Doze

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Os últimos horários passaram voando e eu pra variar não consegui parar de pensar em Mason, a única coisa boa disso tudo foi conseguir afastar Peter do celular, é tão bom ter meu amigo de volta, só ele que conseguiu me colocar pra cima, fiquei com saudade da Ariana também, não sei o que aconteceu com ela é acho que vou na casa dela.

Atravesso a pista e viro em uma rua que leva até o quarteirão da casa da Ariana, tiro o meu celular do bolso e escrevo uma mensagem para ela:

Você (12:45): Tou indo aí na sua casa, arruma o quarto pelo menos!

Ari Paraguaia*-*(12:45): Não, primeiro porque eu tou com preguiça, segundo porque você não arruma seu quarto quando eu vou na sua casa!

Você (12:46): Ain que cobra!

Ari Paraguaia*-*(12:46): Sou mesmo.

Sorrio e penso na falta que ela me fez hoje, Ariana também conseguiria me animar, guardo meu celular no bolso e volto a caminhar igual uma lesma, patetando olhando para os jardins das casas, vejo em uma casa um canteiro de verbenas híbridas de cores variadas entre lilás, rosa, vermelha e amarela, imagino o meu Jardim recheado dessas flores, uma idéia não tão legal me vem a cabeça.

- Para Noelle aqui não é o Brasil que você rouba as flores dos jardins das pessoas e não vai presa! - digo para mim mesma, na verdade quando você é brasileiro e vem morar para os Estados Unidos uma idéia predomina em sua cabeça, - anda na linha se não você vai preso - no meu primeiro ano aqui eu fiz uma coisa bem idiota, era muito difícil para mim passar na frente de uma casa com campainha, aquela voz ficava batucando em minha cabeça emplorando para que eu apertasse e saísse correndo, e o quê que eu fiz? Apertei e saí correndo, e como azar é meu segundo nome, havia um policial no outro lado da rua que ao vê o que eu fiz apitou, pediu para eu parar e perguntou porquê eu fiz aquilo, é sério eu nunca imaginaria que as crianças dos Estados Unidos não faziam aquilo que ao meu ver era um clássico nível experct. Naquele momento eu me imaginei com roupas listrada em preto e branco com algemas prendendo meus braços dizendo ao delegado, "Eu tenho direito à uma ligação" mas tudo que aconteceu foi o mico de ter que ser acompanhada até a minha casa porque o policial pensou que eu tinha problemas mentais.

Olho para as flores e para o movimento na rua - deserto - o cenário perfeito para uma ladra de flores, jogo minha mochila no chão e caminho como quem não quer nada até o jardim, sinto uma enorme pena de pisar na grama verdinha com meus sapatos imundos, mas era preciso, para o bem do Jardim de uma garota pobre.

Caminho com pressa pelo jardim, olho para trás e corro até o canteiro, me agacho para checar qual delas eu quero então decido pegar lilás e amarela, minhas cores favoritas, cavo com os dedos mesmo algumas flores com a raiz, observo o canteiro agora com um buraco no meio e repito para mim mesma que quase não dá para perceber.

- Pega ladrão!! -  alguém grita atrás de mim, sinto que meu coração vai sair pela boca, pego as flores me levanto com pressa fitando meus pés.

- Por favor não chama a policia, eu só estava pegando uma flor não vai fazer falta, se você quiser eu coloco de volta no lugar e nun...
- Se acalma Noelle eu não vou chamar a policia - levanto a cabeça assustada para encontrar Mason gargalhando as minhas custas, fecho a cara.

- Não teve graça!! - digo irritada e jogo as flores no chão e passo por ele batendo os pés seguindo em direção a casa da Ariana.

- Noelle espera! - paro e me viro com os braços cruzados.

- O que foi? - pergunto com pressa.

- A sua mochila! - diz estendendo a minha velha Troy com um dedo, arranco da mão dele e jogo sobre os meus ombros. - Me desculpa eu não queria te assustar, mas você estava roubando as flores da minha casa - diz dando de ombros e sinto meu rosto queimar em vergonha.

- Essa é a sua casa? - pergunto com as sobrancelhas franzidas.

- Você não sabia? Pensei que estava fazendo de propósito - diz coçando a cabeça confuso.

- Quê?! Porquê eu faria isso? - pergunto assustada, não esperava que ele fosse pensar isso de mim.

- Sei lá... vingança talvez! - diz como se não quisesse nada.

- Nossa!! Vou me vingar de você pegando algumas flores do seu jardim, que mau eu sou! - ironizo, cruzo os braços e reviro os olhos.

- É não faz sentido! - diz com a voz suave me olhando nos olhos com cara de cachorrinho sem dono, eu sei que ele quer me dizer alguma coisa e estou #esperando ele se pronunciar.

- Eu só achei aquelas flores bonitas e pensei em pegar umas para plantar em meu Jardim, achei que não faria falta - digo olhando para os meus dedos enquanto brinco com eles.

- Não faz! Se você quiser eu dou algumas mudas que estão na estufa para você! - diz sorrindo fraco, fico tentada em aceitar, contudo me contenho e a idéia de ter uma estufa em casa me parecia ser genuinamente incrivel.

- Não precisa! Olhando bem de perto elas não são tão bonitas, são manipuladoras, mentirosas e conseguem facilmente olhar com desprezo para as pessoas que elas acabaram de iludir com palavras bobas!! - digo enfurecida acabando não dizendo coisa com coisa mais sei que ele entendeu o recardo.

- Sobre isso... eu quero por favor te pedir perdão! - diz mostrando arrependimento em seu olhar.

- Não!! Você me olhou como se eu fosse um rato de esgoto com oito pernas! - digo indignada batendo o pé no chão.

- Me desculpa! Eu realmente não sabia que aquele cara era seu amigo e você sabe...
- Gay - completo revirando os olhos.

- Isso! - diz constrangido, me fazendo perceber o quão ele é fofo com essa expressão.

- Já acabou sua explicação? Agora vou embora - digo me virando para seguir meu caminho para a casa da Ariana.

- Por favor!! Eu sei que eu fui um idiota! - diz segurando em meu antebraço me fazendo parar.

- É foi! - digo me virando não conseguindo conter o sorriso que escapa da minha boca.

- Então você me perdoa? - pergunta com seu sorriso sedutor que me faz rir.

- Eu seria uma boba se não te perdoasse? - pergunto fitando seus olhos enquanto me lembro do nossa conversa na festa.

- Claro que não, eu me sentiria um merda se você não me perdoasse - sorrimos juntos, é maravilhoso saber que ele se lembra.

- Não quero ser eu a pessoa que vai fazer você se sentir um merda! - digo ainda sorrindo em seguida puxo seu rosto com as mãos para mim, colo nossos lábios e os separos com agilidade, eu estava mesmíssima com pressa, queria encontrar mãe da Ariana que já ia para o trabalho para dar um beijo nela, eu simplesmente amo aquela mulher, como pode uma pessoa ter uma mãe tão legal?

- Agora preciso ir! - digo me afastando com pressa dele que sorria parecendo feliz.

- Espera!! Podemos nos encontrar hoje de tarde? - fico surpresa, mas a euforia me preenche.

- Claro! - respondo sorrindo.

- Então depois te mando mensagem para dizer o lugar! - diz alegre com a minha resposta.

- Você tem o meu número? - pergunto com as sobrancelhas franzidas.

- Eu... pedi para o seu amigo! - diz com timidez me fazendo sorrir.

- Ok, vou esperar então! - digo em seguida me viro para continuar o meu trajeto.


Tenki u!♥

Diário De Uma FracassadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora