Capítulo 13

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Ana pisou na passarela e todos os olhares eram dela. A cada passo que dava era como se estivesse flutuando em um salto fino de sua coleção, ela parou no fim da passarela formada por telas aonde iluminavam o chão com flores da estação.

Algumas luzes se apagaram e o vestido de Ana ficou branco, todos aplaudiram a mudança de cor repentina. Ana voltou pela passarela dando início ao desfile.

A música parou suavemente dando lugar a outra, no mesmo momento uma das modelos entrou, as luzes piscavam e um show à parte de dançarinas começou nas laterais da passarela.

Os dois telões no fundo em cada lateral mostrava a entrada de cada modelo.

__ Ana sabe fazer um show – comentou Isabela no ouvido de Emmanuelle – ela escolheu bem essa música.

__ Eu quem escolhi, achei que tinha mais a cara do evento – disse Emmanuelle corando as bochechas – vamos para um outro lugar, mais reservado.

Isabela sorriu e disparou a câmera em direção a uma das modelos ignorando o pedido de Emmanuelle.

Ana olhou para a passarela por um telão, ela estava calma segurando o roteiro do desfile em uma das mãos enquanto toda a produção estavam aos prantos.

Toda a equipe corria de um lado para o outro e todas as modelos que saiam da passarela corriam pelos bastidores desmanchando o cabelo e tirando a roupa enquanto corriam para o próximo look.

Ana sorriu para Alice, ela estava feliz, toda aquela loucura a fazia acreditar que estava tudo bem.

__ Como estamos até agora? – Perguntou ela.

__ Vinte por cento dos modelos já foram para a passarela, vamos dar aquela pausa de um minuto para a entrada dos modelos masculinos. Essa é a surpresa, ninguém espera modelos masculinos em seus desfiles.

__ O número de dança começa em cinco, quatro, três, dois, um...

Ana olhou novamente para a tela e viu começar a coreografia da escola de samba, a música de fundo era feita pelas batidas dos tambores e bandeiras. O primeiro modelo entrou e começaram a ser disparados vários fleches sobre ele. O segundo entrou antes do primeiro sair, uma sincronia exata nos passos. Um parou do lado do outro e a música parou exatamente no mesmo momento em que as luzes se apagaram. De repente as batidas de funk tomaram o lugar, outros modelos já estavam no meio da passarela fazendo passinhos de funk. Eles usavam roupas iguais de tons coloridos e despojados.

O público aplaudia incessantemente, a comitiva de jornalista e revistas não paravam de fotografar o evento.

Todas saíram da passarela, e as luzes do salão se acenderam. Um cronometro começou a ser reproduzido nos telões das laterais marcando o tempo de dois minutos.

O chão da passarela transmitia paisagens dos cartões postais do Brasil todo.

__ Segunda parte e quero todos prontos para o encerramento – disse Ana tirando os olhos da tela por onde assistia a tudo – Alice, chame Emmanuelle aqui, preciso falar com ela.

__ Segure isso para mim – pediu Isabela sentando na cadeira.

Emmanuelle segurou seu smartphone enquanto Isabela apertava alguns botões em sua câmera.

O smartphone vibrou, havia chegado uma mensagem de texto.

__ Tem uma mensagem para você – Avisou Emmanuelle.

__ Abre e lê para mim.

Emmanuelle abriu a mensagem de texto e leu em voz alta.

__ Já contou para a riquinha que ela é filha da Ana...

Isabela se levantou rapidamente tirando o aparelho da mão de Emmanuelle que deu um passo para trás balançando a cabeça em negação.

Alice segurou no braço de Emmanuelle que se virou assustada.

__ Ana quer falar com você...

__ Me solte – disse a garota – eu não quero falar com ela.

Emmanuelle correu entre o público fazendo Alice perde-la de vista.

O telão começou a transmitir a chamada de cinco segundos. Todos voltaram a olhar para a passarela. E voltou o desfile trazendo novas cores em biquínis e roupas de banho para o verão.

Alice caminhou de volta aos bastidores e se aproximou de Ana que não tirava os olhos da tela.

__ Você falou alguma coisa com a Emmanuelle? – Perguntou Alice.

__ Não, não falo com ela vai fazer uns dois dias. Aonde ela está?

__ Não quis vir falar com você, ela teve uma reação estranha quando disse que você queria vê-la, parecia em choque e ao mesmo tempo assustada.

__ Deve ser aquela jornalista, espero que já esteja dando um jeito nela, te dei dez dias, se passar disso eu mesma vou sumir com ela – disse Ana sem tirar os olhos da tela, ela sorriu e olhou para o roteiro em sua mão.

A passarela passou a transmitir fogos de artifícios, enquanto uma borda de vidro subia em suas laterais, de seu interior começou a imergir água, abaixo da água o telão passou a transmitir areia.

O telão da lateral esquerda o sol e o da direita o céu azul.

Os dez modelos masculinos entraram vestindo fardas do exército, portando armas de cano longo, eles marchavam descalços fazendo a água espirrar para os lados. Eles pararam apontaram as armas para fora da passarela e atiraram confetes prateados, no mesmo instante as modelos começaram a entrar em meio a eles acenando e agradecendo.

Eles formaram um caminho e juntos aplaudiram a entrada de Ana Marques.

Ana sorriu e aplaudiu junto ao público.

Os modelos começaram uma saída organizada, um atrás do outro e depois as meninas. Por fim, Ana saiu da passarela fazendo surgir um show psicodélico de luzes e explosões de fogos de artifícios sob a passarela.

Nos bastidores todos se abraçavam comemorando o desfile, Ana puxou Alice para o camarim, a primeira porta ao entrar no corredor.

__ Estou indo embora – disse Ana pegando se smartphone de cima da penteadeira.

__ Tem uma festa para acontecer, você não pode deixar todos a mercê da sua presença.

Ana olhou no fundo dos olhos de Alice.

__ Emmanuelle sabe, tenho certeza disso, ela sabe de coisas que...

__ Ana do que você está falando?

__ Vou deixar mais claro – Ana se virou e olhou o reflexo de Aline no espelho – Emmanuelle não estava junto ao público durante o desfile, eu pedi para que procurassem por ele. Um funcionário disse que a viu sair de carro e que ela parecia furiosa. O que você acha que pode ter acontecido?

__ Uma briga de casal...

Ana deu um tapa no rosto de Alice fazendo-a a dar uma passo para trás.

__ Elas não são um casal. Ela pode ficar com qualquer outra garota que não me importo – Ana segurou o queiro de Alice que estava com a marca dos dedos finos de Ana estampado do lado esquerdo do seu rosto – não me importo com o seu prazo Alice, eu a quero morta.

O smartphone de Ana começou vibrar em sua mão. Ela atendeu a ligação.

__ Srtª Marques, ela fugiu, não sei como conseguiu. Mas ela fugiu.

__ Procure-a, não quero desculpas até encontra-la, Marchal, encontre Adélia viva ou morta, já estou cansada disso.

Ana desligou a ligação e colocou o smartphone de volta na penteadeira.

__ Minha vida está um inferno Alice, eu não sei mais o que fazer. Eu não sei...

__ Que festa maravilhosa Ana.

Ana olhou em direção a porta meia aberta encarando uma mulher magra de cabelo cinza como o céu nublado, mas a voz não era dela, Mayere deu um passo à frente se revelando.

__ Como sempre digo, quem é vivo sempre aparece – Mayere sorriu ao ver o olhar pasmo de Ana.

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Dangerous WomanOnde histórias criam vida. Descubra agora