Minhas aulas terminaram um pouco tarde, não deu tempo de comer nada. Resolvo passar na cozinha e comer um sanduíche e vou pra sala comunal.
— Senha... — a mulher gorducha me pergunta. — Sapo de chocolate. — O quadro se afasta pra eu entrar.
A sala comunal estava com a luz baixa, e o crepitar da lareira dava um certo conforto à tensão que pairava no ar. Logo de cara vejo Hermione e Gina. Ela me vê e logo sorri.
— Onde estava? Não vimos você no jantar — a garota ruiva me pergunta, um pouco preocupada.
— Biblioteca... Minhas aulas terminaram um pouco tarde. Eu tinha algumas atividades, não quis deixar pra amanhã... já que vamos à Hogsmeade.
Hermione me olha por um momento... e logo desvia.
— Ah... Por que não nos procurou? A gente podia fazer juntas... não é, Mione? Eu não sou do seu ano, mas poderia ter ajudado.
— Não queria atrapalhar. Vocês duas têm seus próprios deveres...
Mais uma vez, ela me olha e nega com a cabeça.
— Sabe que não funciona assim, Potter. Se precisa de ajuda, vamos parar tudo e lhe ajudar... Harry, mesmo, acabou de sair. Estava com dificuldades e nós o ajudamos.
— Foi por isso que fiz sozinha. Você já ajuda pessoas demais... Harry, Ron, Gina... não precisa de mais um fardo.
As duas me olharam e negaram. Gina segurou minha mão e me puxou pra sentar com elas.
— Você não é um fardo, Lívia... é nossa amiga. E sempre que precisar, Mione e eu vamos te ajudar.
A Weasley mais nova apertou minha mão com firmeza, num gesto cheio de carinho. Hermione me olhou e respirou fundo. Ela tem se afastado de mim... não sei se fiz algo errado.
— Eu vou me deitar... Você vem, Hermione?
Ela olha pra Gina e depois pra mim.
— Não, vou corrigir os deveres da Liv...
Ela deixa um beijo na minha bochecha, me causando um arrepio, e sobe pro dormitório. Fico em silêncio por um instante. Espero um pouco e olho pra Hermione, que ainda não me encara. Ela pega meus materiais e começa a ver meus deveres.
— O que tá fazendo?
Ela revira os olhos e me olha.
— Corrigindo seus deveres, não está vendo?
Minha sobrancelha se levanta automaticamente.
— Mas o quê... Mione, eu fiz alguma coisa? Porque se fiz, conversa comigo... Não tô entendendo essa distância entre nós.
Uma semana atrás estávamos tão bem... o que eu fiz?
Ela não responde de primeira. Olha pra escada e, ao não ver ninguém, resolve falar.
— Gina...
Fico sem entender e olho pra ela, que percebe minha confusão.
— Ela... ela gosta de você. Me contou com tanta empolgação... que me senti mal.
— Gina gosta de mim...? Pensei que fosse do Harry. Mione... não vai terminar comigo, vai?
Ela não me responde. Um frio me toma conta.
— Eu não sei... Ela está tão apaixonada. Ela é minha melhor amiga. Não posso machucar ela.
Nego com a cabeça, segurando sua mão.
— E a gente...? A gente pode se machucar?
A garota abre e fecha a boca.
— Não podemos terminar. Nos amamos... Sei que Gina é nossa amiga, mas ela vai entender. Ela não pode ser egoísta...
— A gente tá sendo egoísta...
Olho pra garota, incrédula.
— Não, não estamos... Nos colocar em primeiro lugar não é ser egoísta. Por favor... Você é tão inteligente. Por que não vê?
— Eu vejo... Sei que não vamos dar certo, porque... porque vamos nos perder. Você vai perceber que tem pessoas melhores... garotas mais bonitas.
— Acha que não vi o jeito da Fleur Delacour? O jeito que ela reagiu quando você deu uma de heroína, salvando a irmã dela... Se eu não tivesse lá, ela teria te beijado. E você teria gostado...
— Não diga isso... Por Merlin. Eu nunca trairia você, não consegue ver...? Eu amo você. E só você.
Hermione Jean Granger... você é a garota que tem meu coração. Me tem por completo, não percebe? Estou começando a duvidar da sua inteligência.
Por favor... não percebe? Nenhuma outra garota é você. A Delacour não faz o que você faz comigo... Nem a Cho. Muito menos a Gina.
Por favor, diz alguma coisa...
Ela seca as lágrimas e finalmente me encara. Hermione se joga nos meus braços e me beija. Um beijo intenso, cheio de urgência e promessa.
— Você... você fala sério?
— Nunca falei tão sério na minha vida, meu bem.
E ali, no calor da lareira e no frio do nosso medo, a certeza era uma só: amar alguém de verdade não é evitar machucar os outros... é ter coragem de lutar por quem faz seu coração bater diferente.
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