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Escolhas

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Escutou-o desdenhar de si, abafado pela cacofonia que sua mente quebrada emitia aos berros. Não tinha forças para reagir.
Seu corpo congelou no instante em que aquela tarja roxa flutuante foi revelada. Seus membros não respondiam aos movimentos que comandava. O rosto de Nightmare era fracamente iluminado por aquele brilho lilás quando o viu corporizar a expressão de XGaster mais uma vez. Estática gradualmente tomou conta do que enxergava e um zumbido irritante cobriu sua audição de dentro para fora, ressoando em seu próprio crânio.
Jurava que tal poder havia morrido junto ao seu usuário. Acreditou fielmente que nunca mais precisaria lidar com aquilo e, após todos esses anos se agarrando cegamente a isso, tentando ignorar o fantasma que aquele homem era em sua história, precisando lidar com a culpa enquanto fingia que tudo estava “de volta ao normal”, foi provado errado tão facilmente.

O rosto mimicado pelo pigmento balbuciou alguma coisa. Ink não o escutou através do som de sua própria respiração pesada. Viu ele se aproximar.
Era como se o resto de suas emoções estivessem pegando fogo e entrando em ebulição, desaparecendo muito mais rapidamente do que deveriam. Estavam o deixando vazio e não conseguia fazer absolutamente nada para impedir toda aquela difusão de escapar, permitindo, sem outras opções, a mistura inexplicável e feroz dentro de seu peito alimentar ao rei dos pesadelos até onde sua capacidade sentimental durava, antes de ficar inerte. Parecia tanto ser ele...

Perante aquele sorriso repugnante, o guardião se encontrou vazio outra vez.









- Você está me dizendo que o Nightmare tem o poder de Transcrever?! – A voz de Error cortou seus pensamentos.

- Hã... – Subiu seus olhos de volta para ele, que estava com a lateral do corpo apoiada nas grades da cela com os braços cruzados. Sua feição parecia em completo choque. – Sim, isso.

Error tomou um segundo para processar a confirmação. Desencostou das grades, ajeitando a postura. O artista viu ele gaguejar nas próprias palavras, o canto da boca torcendo.

- Mas- Como que...? – Franziu as sobrancelhas, atordoado. – Tem certeza do que você viu? O cara literalmente morreu na sua frente, aquele botão deveria ter sumido junto dele.

- Eu SEI que ele morreu na minha frente! Fui EU quem matei ele, Error! – Cerrou os punhos. – É por isso que me deixa tão-... tão... – Pausou, sentia o semblante preocupado do destruidor pendendo sobre si. Lembrou de como era a sensação do olhar dele. Seu corpo tremeu. - Eu só não quero ver aquilo de novo.

O artista apertou as próprias vistas por um momento, logo levando as pupilas para o de preto novamente. Segurou ao próprio braço.

- Você acha que eu estou inventando isso?

O destruidor encarou as pupilas corajosas, esquivando o olhar em seguida. Suspirou.

- Não. Por mais irreal que seja. Eu não acho. – Confessou. – Não depois de tudo. – Bufou, levando a palma da mão até o rosto. – Só não entra na minha cabeça como caralhos isso é possível... mas também... – Fitou a um canto qualquer. – acho que explica o porquê ele escolheu aqui.

- Como assim? – Indagou, assistindo o outro levantar uma sobrancelha.

- Não sabe em que universo estamos?

- Não. – Apoiou o punho no quadril. – Afinal, deram uma porrada na minha nuca e me trouxeram para cá desmaiado. Não teleportei sozinho, né.

Error arregalou levemente os olhos, finalmente notando que não tinha a menor ideia do que havia acontecido com o artista até o presente momento.

- ...Caralho. Eu, hã... – Coçou atrás do pescoço, imaginando a dor da pancada. – Entendi. – O pintor fez uma careta desgostosa em resposta.

- Desembucha. Onde a gente está? – Questionou impaciente.

A New Truce - ErrinkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora