19. Bolo

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Jennie

O dia estava calmo e isso eu devia ao meu noivo, era uma benção tê-lo por perto, aparentemente ele sabia lidar melhor com momentos difíceis que eu. Estar ao lado dele era como ter uma preocupação a menos, eu podia controlar melhor minha ansiedade, o pânico aprisionado em mim, as crises estranhas e o luto avassalador que me cortava em pedaços a cada minuto do dia. Ter alguém como apoio era como encontrar meu próprio eixo, era bom, era voltar a acreditar que a vida é boa.

A vida é boa. Eu tinha que continuar acreditando.

Para refletir sobre minhas inseguranças do dia, resolvi colocar em prática a sugestão do meu terapeuta, ocupar a mente com afazeres cotidianos era uma boa maneira de manter meus pensamentos intrusivos adormecidos. Dito isso, deixei que Kidoh fosse caçar gafanhotos com Jisoo no quintal, ela estava mais ativa agora, menos tímida, estava gostando de ter sempre companhia, e cedi ao pedido dengoso do meu sobrinho de fazer um bolo. As crianças estavam felizes, então não pude negar absolutamente nada, a nenhum deles, ao meu marido, a minha filha, nem ao pequeno Tae, pois o olhar arisco era simplesmente o reflexo de minha irmã mais velha bem diante de mim.

Ah, eu sei, eu sei, o terapeuta disse para eu não fazer isso, não fazer comparações diretas, mas era inevitável, seus traços estavam ali, sua maneira de ser e seu olhar marcante. Ele era como ela, um menino doce e esperto, mas de opinião forte, autêntico como a mãe e prestativo como pai. Como ele era parecido com Taeyang também, estava sempre preocupado com o outro, mesmo quando triste ou aborrecido.

Eu não fazia ideia que um garotinho de quatro anos pudesse ter tantas características, mas, sim, era possível. Taehyung era extraordinário. Ele estava me ajudando a preparar bolo para o lanche, era uma receita genérica da internet,mas que ele tratava como algo precioso.

— Agora nós vamos bater tudo no liquidificador. — Coloquei a tampa no aparelho, ele prestava atenção atentamente. — Depois é só misturar a farinha e colocar para assar.

Lificador? — Coçou o nariz, havia um pouco de manteiga em seus dedos pequenos. — Ele treme!

Abismado pela performance do eletrodoméstico, seu corpo balançou no ritmo na tentativa de imitar a tremedeira. Sua risada estava um pouco rouca devido a gripe, isso era preocupante, pois ele adoeceu de repente. Sua adaptação a Washington não foi das melhores, foram dias de choro, ele chamava pelos tutores provisórios e às vezes perguntava pela mãe.

Nossa conversa sobre Hyuna foi difícil para mim, mostrar fotos antigas revirou sentimentos antigos também, sentimentos que achei que estivessem adormecidos, mas não, ainda estavam lá. Ele lembrou do dia do acidente, isso doeu muito, foi devastador.

Para me concentrar no presente, misturei a massa batida com farinha e fermento.

— Prontinho! — Sorri e ele sorriu de volta, seu sorriso era bonito. — Me ajuda a colocar na forma?

Suas mãos pequenas pegaram a colher de pau para raspar o fundo da jarra, seu ímpeto de lamber a colher me fez rir. Apesar dos traumas, era só um menininho. Com cuidado, peguei seu corpinho leve o tirei de cima da bancada, no chão da cozinha ele mesmo ajeitou as próprias roupas.

— Agora temos que esperar. — Rapidamente coloquei a massa no forno e acendi a luz interna para acompanhar o crescimento. — Não é tão difícil, é só questão de prática.

— Ele vai crescer assim? — Esticou os braços o quanto pôde.

— Eu acho que um pouquinho menos. — Peguei seu corpo de volta para meus braços, e beijei seu cabelo volumoso. Talvez fosse a hora de cortá-lo, ele estava piscando com mais frequência. — É só um bolo de chocolate, não é um filhote de elefante.

HAPINESS - NAMJINHistórias para pegar e não largar. Descubra agora