome] percebeu. Como um soco no estômago.
A pessoa que estava ao seu lado já não tinha como retribuir seus sentimentos.
Não havia nada ali para ser dado. Pelo menos, não para [Nome].
E então, veio — a coceira, o incômodo em seu âmago, a tosse e então, uma pequena pétala.
Tão pequena
Tão delicada
Tão cruel...
"Por que aquilo estava acontecendo?", a pergunta ecoava.
Primeiro, seu melhor amigo e agora, a pessoa que [Nome] amava.
"O que ela fazia não era suficiente?"
"Onde estava errando?"
As perguntas voltavam a cada tosse.
Sua garganta ardia, seus olhos marejavam e a quantidade de pétalas e sangue aumentava cada vez mais — a ponto de fazer sua visão escurecer e as pernas fraquejarem em público.
E o Capitano? Ele havia percebido.
[Nome] estava sofrendo — por alguém que não merecia seu amor, não merecia nada.
Quanto mais o tempo passava, mais insuportável ficava.
Os dias passavam lentamente, a única cor no mundo sendo o vermelho carmim que vinha acompanhado de pétalas grossas.
Capitano se arrastava pelos cantos — pálido, fraco, cansado — se forçando a acreditar que tinha forças enquanto o corpo o desmentia.
E [Nome]… via a ruína do que antes chamava de relacionamento. O parceiro já não ligava, nem ao menos dizia seu nome com o tom uma vez tão carinhoso.
Ele não se importava, sequer enxergava o que estava acontecendo em sua frente.
Era como amar um fantasma: presente, mas ausente.
Ambos caminhavam pelo corredor vazio do QG, cansados — exaustos. As tosses haviam se tornado tão frequentes quanto a própria respiração. E então, eles se viram.
Mesmo corredor, lados opostos.
Capitano via o sofrimento nos olhos de [Nome]. Os olhos uma vez tão brilhantes, agora opacos.
Ele entendia sua dor. A dor de amar alguém que você não pode ter.
O destino é cruel. Estar fadado a amar alguém que não te ama é cruel.
Eles se aproximavam cada vez mais no corredor, a visão já turva não permitindo ver muita coisa e então…
Um baque surdo.
Ambos caídos no chão. Pétalas caídas ao redor, como flores deixadas em um túmulo.
Não houve um final feliz.
Só flores, silêncio… e o fim.
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Genshin Impact - One Shots
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