Capítulo 3

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Temperatura

A temperatura pode ser definida como a medida da energia do movimento molecular. Varia horizontalmente nos oceanos em função da latitude e, também, verticalmente em função da profundidade. A temperatura tem um papel fundamental nos ciclos vitais e distribuição dos organismos marinhos. Os processos vitais (metabólicos) da grande maioria destes organismos ocorrem a temperatura entre os 0º e os 40ºC. Alguns organismos podem, no entanto, tolerar temperaturas superiores ou inferiores a estes limites. Entre os limites térmicos acima referidos, o metabolismo é dependente da temperatura.

A temperatura atua diretamente sobre os organismos, regulando a velocidade do metabolismo (reações químicas orgânicas que sustentam a vida), seguindo a regra de que a cada aumento em 10ºC, a velocidade do metabolismo dobra. O aumento dessa velocidade significa um aumento proporcional nas necessidades energéticas do organismo e, conseqüentemente, na quantidade de alimento para manter-se vivo. Além disso, quando acima 40ºC provoca a desnaturação (deformação) das proteínas e enzimas, paralisando todas as reações químicas que mantêm a vida. Quando muito baixa, inibe a ação das enzimas e, chegando ao ponto de congelamento, destrói as células, pois a água que existe nelas aumenta seu volume e rompe a membrana plasmática.

A temperatura depende de duas variáveis básicas: radiação solar incidente e distribuição de águas e terras. A radiação solar incide obliquamente nas altas latitudes, próximas aos pólos, sendo filtrada por uma camada maior de atmosfera e levando ao solo 40% menos energia que no equador. Solo e água absorvem calor diferentemente, produzindo contrastes numa latitude. O solo e o ar aquecem-se e esfriam mais rapidamente que a água. Essa diferença faz com que o clima continental apresente variações térmicas e sazonais (relativas às estações) maiores que os mares e oceanos. Assim, enquanto que no Saara a temperatura pede atingir 58ºC e no outro extremo (na Antártida) chegar a -88ºC, no mar ela nunca fi ca abaixo de -2ºC, nem acima de 32ºC.

A penetração da luz no mar é diferente para cada comprimento de onda que compõe a luz visível.

E as maiores variações ocorrem na superfície do oceano, sob influência das estações do ano, diminui, progressivamente, com a profundidade; sendo este ritmo maior numa determinada faixa de profundidade (variável conforme a região do globo) denominada termoclina. A partir de 3.0 metros, a temperatura torna-se uniforme (4ºC).

Entre 500 e 700 metros de profundidade encontra-se o termoclina que separa a massa d’água superior (mais quente e menos densa) da inferior (mais fria e densa), impedindo a circulação de nutrientes. Desta forma, a temperatura pode influir na taxa de reciclagem dos nutrientes, que costumam acumular-se nas camadas mais profundas dos oceanos.

A diferença na temperatura entre os mares tropicais e polares manifesta-se na diversidade maior nos trópicos e na biomassa maior nas gélidas águas dos pólos. A divergência também se reflete na vida marinha. Os organismos tropicais tendem a ser menores, a crescerem mais rapidamente, com uma menor expectativa de vida e com reprodução mais precoce e contínua que as espécies adaptadas às águas mais frias.

Noções de termoclina e picnoclina A temperatura, nos oceanos, varia acentuadamente em função da profundidade. As temperaturas superficiais nas regiões tropicais podem variar entre os 20 e os 30ºC ao longo do ano. Nas regiões temperadas, as temperaturas variam de um modo cíclico atingindo-se valores mais elevados nos períodos estivais. Abaixo da superfície das águas a temperatura tende a decrescer de um modo não uniforme. A zona em que a temperatura decresce mais rapidamente (50-300m) designa-se por termoclina. Abaixo da termoclina a temperatura continua a decrescer, mas a ritmo muito inferior, de tal modo que as águas profundas são quase isotérmicas. A termoclina é uma estrutura persistente nas regiões tropicais, e forma-se nas regiões temperadas nos períodos primaveril e estival. A termoclina está ausente nas regiões polares. Apresenta uma extensão vertical inferior nas águas costeiras em comparação às águas oceânicas. A temperatura tem um efeito marcante sobre uma outra propriedade da água, a densidade. Quanto maior for a temperatura menor é a densidade. A densidade é também uma função da salinidade. Salinidades mais altas correspondem a densidades elevadas. No entanto como a salinidade é uma propriedade mais conservativa é principalmente a temperatura que mais afeta a densidade no meio marinho. A rápida mudança de temperatura que produz a termoclina está igualmente na base da mudança brusca de densidade designada por picnoclina.

A temperatura afeta a solubilidade dos gases e sais. Quanto mais quente a água, mais gases ela perde, principalmente oxigênio, podendo tornar a vida aquática inviável.

As correntes marinhas também são influenciadas, tanto na sua direção como na intensidade, pela temperatura das massas de água

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