Cyno

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Eu sumi, mas eu vortei e daqui a pouco vou sumir de novo kkkkkk 🫂

Espero que gostem desse daqui. Se puderem, por favor, comentem pois eu sou carente de comentários. 😔

Boa leitura. ☝️

_______________ Ꮚ

Cyno estava acostumado com o vento arrastando a areia, com o canto distante dos pássaros e o som do próprio passo firme na imensidão dourada. Mas a presença da estudiosa ao seu lado — aquela garota da Akademiya, enviada para pesquisar ruínas há muito esquecidas — trazia um tipo de silêncio diferente. Um silêncio... atento.

Ela não dizia uma palavra desde que partiram de Vila Aaru. No começo, Cyno achou que fosse timidez. Depois, percebeu que não era isso — [Nome] simplesmente não falava.
Nem por descuido, nem por necessidade.

Em vez disso, ela se comunicava com um caderninho que carregava preso à lateral da bolsa, e com gestos tão expressivos que, às vezes, Cyno achava que ela falava mais do que muita gente que ele conhecia.

— Oásis a meio dia — disse ele, consultando o mapa. — Faremos uma pausa lá.

[Nome] levantou o polegar, sorrindo de leve. E por alguma razão, Cyno sentiu que aquele gesto carregava mais ânimo do que o deserto inteiro.

Eles caminharam em silêncio por um tempo. O sol queimava o horizonte, e o vento quente trazia areia fina que se infiltrava até nas roupas mais grossas. Em certo momento, ele olhou de canto e viu a garota franzir o nariz, tentando proteger o rosto com o lenço.

— Você parece... desconfortável.
Ela piscou duas vezes e fez um gesto vago, algo entre “estou bem” e “é insuportável”.

Cyno assentiu.
— Entendo. O calor pode ser impiedoso. Mas se serve de consolo, as chances de você derreter são baixas.

Ela parou. Olhou pra ele.
Cyno notou o olhar curioso — e então, um pequeno sorriso se formou no rosto dela.
“Foi uma piada?”, ela escreveu rapidamente no caderno, mostrando a ele.

— Sim — respondeu ele, com a mesma seriedade de quem lê um relatório. — Uma boa, inclusive.

Ela balançou a cabeça, rindo sem som.
Cyno sentiu algo inesperado apertar o peito — uma vontade de continuar falando, só pra ver aquele sorriso de novo.

Quando chegaram ao oásis, ela se abaixou à beira d’água, lavando o rosto. Cyno ficou de pé, vigiando o entorno, mas seu olhar voltava pra ela vez ou outra. Era curioso como, de forma silenciosa,[Nome] preenchia o espaço inteiro.

Ela gesticulou para ele se aproximar, depois apontou pro lenço no pescoço dele, e então pro próprio rosto: queria que ele também se refrescasse.

— Estou bem — respondeu ele. — Além disso, um General Mahamatra precisa manter a postura.

Ela arqueou a sobrancelha, puxou o caderno e escreveu:
“Postura derrete no sol.”

Cyno piscou, surpreso, e depois riu — um som baixo
— Essa foi boa.

Ao longo dos dias seguintes, o deserto deixou de parecer tão árido.
Entre anotações rápidas, gestos exagerados e olhares que diziam mais do que frases inteiras, eles começaram a entender um ao outro. Às vezes, ela tentava imitar as expressões neutras dele, e ele fingia não perceber. Outras vezes, Cyno respondia às perguntas dela com as piadas mais bobas possíveis, só pra ver o brilho divertido nos olhos dela.

Em uma noite particularmente fria, sentados perto de uma fogueira pequena, ela pegou o caderno e escreveu:
“Você sempre foi assim calado?”

Ele pensou por um instante.
— Falo quando preciso. E às vezes... quando quero provocar alguma reação.

Ela apontou pra si, depois para ele.
“Então estamos empatados.”

Cyno não respondeu de imediato. Apenas observou o jeito como a luz da fogueira dançava no rosto dela.
Talvez o deserto não fosse silencioso, afinal.
Talvez o silêncio tivesse encontrado alguém que o compreendesse — alguém que falava com olhares, e ouvia até o que não era dito.

E naquele instante, ele entendeu algo simples e absoluto:
Nem toda comunicação precisa de voz.
Algumas só precisam de presença.

Ele sorriu de leve, e, depois de um segundo, acrescentou:
— Sabe... pensei em mais uma piada.
Ela levantou as sobrancelhas, animada.
— Por que o deserto nunca conta segredos?

[Nome] escreveu, curiosa:
“Por quê?”

Cyno cruzou os braços, sério.
— Porque ele tem muitos grãos... de indiscrição.

Silêncio.
Ela piscou.
Ele esperou.

Então ela começou a rir — aquele riso sem som, com o corpo todo, os ombros tremendo, o olhar brilhando.
Cyno desviou o olhar, sentindo o rosto aquecer.
Talvez... o calor não viesse só do deserto.

✧ _______________

O pátio da Akademiya estava mais barulhento do que Cyno lembrava. Estudiosos andando de um lado para o outro, papéis voando, discussões acaloradas sobre teorias e descobertas. Ele sentia falta do deserto. Do calor, da quietude — e, embora não dissesse em voz alta, da companhia de [Nome].

Havia se passado pouco mais de um mês desde o fim da expedição. Ele se lembrava de cada detalhe com uma precisão irritante: o som da fogueira, os risos mudos dela, e o modo como o sol nascia dourando o cabelo dela como se o deserto todo a iluminasse.

— General Mahamatra Cyno? — chamou um pesquisador, interrompendo seus pensamentos. — Estávamos procurando você. Temos um novo relatório...

Mas a voz do homem ficou distante quando Cyno viu uma figura familiar atravessar o corredor da Akademiya.

[Nome].

Ela usava o mesmo caderno de sempre preso à cintura, com novas anotações escapando pelas bordas, e aquele mesmo sorriso tranquilo. Quando o viu, levantou a mão num cumprimento discreto.

Cyno parou por um instante.
Não precisava dizer nada.

Ele apenas se aproximou, cruzando os braços.
— Vejo que sobreviveu ao caos da Akademiya.

Ela abriu o caderno e escreveu:
“E você, sobreviveu sem minhas anotações?”

Cyno pensou.
— Parcialmente. Fui forçado a conversar com pessoas que... respondem rápido demais.

Ela riu silenciosamente e escreveu mais uma vez:
“Você sente falta do deserto.”

Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para o chão de pedra verde. Então assentiu.
— E de algumas companhias, talvez.

Ela piscou, surpresa, e depois escreveu algo rápido, quase tímido:
“Podemos voltar. Um dia.”

Cyno desviou o olhar, mas um pequeno sorriso escapou antes que ele conseguisse esconder.
— Um dia, então.

[Nome] fechou o caderno, guardou a caneta e fez um gesto com as mãos — algo simples, quase imperceptível: “Combinado.”

Cyno entendeu.
E naquele instante, em meio ao barulho da Akademiya, ele percebeu que o silêncio dela ainda era o som mais confortável do mundo.

Genshin Impact - One ShotsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora