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Acordei derrubando todas as coisas da escrivaninha ao lado da minha cama, o relógio que estava em cima da mesma até poucos instantes marcava 08:20 ou seja, vinte minutos atrasado para a reunião com minha chefe.

Coloquei uma calça skinny preta e um moletom azul pastel o cobrindo logo com meu jaleco branco, mal amarrei meus sapatos e óculos e já me encontrava descendo as escadas do hospital.

Arrumava minhas fichas na pasta quando bati de frente com algo e todas as fichas recém arrumadas se espalharam pelo chão, ignorei o "poste" em minha frente e logo peguei meus papéis.

Quando já estava tudo arrumado notei que o "poste" usava belos sapatos, então olhei para cima e encontrei duas lindas pérolas brilhantes dentro de um olhar fundo com olheiras fortes abaixo.

Quando me dei conta do que estava acontecendo levantei rapidamente soltando um "me desculpe" e sai correndo em direção a porta na qual tinha uma plaquinha escrito "Diretora", minhas mãos tremeram ao chegar perto da maçaneta mas logo a abri encontrando uma mulher na qual já havia quase se tornado da família. Suas pele era morena, tinha uns 50 anos e seu sorriso acalmava a todos.

- Oh, bom dia Louis!

- Olá senhorita Adalia, eu sinto muito mesmo pelo atraso.

- A sim querido está tudo bem, eu também cheguei a poucos momentos!  - Ela sorriu alegre - Por favor, sente-se.

Sentei-me a frente da mulher morena de cabelos brancos e a vi mexendo em alguns papéis mas logo seus olhos se focaram em mim.

- Bom Louis eu te chamei porque o senhor já tem tantos anos aqui como enfermeiro e os pacientes te adoram, você os motiva a fazer coisas novas e achar hobbies, e isso é realmente ótimo.

- Oh muito obrigada, você sabe que eu amo isso.

- Sei sim, bom mas a questão é, nós temos um paciente novo e seu caso é grave, ele tem TPB. Normalmente só recebemos casos de suicídio falho mas dessa vez é diferente.

- Continue.

- TPB é a sigla de Transtorno de Personalidade Bordeline, pessoas com TPB se caracterizam especialmente por sofrerem grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos  do tipo "tudo ótimo e tudo péssimo" ou "eu te adoro e eu te odeio", angústia de abandono, entre outros, que não raro geram comportamentos impulsivos perigosos sendo comum a presença recorrente de atos autolesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. - Ela deu uma pausa. - Ele tentou suicido duas vezes esse mês.

- Oh.. - Eu não tinha reação, obviamente já tinha ouvido história de suicídio já que trabalho e moro na clínica, mas alguém que tem tal transtorno me assustava um pouco, essas pessoas são tão sensíveis a tudo e a todos.

- E eu gostaria que você se torna-se enfermeiro particular dele. Seu salário irá subir já que além de você morar aqui acho que é mais do que merecido.

- Sr. Adalia isso é realmente...- dei uma pausa olhando para baixo, isso era muita coisa mas eu precisava de um aumento mesmo que nunca tenha ligado muito para isso. -É realmente ótimo, eu aceito sim!

- A que ótimo! - a senhora levantou da cadeira me fazendo fazer o mesmo - Mandarei alguém te comunicar quando o paciente chegar.

- Tudo bem, muito obrigada pela confiança Ad.

- Não há de que, doce. - Ela sorriu - Louis, tome cuidado! Pessoas com esse transtorno são vulcões prestes a explodir.

Sorri concordando e apertando a mão de Adalia, sai da sala não prestando muito atenção no que acontecia em volta, talvez fosse bom para mim ter apenas um paciente até poderia ser mais fácil.

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Vocês conseguiram entender a explicação? dxhsbaid 

bjo bjo

Borderline - Larry StylinsonOnde histórias criam vida. Descubra agora