Dix - Neuf

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Louis havia pensado muito na noite passada, por mais que tivesse prometido para si mesmo que iria se esquecer do mundo, o mundo pareceu invadir sua mente.

Era dia 19 de fevereiro e ele percebeu que hoje estava fazendo dois meses desde que Harry entrará na clínica.

Wow, talvez tenham sido os meses mais agitados da vida de Louis.

O moreno se espreguiçou ainda com sono e pegou seu celular, se assustando com o brilho alto que havia colocado.

Um pontinho vermelho nas notificações mostrava que seu gravador estava ligado e depois de várias tentativas de desligar ele acabou decidindo que compraria outro porque aquele ali já era.

Levantou meio desengonçado e foi para o chuveiro tomando uma ducha rápida logo correndo para colocar uma roupa já que ainda era inverno. Escolheu o mesmo sweater azul de quando havia conhecido Harry, por motivo nenhum, ele só achou que talvez colocá-lo faria sentido.

Pegou seu celular e seu jaleco e desceu as grandes escadas até o refeitório. Não se preocupou em pegar café para Styles já que os funcionários da cozinha passaram a levar por ordens da diretoria.

- Bom dia Payno, - Louis cumprimentou o amigo que parecia totalmente cansado enquanto escolhia seu café. – O que aconteceu? Você tá péssimo.

- Obrigado por notar, Louis! – Liam deu um sorriso irônico. – O que aconteceu foi que estou tendo problemas com Clifford. Adália pediu pra eu ficar de olho nele e agora eu quero arrancar meus olhos.

- Ele é tão ruim assim? – Louis se sentou em um dos bancos do balcão, ao lado de Liam.

- Ele é impulsivo, se está com raiva quer descontar totalmente em algo. – Liam suspirou. – Ultimamente ele anda com bastante raiva, não vou mentir.

- Já descobriu algum motivo?

- Não que eu tenha me dado o direito de querer descobrir algo relacionado a ele, MAS, - Liam riu já que havia chamado atenção de uma das funcionárias da cozinha que se assustou fazendo uma cara engraçada. – Sabe o Hemmings? – Louis assentiu. – Desde que ele começou com o show de talentos, Michael vem estando bastante bravo.

- E isso quer dizer queeee? – Louis perguntou ironicamente fazendo Liam revirar os olhos.

- Ou o Luke fez algo péssimo pro Clifford ou o Clifford tem uma quedinha, penhasco, pelo Luke.

- A Liam, não brinque com isso, - Louis empurrou o ombro de Liam. – Você não pode ter certeza.

- Vamos ver até o show então, - Liam deu de ombros. – Harry vai participar?

- OH, Harry! – Louis se lembrou que já estava na hora de ir para quarto de Harry checar os remédios. – Até depois, Li!

- O vaco é livre para todos os públicos. – Liam revirou os olhos.

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Louis abriu a porta do quarto de Harry vendo o mesmo com uma cara desanimada passando o garfo sobre uma torta de maça, como se estive apenas brincando com ela enquanto a olhava fixamente como se a solução de seus problemas estivesse naquele pequeno pedaço de torta de maça.

- É uma bela torta, talvez esteja gostosa, você deveria comer. – Louis recebeu um olhar vazio de Harry. – Talvez não seja um bom dia.

- Nós... podemos conversar. – Harry disse baixo e Louis sentou na cama do mais novo batendo no colchão, mostrando que Harry deveria se juntar a ele.

Harry levantou e Louis pode ver que ele estava com um moletom branco com vários emoctions triste. Okay, não era um bom sinal.

- Sabe ontem, quando aqueles caras falaram aquelas coisas e... e tudo mais. – Louis assentiu. – Eu quero te explicar o porquê de aquilo me afetar tanto.

- Harry, aquilo afetaria qualquer um. – Harry cruzou as pernas sobre a cama ficando frente a frente com Louis.

- Louis, apenas escute. – Louis ficou calado esperando que Harry começasse. - Bom, você já deve saber que minha família não é das mais pobres. - Louis sabia que Harry não queria se gabar mas na verdade ele vinha de uma família com grande poder aquisitivo. - E quando eu tinha quatorze anos meus pais precisaram fazer uma viagem de urgência para Paris e eu não poderia ir, já que estava em período de aula, então eles pediram para um "amigo" muito próximo deles ficar comigo só por uma semana... - Um longo suspiro foi deixado no ar.

- E esse tal amigo fazia bullying com você, Harry? - Louis percebia a tristeza profunda do garoto em falar sobre aquilo. 

- Não Louis, ele abusou de mim, e me ameaçou, dizia que se eu falasse pra alguém ele faria coisas piores comigo... - Louis arregalou os olhos. - E quando meus pais voltaram ele disse que eu tinha sido um péssimo garoto e que tinha visto eu usando drogas. Bom, eu não podia negar nada, eu estava com medo e apenas aceitei os castigos, mas... com quinze minha mente mudou, eu comecei a perceber como aquilo foi frustrante pra mim, comecei a me meter em brigas, beber, e me oferecer a quem quer que fosse já que na minha cabeça aquela pessoa já tinha tirado tudo de bom que havia em mim. Com dezesseis nada mais fazia sentido pra mim e eu não tinha mais vontade nem de levantar da cama quem dera de fazer coisas ruins. Meus pais me passaram em vários medicos e foi ai que descobriram que eu tinha TPB e muito mais coisas que vinham junto com ela. - Harry não olhava pra Louis, aquilo era vergonhoso para ele. - E agora eu estou aqui, fazendo as pessoas acharem que tem uma cura pra isso. Mas Lou... nada vai curar a dor que aquele homem me fez passar.

Louis estava digerindo tudo aquilo, Harry tinha acabado de dar a reposta para tudo. 

Algumas lagrimas eram visíveis sobre as bochechas agora vermelhas de Harry então Louis se manteve calado mas abriu seus braços e trouxe o menor para um abraço, Tomlinson pensou que aquilo seria melhor do que qualquer palavra profissional. 

- Por favor Louis, não conte a ninguém... - Harry choramingou. - Eu nunca contei e contar agora não mudaria em nada.

- Pode confiar em mim Harrie! - As cenas horríveis eram recriadas na mente de Louis e ele não podia imaginar a tamanha dor que o pequeno sentiu em guardar isso durante anos só para si. - Harry, qual é o nome dele?

- S- Scott. 

- Scott. - Louis repassou o nome varias vezes em sua cabeça, algum dia aquele homem pagará por isso. - Harry, eu acho que eu falar sobre isso agora te deixaria mal, então vamos apenas tomar sorvete. 

- Mas Louis, são oito da manhã. - Harry franziu o senho. 

- E desde quando tem hora certa pra tomar sorvete? - Louis disse como se aquilo fosse óbvio.

Mais nenhuma palavras foi dita, ambos levantaram da cama e saíram do quarto deixando naquele cômodo as lembranças ruins de Harry, já que na cabeça dele, Louis era sua cura por alguns instantes.

Ӿi-

To impaktada viado

(eu amo essa mídia, socorro.)

Nem peço mais desculpas pelo atraso pq vcs já tão ligada né. 

Borderline - Larry StylinsonOnde histórias criam vida. Descubra agora