20.Estamos de olho [Especial]

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Esse capítulo foi um especial de comemoração de likes da história. 







(Doze anos atrás)

Seokjin

Eu tinha acabado de chegar naquele mundão, era apenas uma alma fresca no meio de tantos predadores, como meus amigos gostavam de chamar, a universidade era como uma selva. O ano letivo já havia começado há quase um mês, mas hoje era o meu primeiro dia, devido a uma viagem de fim de ano com meus pais, minha mãe estava deixando a emergência depois de vinte anos atuando como neurocirurgiã em um hospital estadual e achou que merecíamos comemorar visitando as praias sul-americanas.

Não éramos tão próximos como as outras famílias, os nossos jantares eram sempre silenciosos e nossas conversas eram bem sucintas, mas era assim que funcionávamos. Nossa demonstração de afeto era peculiar, éramos fisicamente distantes, por isso optei por me inscrever em uma república e agora aqui estou eu.

Segui para o prédio onde ficavam os dormitórios, segundo o panfleto entregue pela vice-diretora, uma grande amiga da minha mãe, eram no total oito pavilhões. Yoongi também me manteve informado sobre tudo daquele lugar durante minha viagem, sobre a estrutura, os grupos e subgrupos de alunos.

Eu não tinha levado a sério quando ele disse que havia todo tipo de pessoa, como os alunos mais velhos, ou os recém-formados do ensino médio que andavam em bando por aí, se esfregando uns nos outros como bichos no cio em plena manhã, mas agora eu estava vendo. Diante de mim eu via senhores sentados nas área externa lendo artigos, alguns jovens atrasados e também adolescentes falando alto sem necessidade.

Aqui as coisas eram diferentes do internato de Gwangju, eu me sentia perdido.

As repúblicas não eram separadas por cursos, nem por períodos, eram por afinidade, tudo se misturava para que os alunos fossem integrados. Seul era diferente, não se comprava com nenhuma cidade de um distrito do interior.

Minha república era um prédio pequeno no fim do campus, de poucos andares e de estrutura simples, os corredores eram limpos e as pessoas que transitavam ali pareciam gentis. Meus fones tocavam Lenny Kravitz, me deixava mais relaxado, e eu estava prestes a abrir a porta do meu quarto, que ficava no quinto andar, quando fui interrompido por um baque de um corpo contra o meu. Não foi doloroso, mas fiquei assustado, pois meus fones saltaram e eu caí imediatamente, acabei levando aquela pessoa desastrada junto comigo.

— Você correu uma maratona nessas férias de fim de ano, foi? E também foi por isso que você não atendeu nenhum telefonema? — Meu corpo estava estava imobilizado pelo peso em cima de mim, abri os olhos e vi Hoseok tagarelar sobre sua saudade. — Eu estou seguindo você desde o terceiro andar!

— Hobi? — Eu pisquei algumas vezes. — O que você está fazendo aqui?

— Você saberia que eu fui aceito nessa universidade se atendesse o telefone ao menos uma das mil vezes que te liguei. — Ele mantinha uma expressão chorosa, mas eu acho que a intenção era parecer bravo. — Você não me ligou nenhuma vez desde a formatura, fiquei oito meses achando que você tinha morrido, ou sido sequestrado ou, sei lá, abduzido em um novo conceito de alienígenas. Qualquer coisa! Eu só queria saber de você!

Como eu já disse, meu conceito de afeto era meio conturbado. Era estranho ser cobrado constantemente sobre demonstração de sentimentos, eu não sabia muito bem como fazer isso.

HAPINESS - NAMJINHistórias para pegar e não largar. Descubra agora