Parte 17

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# Liam On #

Andei em passos largos, em direção ao hospital. A culpa é minha. A culpa é, realmente minha. Eu tenho medo do que lhe possa acontecer. De a perder.

- HEY! – um homem resmungou.

- Desculpe! – continuei a correr até ao hospital.

Cada passo que dava, parecia que o sitio onde queria chegar ficava mais longe e que todos os obstáculos apareciam à minha frente. Porquê a Amy? Porquê a mim? Porquê a nós?

Um edifício grande me chamou à atenção e logo reparei que era o hospital. Vi uma pessoa sendo transportada para o interior do edifício, e logo reparei que era Amy. Afinal, fui mais rápido do que eu pensava.

Dirigi-me a correr à secretaria.

- Por favor… - tentei falar – Diga-me o-onde está… a… Amy! – implorei tentando recompor a minha respiração.

- Você está bem? – uma voz já idosa perguntou. Era a secretária.

- Não me faça perguntas, por favor… - implorei – Apenas me diga onde está a Amy. Amy Boyce!

A mulher que aparentava ter uns cinquenta anos, projetou o seu olhar no ecrã do computador procurando informação sobre a Amy.

- Ela foi levada para o bloco operatório. – Ela informou.

Eu não conseguia dizer nada. As lágrimas caiam constantemente sobre o meu rosto e nada as podia parar.

- Liam! – uma voz preocupada fez-se ouvir naquele corredor silencioso – A Amy? – Cher perguntou.

- J-Já sabes? – questionei.

- Não se fala de outra coisa na minha rua… - ela disse – Diz-me como é que ela está! – implorou.

- Ela está no bloco operatório – agora as lágrimas caiam em ambos os rostos – A… A culpa é toda minha, porra! – chorava compulsivamente – Se não fosse eu, ela não estaria em risco de vida!

Cher não disse nada. Ela sabia que tudo o que eu tinha acabado de dizer era verdade. Sentei-me numa das cadeiras daquele corredor e Cher fez o mesmo, ficando a meu lado. Ficamos em silêncio durante uma, duas ou até mesmo três horas. Os médicos passavam, mas nenhum deles era o que estava a tratar de Amy. Eu só peço ao Anjo de todos os anjos que a Amy fique aqui, ao pé de mim até ao resto da minha vida.

Os meus olhos observavam o chão, mas os meus pensamentos estavam bem longe do que estava a ver.

- Desculpe… - um homem com bata branca me chamou – Está com a menina Amy… Amy Boyce?

Eu e a Cher levantamo-nos numa fração de segundos.

- Sim. – respondi.

- O choque do carro contra o corpo dela foi forte e ela ainda bateu com a cabeça no chão. – o médico informou – Ela foi operada mas está fora de perigo. Podem ir visitá-la.

As lágrimas ainda caíam pelos nossos rostos mas agora acompanhados por um sorriso, ao saber que tudo estava bem.

Eu e Cher dirigimo-nos ao seu quarto. Ela estava ligada a vários fios e a uma máquina que fazia com que vários apitos suassem naquele quarto.

- Amy… - sussurrei pegando na sua mão com cuidado – Desculpa…

Eu falava, na esperança que ela me estivesse a ouvir.

# Liam Off #

(NOVO DIA)

# Amy On #

Senti uma luz forte lutando contra os meus olhos. Os meus olhos abriram e a primeira coisa que vi, foi o Liam a dormir, ao meu lado, sentado numa cadeira.

- O que se passou? – tentava falar.

Os olhos de Liam abriram-se e um sorriso apareceu no seu rosto, enquanto eu continuava confusa.

- Foi um acidente. – Liam falou.

Flashback On:

Saí de perto de Liam e atravessei a estrada. Ouvi um apito de um carro e Liam a chamar por mim a seguir. Senti meu corpo a cair no chão depois de um forte embate, e logo me apaguei de tudo.

Flashback Off.

 - Eu não te desculpo… - disse e o sorriso de Liam desapareceu.

- Mas…

- Podemos? – um médico interrompeu depois de ter batido à porta.

- Como te sentes? – Cher perguntou-me.

- Bem… Acho eu!

Pude ver Liam a sair. Aposto que Cher se questionava a si mesma o que se tinha passado. Eu ainda não esqueci que Liam me traiu.

Maybe You Should Come BackOnde histórias criam vida. Descubra agora