O sábado chega mais rápido do que eu esperava.
Passei o dia inteiro inquieta, pensando na conversa que tive com Mia na pizzaria. Cada palavra dela ficou martelando na minha cabeça. “A gente acabou”. “O Lee é bom pra mim”. Como se ela não soubesse exatamente o quanto eu tinha lutado por nós duas.
Como se ela não soubesse o motivo real da minha ida embora.
Quando o sol começa a cair por trás dos prédios de Nova York, meu irmão Connor aparece na porta do meu quarto, batendo duas vezes.
— Vamos. Você sabe que o Victor não gosta de gente atrasada.
Reviro os olhos, mas me levanto. Eu precisava estar lá. Não só por Victor. Mas porque Mia estaria.
E eu precisava que ela me visse.
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O lugar onde aconteciam as lutas não era exatamente uma arena oficial, era um armazém reformado, onde os praticantes de boxe da região se reuniam para competições “amadoras”, mas que todo mundo sabia que tinha dinheiro envolvido debaixo da mesa.
Quando entramos, a música alta, o cheiro de suor e comida barata tomam conta. O ringue improvisado está no centro, e as pessoas circulam como se aquilo fosse um evento de UFC.
Meu olhar a encontra antes mesmo de olhar ao redor.
Mia.
Ela está do outro lado da sala, conversando com Lee. E eu juro… o jeito que ela sorri pra ele faz meu estômago embrulhar. É um sorriso pequeno, quase tímido, mas é o sorriso dela.
Aquele que ela nunca dava pra qualquer um.
Eu sinto meu corpo esquentar.
— Calma.
Connor diz baixo.
— Não vai arrumar briga… ainda.
Mas então Lee olha pra mim. E não é um olhar amigável.
É avaliador.
Medroso.
Como se eu fosse uma ameaça real, e sou. Eu caminho até eles. Mia desvia o olhar na hora, como se eu fosse uma lembrança incômoda.
Ótimo.
Eu posso trabalhar com isso.
— Oi, Mia.
Digo, forçando um meio sorriso.
— Oi.
Ela responde seca.
Lee puxa o ar, como se fosse falar alguma coisa. Mas eu falo primeiro.
— Tá pronto pra ver uma luta de verdade, Pequim.
Connor gira o rosto pra mim, tentando esconder o riso. Lee fica vermelho.
— Eu não… eu não tenho medo de você.
— Tem sim. Tá escrito na sua cara.
Respondo, dando um passo pra perto. Mia entra no meio na mesma hora.
— Maya, para. Ele não tem nada a ver com você.
— Ele tem tudo a ver comigo se você tiver.
