Way Home.

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Eu me deitei no chão do barco e fiquei em silencio por alguns segundos, mas não me aguentei por muito tempo caindo em prantos como um bebê chorão. Olhei para os lados e vi todos da mesma maneira até ouvir Nick:
- FILHOS DA PUTAS! Por que a gente tinha que continuar vivos e eles morrerem assim? Até o bebê! 

Nick continuou a berrar pelo barco andando de um lado a outro chutando caixas que haviam por ali, então me dei conta de um homem dentro da cabine com a porta aberta. Ele usava uma camisa social azul e uma calça também social preta, mas estava bem suja além de um chapéu de pescador.
- Obrigado. Virgil não é?

- Não precisa agradecer. Sim, qual o seu nome jovem? - Disse aquele homem olhando por cima dos ombros enquanto pilotava o barco.

- Meu nome é Ellis. - Me levantei e secando minhas lagrimas fui até ele. - O senhor sabe como está Miltown? 

- Era você então que queria saber. Eu ja disse pelo rádio. 

Abaixei minha cabeça e encostei na parede, eu sou bem mais velho que minha irmãzinha e quase não estou aguentando o mundo dessa maneira, ela então deve estar sofrendo ainda mais. Rochelle adentrou na cabine com os braços cruzados e com os olhos cheios de lagrimas:

- Você sabe qual a situação? Digo, a situação do mundo? 

- Está infecção não é no planeta todo, é apenas nas Américas. 

- Quer dizer que ainda há esperança para todos nós? A lugares normais ainda no mundo? 

- Sim. O resto do mundo vê isso pela televisão, imaginando que coisas assim seria impossíveis de acontecer. Mas está acontecendo e nós estamos aqui dentro.

- Você não parece tão detonado assim. - Disse Nick olhando-o de cima a baixo.

- Eu quase não fiquei em terra firme, esses zumbis não conseguem nadar. 

- Então podemos fugir sair daqui tranquilamente com um barco? - Continuou Nick ganhando a atenção de todos ali.

- Não, bom não com esse barco. Ele não aguentaria muito em alto mar, mas conseguiríamos ir longe com ele pelos lagos.

- " Conseguiríamos" ? 

- Eu não vou. 

- Como assim? Você pode salvar a todos nós! Nos manter vivos.

- Eu sei disso, mas e quanto as outras pessoas que ainda estão por ai? Muitos deles não imaginam isso, alguém precisa estar lá para orienta-los e ajuda-los como eu fiz com vocês. 

- Então quer dizer que é isto que está fazendo? Você atravessa as pessoas de um lado do lago a outra só? 

- Não, eu encontro sobreviventes e coloco eles o mais próximo possível de saírem daqui. E depois eu volto procurar mais sobreviventes. Está é a minha missão. 

Todos ficamos em silencio por um tempo, ficamos surpresos por alguém nessa situação se importar tanto com as outras pessoas eu se fosse ele, já teria partido a muito tempo. Fiquei sentado ali na cabine próximo a Virgil, Nick estava na frente do barco olhando tudo a nossa volta e vendo alguns infectados perdidos por ai. Rochelle estava deitada na traseira do barco, era evidente que ela não estava dormindo talvez penas pensativa e Coach sentado ao lado chorando. Por mais que Coach fosse todo grandalhão e tivesse uma aparência de durão, ele tinha um belo de um coração mole. Olhei pela janela da cabine e vi que estamos fazendo o caminho para Miltown e então disse:

- Estamos indo para Miltown? - E todos olharam para mim. 

- Sim garoto. Eu ainda não passei por lá.

- O senhor pode esperar eu buscar minha irmã? 

- Claro garoto.

- Não é arriscado fazermos uma parada? - Perguntou Rochelle ainda deitada. 

- Sim, mas temos que parar de qualquer jeito o combustível já esta se esgotando e não vou conseguir levar vocês para próximo da ponte. 

- Que ponte? - Perguntou Rochelle.

- Uma ponte que a Força Aérea, Fuzileiros e Marinheiros estão tirando as pessoas desse continente.  É pra lá que vou leva-los. 

- Não precisa descer Rochelle, Eu faço isso. - Disse a ela dando um sorriso.

- Vamos todos juntos. - Disse Nick chegando próximo a cabine.  - Nós só sobrevivemos até agora porque ficamos juntos como um time, e só vamos continuar a sobreviver se ficarmos juntos.

Todos então sorriram mostrando estarem concordando com Nick. A viagem foi bastante enjoativa embrulhando meu estomago junto com minha cabeça que eu não conseguia tirar das pessoas que haviam morrido e principalmente daquele bebê, qual eu não consegui proteger. Nick e Coach ficaram a maior parte do tempo na cabine conversando com Virgil e ouvindo as histórias dele de antes do Apocalipse, Virgil era um cobrador de ônibus que se apaixonou por uma passageira que sempre pegava o ônibus para o trabalho no seu horário. Eles se casaram anos depois e seu sogro que ele odiava o colocou para trabalhar mais próximo dele, na Defesa Civil. Ele contou também umas histórias bastante engraçadas, ele era divertido e simpático mesmo com essa situação horrível em que estávamos. Eu não estava nem ai para o que eles falavam na cabine, minha mente ainda estava nas tragédias. 

- Não fique assim Ellis. - Sussurrou Rochelle que estava do meu lado. 

- Como disse? 

- Sei que você se sente culpado. Você carrega a culpa pela morte de seus conhecidos, mas não é culpa sua. Se alguém tem culpa são esses monstros que estão soltos por ai.

- Eu não me sinto culpado por eles terem morrido e sim por que eu não fiz nada pra ao menos tentar impedir, entende? 

- Entendo Ellis, mas você está vendo tudo da maneira errada. 

- E como eu deveria ver? 

- Quando o Tank matou o garotinho você enfrentou peito a peito um Tank eu nunca imaginei que alguém teria coragem para isso. 

- Mas ele quase me matou como se eu fosse feito de papel. 

- Mas mesmo assim você enfrentou ele. Você fez algo! 

Aquilo por mais simplório que pudesse ser me deu uma tranquilidade naquele momento e então sorri e agradecia a Rochelle que também sorriu e estendeu sua mão para mim dizendo:

- Não surta tá? A gente precisa de você. 

- Faço das suas palavras as minhas. 

- Lá esta. Miltown. - Disse Virgil em voz alta pra todos ouvirem.

Dei um salto me colocando em pé secando minhas lagrimas, olhei a minha frente e vi a lanchonete favorita do papai nesse instante meu coração se apertou e minha preocupação estava enorme com minha irmã, Nick olhou para mim e disse para estar preparado para qualquer coisa e eu apenas sorri.

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