four

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  Hoje está mais frio que o habitual. A minha cara e mãos estão geladas. O tempo está nublado como sempre. As pessoas andam pelas ruas apressadas mas eu não.
   Eu ando calmamente pensando nas coisas que aconteceram neste curto período de tempo, recebendo alguns encontrões por estar a fazer 'trânsito'.
Desde aquele dia do trabalho de pares que o Harry não vai à escola. Sinto-me frustrada por ele não falar comigo. O que será que ele tem?
   É tudo tão estranho.
   Aquele dia na biblioteca não me sai da cabeça. Eu quero tentar falar com ele de novo.. quero ouvir a sua voz.
  O meu telemóvel toca e com os dedos doridos do frio tento atender

  - Heeeey Ev! -grita Agatha.

  - Olá Agatha.

   - Que animação - suspira - só queria saber se querias vir a minha casa hoje à noite! Vou dar uma festaaaa!

  Lembro-me da noite da festa do Thomas, do susto e da chuva que apanhei e nego o convite.

  - Ev por favor, por favooor.

   - Agatha eu realmente não quero voltar a andar à noite sozinha por aí.

   - Eu peço ao Daniel para te levar a casa! Por favor Ev! - Daniel é o irmão mais velho de Agatha.

   -Está bem Agatha. - concordo.

    - Então até logo cutie pie!

   Volto a colocar o telemóvel no bolso e continuo a andar até à empresa do meu pai. Ele chamou-me aqui por algum motivo desconhecido por mim.
   Abro a enorme porta de vidro e adentro a empresa cumprimentando toda a gente até chegar à secretária e perguntar pelo meu pai.
    Ela diz-me para subir e eu obedeço.
    Abro a porta do escritório e sento-me no sofá preto esperando que o meu pai falasse algo.

  - Vou sair de casa.

   - Como é que é?

   - O meu casamento e da tua mãe não está a resultar e achei melhor conversar contigo agora..
Isto não vai afetar em nada o meu relacionamento com vocês, tu e o George poderão vir sempre que quiserem à minha nova casa. - ele parou por uns minutos e fitou-me.

  Fiquei impassível a olhar para ele. Tudo estava bem à 2 semanas atrás o que pode ter mudado tanto?

  - Não está a resultar porquê? - pergunto seca.

  - Não amo a tua mãe. - responde ríspido.

  - Amavas à 2 semanas atrás, o que mudou?

  - Eva eu só te queria avisar do divórcio e que sempre que quiseres podes visitar-me. Suponho que a tua mãe queira mudar de casa ela esteve a empacotar coisas hoje de manhã. Venderemos aquela casa que só trás memórias que não queremos lembrar.

   Assinto e levanto-me calmamente dirigindo-me para fora da empresa.
  A realidade ainda não me tinha alcançado porque eu não sentia nada. Nem tristeza, nem raiva. Nada mesmo. Decido andar até casa em vez de apanhar o metro mesmo que esteja uma tarde congelante apetece-me andar.

  Mais tarde

Acabo de me vestir e começo a fazer a minha maquilhagem, de seguida calço os meus saltos pretos e desço gritando pela minha mãe

   - Mãe podes levar-me até à casa da Agatha, por favor?

Ela assente chamando George e pegando nas chaves do carro.

  - Mãe não é preciso vires buscar-me, Daniel vai levar-me logo à noite.

  A música alta já se ouve daqui de fora e apresso-me a entrar em casa de Agatha.
Está super cheia e a maioria está drogada. São mais ou menos 22:00! Foram rápidos.
  Procuro por Agatha, sem sucesso, ando até ao grande jardim atrás da casa e vejo várias pessoas dentro da piscina, nus.
  Chego perto da mesa das bebidas e pego num copo com algum líquido dentro bebendo tudo de seguida.
  É realmente bom.
Bebo mais dois e pego noutro copo começando a andar pela relva do jardim.
  Descalço os saltos e seguro-os com uma mão saltitando pela relva molhada.
  Começo a ouvir barulhos, gargalhadas e .. gemidos!?
  Bebo todo o líquido que se encontrava no meu copo e jogo o plástico fora continuando a saltitar pela relva até onde os barulhos vinham.
  Um rapaz e uma rapariga estavam a ter relações sexuais violentas contra uma parede e eu fico especada a olhar para eles. Deve ser o efeito da bebida porque não me atrevo a mexer.
  O rapaz tem a cara escondida no pescoço da rapariga mas eu reconheço-a. Começo a rir baixinho com a minha ideia absurda claro que não é a Agatha. O rapaz apercebe-se e para os movimentos por uns instantes e olha-me.
  Arregalo os olhos e abro a boca em espanto, Harry olha pra mim com as suas esmeraldas com uma expressão quase surpresa mas dum segundo para o outro os seus olhos tornam-se escuros e ele lança-me um sorriso perverso e continua a foder fortemente a minha amiga.
  Oiço ele gemer alto e tenho quase a certeza que foi propositado. Afasto-me deles cambaleando e totalmente em choque até cair no chão largando os meus sapatos ao meu lado.

Silent - Harry StylesOnde histórias criam vida. Descubra agora