Ficamos conversando sobre algumas coisas engraçadas e sobre o que aconteceu antes de eu parar aqui no hospital e como ele me conheceu mas sem eu entrar muito no assunto. Ficamos até às oito da noite conversando e quando ele vê que eu bocejei, diz que estou cansada e que preciso dormir, eu não quero dormir mas ele diz que amanhã é um grande dia então eu me rendo ao sono.
No dia seguinte pego as minhas coisas que estavam lá e vou para a casa dele que fica no centro da cidade. É uma casa muito grande, elegante e bonita.
- Você pode dormir no quarto, eu fico aqui no sofá mesmo. - diz ele gentilmente.
- Não precisa. Eu posso dormir no sofá.
- Você ainda está se recuperando e tem que estar confortável. Durma no quarto. - Agora o tom de voz dele muda e percebo que é como uma ordem.
- Ok, está bem! - faço cara de contrariada e reviro os olhos.
O quarto dele é bem grande, tem uma cama de casal e um guarda roupa bem próximos da janela, que também tem uma linda vista. Começo a colocar minhas coisas lá e percebo que não tenho muitas roupas minhas, então aviso a ele que tenho que ir onde eu morava para buscar algumas coisas e peço a ele para vir comigo, até porque eu estou começando a me sentir em perigo o tempo inteiro.
No caminho, de vez em quando ele fazia perguntas sobre o que levou aquele homem a tentar me sequestrar, e eu simplesmente disse que não gosto e não quero falar sobre isso pois me sinto desconfortável. Então ele muda de assunto e faz perguntas mais pessoais, tipo... sobre mim. Chegando lá eu rapidamente pego minhas coisas e coloco na mala, não consigo me sentir segura em lugar algum... não quando meu passado volta a me atormentar.
Eu acabei de pegar minhas coisas e depois saímos do apartamento, agora estamos voltando pra casa silenciosamente. Logo porque o Daniel não queria perguntar nada e parecia estar distante do momento. Andava com as mãos nos bolsos da calça e olhava quase que fixamente para o chão e eu carregava minhas malas uma em cada mão e de vez em quando dava uma olhadinha para ele.
(...)
Quando eu estava arrumando as minhas coisas no quarto dele, ele ficava me observando encostado na porta, no momento em que parei ao pegar uma foto minha com meus pais e sinto uma dor forte tomando conta do meu peito ele praticamente corre em minha direção e me segura. Eu estava meio tonta e acho que ele havia percebido.
- Ana, o que foi? Tá tudo bem? - ele me olha, preocupado.
- Tá... sim... - logo uma lágrima escorre pelo meu rosto e não consigo me conter de chorar. - Daniel...
- Que foi Ana? - ele diz meu nome tão suavemente quanto uma mãe que fala com seu filho recém-nascido.
- Promete que você vai ficar bem? - ele assente com a cabeça com uma expressão surpresa, meio confusa, e sem acreditar na minha pergunta, mas logo volta a atenção para a foto que está em minhas mãos.
- Quem são eles?
- Meus pais... - olho em seus olhos e minhas palavras saem em meio a soluços.
- O que aconteceu com eles? - ele está com uma expressão triste no rosto, o que faz eu chorar ainda mais.
- Morreram quando eu tinha nove anos... - minhas palavras saem atropeladas, a tristeza é tão grande que me impedem de falar sem soluçar. - Em um acidente de carro.
- Hey, tá tudo bem agora. - ele diz e me abraça com força como se aquilo resolvesse todos os problemas. - Já faz muito tempo...
- Mas eu ainda sinto a falta deles, ainda sinto a dor. Se ele estivessem vivos até esse momento, aquilo não teria acontecido. - me solto dele e sento-me na cama desabando a chorar. É constrangedor para mim ter que falar sobre isso. Ele me pede desculpas e sai do quarto, deixando-me sozinha.
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Prova de Amor
Romance- Não precisa se preocupar, Ana. Eu vou te proteger. - ele pega a minha mão e começa a acariciar. - Não, Daniel. Você não pode me proteger, ninguém pode. - levanto o rosto para olhar pra ele e vejo lágrimas a escorrer pelo seu rosto. - Eu fiquei afa...
