Ana sorriu ao levar uma taça de champanhe para o alto em um brinde com uma velha amiga, a parada foi obrigatória depois de aterrissar no Rio de Janeiro. Ela havia combinado de encontrar Amanda antes de ir para a mansão que já estava à sua espera.
Amanda era uma antiga amiga de Ana, as duas se conheceram no ensino médio e acabaram perdendo contado depois da formatura, que foi quando Ana entrou na universidade e alavancou sua carreira de estilista. A morena que havia abrido as portas de sua casa estava sorridente e trazia de volta algumas dos velhos tempos. Amanda – praticamente alcoolizada – relembrava de quando Ana lhe contou que havia beijado o mais lindo dos garotos do colégio, o qual as duas gostavam.
Amanda sorriu ao dizer que foi melhor Ana tê-lo beijado do que ela mesma, já que no final quem teve que sair do pais teria sido Ana.
O sorriso da loura desapareceu de seu rosto, Amanda logo percebeu que não deveria ter entrado no assunto.
__ Eu sinto muito – ela disse com seu tom sagaz de arrependimento.
Ela tomou mais um gole do champanhe virando a taça percebendo então que todo o liquido já havia sido tomado ela pousou a taça sob a mesa de centro da sala que era iluminada por um lustre que descia do alto do teto branco do segundo andar acompanhando a escadaria até o alto de suas cabeças.
Ana se ajeitou na poltrona amarela e encarou os olhos de Amanda, duas boas pretas que a encaravam também.
__ Sinto ter tocado no assunto, Ana – começou Amanda – não era a minha intenção.
__ Passou muito tempo, e todas as feridas que Elion me causou ficou no passado – Ana colocou a taça ainda com um pouco de champanhe sob a mesa de centro – Preciso ir, Alice e Emanuelle já devem estar na furiosas. Pedi para meu motorista leva-las até a antiga mansão onde meus pais moravam. Faça-me uma visita qualquer dia desses.
Ana sorri e se levanta.
__ Espero que volte mais vezes, adoro vê-la.
Amanda acompanhou Ana até a porta e acenou quando viu a amiga sair do jardim e entrar no carro preto.
Não demorou muito e Ana estava sentada no branco de trás esperando o portão branco da mansão que brilhava distante pelo caminho até sua entrada. Ana sorriu, ela guardava memorias que jamais poderiam ser ditas em voz alta, e pensar nelas já era considerado pecado. O motorista vez a meia rotatória na fonte central do jardim e estacionou o carro na frente do hall de entrada.
Ele saiu e deu a volta abrindo a porta para que Ana descesse do carro. Ela caminhou e subiu dois degraus até a porta e a abriu.
A mansão tinha um jardim esplendido, com rosais que se estendiam do portão até o jardim dos fundos, dois pilares talados altos sustentavam a sacada acima da cabeça de Ana.
A sala de visitas era grande e era o cômodo favorito de Ana, depois é claro da biblioteca, Ana deu um passo a frente e logo foi surpreendida pelo seu motorista que estava atrás dela com o restante de suas malas.
__ Alice – gritou Ana e logo sua assistente pessoal surgiu da lateral da sala de trás de uma divisória dourada que se estendia do chão ao teto que trazia um lustre ao centro da sala.
__ Demorou, mas chegou – Ana sorriu com o comentário de Alice – vou pedir para alguém vir buscar suas malas – ela se aproximou um pouco mais – pode deixa-las ai Modesto.
O motorista sorridente se assegurou de que tudo o que restava da bagagem estava ali antes de fechar a porta.
Ana estava a observar cada detalhe da mansão ela caminhou pela sala entre as poltronas de couro vermelha até os vasos dispostos próximos as janelas altas.
__ Aquela vadia da Mayere fez reformas aqui, não me lembro deste lugar tão branco.
Ana olhou para a lareira na parede e reparou que até seu quadro não estava a mostra.
__ Tive que tira-lo daí – disse Mayere se aproximando com toda leveza possível em seus passos – toda vez que recebia convidados eles perguntavam sobre a mulher morta no quadro.
Ana se virou para encara-la.
Mayere trajava um vestido longo branco que destacava seus seios e o cabelo vermelho.
__ E quem disse que estava morta, Mayere? – Ana sorriu deixando um ar de desprezo em seu olhar.
__ Quem não dá notícias no últimos dez anos é considerada morta, minha querida.
Ana abriu a boca para responde-la, mas o toque do smartphone de Alice a interrompeu, sua assistente se afastou para atender a ligação.
__ Não me lembro de dar autorização para um reforma nesta casa – Ana encarou a lareira de mármore branco – não sei o que você tanto vê em uma cor morta como o branco, cor opaca, sem graça – ela procurou Alice na sala – Alice contrate um pintor, quero essa parede dourada – Ana gritou mesmo sem vê-la.
Mayere gargalhou com elegância e sorriu ao perceber estar no foco dos olhos atentos de Ana.
__ Você deve estar muito cansada do voo por isso quer pintar a parede de dourado, vou pedir a um dos empregados para lhe mostrar seus aposentos.
Ana tirou o lenço preto do pescoço e franziu o cenho com um sorriso irônico nos lábios.
__ Conheço este lugar como te conheço Mayere, não preciso de ninguém para me mostrar o quarto principal – Ana olhou para os lados procurando Alice novamente – vou dar cinco minutos para tirar tudo o que é seu do meu quarto. Espero que quando chegar lá em cima não tenha nada seu nele.
Mayere se afastou mordendo os lábios para não se alterar e mandar Ana para o lugar que ela queria mandar.
A convivência das duas nunca foi a melhor, isso se você contar com os dias sombrios do ensino fundamental, quando Ana deu uma festa de aniversário adiantado somente para provar a Mayere que todos os seus convidados não iriam parabeniza-la e sim a ela na sua festa adiantada.
No ensino médio houve uma briga de popularidade, e quando elegeram Ana como presidente de classe Mayere teve um surto e acabou empurrando a professora fazendo cancelarem as aulas de esgrima.
Digamos que a maior culpada fosse Ana, sempre querendo mostrar que o mundo é dela mesmo que todos digam o contrário.
Alice voltou chamando a atenção de Ana que estava sentada na poltrona de couro vermelho mexendo em seu smartphone.
__ Ainda bem que fiz uma boa imagem sua, e sobre sua volta ao Brasil – começou Alice com um sorriso no rosto – já temos alguns compromissos agendados e o primeiro é para amanhã cedo, fiz o possível para não marcar nada para a tarde já que você insistiu em fazer uma festa de boas-vindas.
__ Então tenho dois compromissos para amanhã?
__ Sim, uma coletiva de imprensa antes do almoço e uma entrevista com uma jornalista que insistiu em entrevista-la.
Ana se levantou e se aproximou um pouco mais de Alice.
__ Marque um almoço com James Turner amanhã, preciso saber como os meus vestidos chegaram, não quero nenhum imprevisto no desfile do próximo sábado.
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Dangerous Woman
ChickLitAna tem segredos, e os guarda da melhor forma que ela encontrou. Ela retira todas as pontas soltas de seu caminho, até não haver nenhuma. Com o passar do tempo, Emmanuelle, sua sobrinha, começa a se interessar mais em seu passado, e depois de Ana ve...
