Klee era uma criança adorável — disso, ninguém duvidava. Mas o encanto vinha acompanhado de algo a mais… puro caos.
Talvez fosse o sangue de Alice correndo em suas veias, ou talvez fosse só sua maneira única de "explorar o mundo", como dizia com um sorriso inocente e uma bomba nas mãos.
Ver a pequena garotinha correndo por Mondstadt, com passos apressados e olhos brilhando de empolgação enquanto ria de suas explosões perfeitamente cronometradas, era ao mesmo tempo encantador… e extremamente preocupante.
Ela aproveitava muito bem a infância, disso todos tinham certeza. O problema era que certas planícies de Mondstadt estavam… mais planas do que deveriam. Árvores desapareciam, colinas sumiam, e flores silvestres simplesmente deixavam de existir.
E para isso Jean estava lá — Grã-Mestra Interina dos Cavaleiros de Favonius e mestre em suspirar fundo. Colocar Klee de castigo já era quase um ritual. Não que fizesse muita diferença. Assim que era solta, a pequena sorria, prometia se comportar, e… pieew! Lá se ia mais um pedacinho do mapa.
Mas isso nunca era um problema quando a garotinha estava com [Nome].
Quando estavam juntas, tudo virava diversão — mas sem bombas, o que era um alívio imenso para Jean e Mika sempre que atualizavam os mapas de Mondstadt.
[Nome] tirava a última fornada de biscoitos do forno, deixando-os esfriar sobre a janela aberta da cozinha.
O aroma doce de canela e especiarias, trazidos de Sumeru, se espalhava pelo ar, misturando-se ao som tranquilo dos passarinhos do lado de fora.
Enquanto isso, Klee rabiscava com concentração um novo desenho de Dodoco, toda empolgada com suas canetinhas.
— Quer me ajudar a decorar os biscoitos quando terminar, estrelinha? Podemos fazer um Dodoco bem bonitinho. — disse [Nome], sorrindo ao se abaixar para ver o que Klee estava criando.
Os olhos da pequena brilharam.
— Um biscoito do Dodoco?! A gente pode colocar uma coisinha dentro pra ele fazer piew! quando morder?
[Nome] riu baixinho, fingindo pensar.
— Hm... E se, em vez de explodir, ele encher a boca de sabor? Acho que o Dodoco de verdade aprovaria uma explosão de gostosura, não de farelo...
Klee fez um biquinho pensativo, mas logo assentiu com entusiasmo.
— Tá bom! Mas só se a gente fizer um com cobertura vermelha! Dodoco adora vermelho!
— Combinado. — [Nome] respondeu, estendendo a mão para um toque de dedinhos, que Klee respondeu com uma risada.
E assim se passou a tarde — entre risadas, cobertura doce e farelos espalhados por todos os cantos da cozinha.
Klee agora dormia encolhidinha no sofá da sala, os dedinhos ainda sujos de glacê, o rostinho tranquilo como se nem um pio de explosão fizesse parte de seu mundo.
[Nome], com um sorriso cansado mas satisfeito, terminava de guardar os últimos potes de biscoitos personalizados, cada um separado com cuidado para os Cavaleiros de Favonius — uma doce surpresa para o dia seguinte.
Ao terminar, ela lavou e secou as mãos no pano de prato, caminhando até a sala.
Ficou alguns segundos parada, apenas observando a garotinha dormir, como se quisesse congelar aquele momento na memória.
Depois, com toda a delicadeza do mundo, a pegou no colo. Klee se aconchegou automaticamente, soltando um suspiro leve.
[Nome] a levou para o quarto, ajeitando os cobertores sobre ela com carinho. Antes de sair, se inclinou e sussurrou:
— Boa noite, minha explosãozinha preferida.
Ela apagou a luz, fechou a porta com cuidado e saiu com o coração aquecido — e com a certeza de que, por mais caótico que fosse, o mundo era um lugar muito mais doce com Klee nele.
