AVISO: Para perceberem este livro aconselho a que leiam o primeiro! "Espírito Branco"!
"Espírito Branco 2: Ventos Uivantes" continua a cativante saga de Kioushiro, o lobo branco com patas pretas, após um evento trágico que o deixou frio e arrogante...
- É... É melhor eu ficar aqui... Afinal foi a punição aplicada por ti - disse a meia raposa, tremendo de frio. A tempestade estava a piorar cada vez mais.
- Vai para a minha caverna, é uma ordem - falou o lobo branco, porém a sua voz continuava calma e sem qualquer traço de irritação. A meia raposa levantou-se com dificuldade e caminhou para a caverna de Kioushiro um pouco apreensiva.
Assim que entrou pode perceber que aquela gruta era muito grande para apenas um lobo habitar nela, mas logo sentiu o odor de uma fêmea já fraco. « Talvez seja da companheira dele...» pensou Sora baixando as orelhas. Ela deitou-se com a cauda enrolada à sua volta para se aquecer mais depressa, mas não parecia estar a resultar. O seu pêlo estava completamente molhado e não havia nenhuma fogueira por perto, e agora que estava num lugar sem ser à chuva, parecia que ainda tinha mais frio.
Kioushiro ao ver aquilo, decidiu aproximar-se, podiam ser muitas as suas diferenças, mas não a podia deixar morrer de frio. O lobo branco com patas pretas deitou-se ao lado de Sora, para de alguma forma a ajudar a aquecer. Sora, por sua vez, ficou surpreendida pela ação do lobo branco, mas não questionou e aproximou-se mais dele, até os seus pêlos de tocarem. Tinha que admitir, aquele calor era bem vindo. Deitou a sua cabeça no chão, mas conseguia sentir que a sua orelha direita tocava no pescoço de Kioushiro. Este respirou fundo e fechou os olhos, enrolando um pouco a sua grande cauda para a frente.
Pela primeira vez em dois longos anos, já não estava sozinho naquela enorme e escura caverna.
* * * * * * * * * * *
O dia amanheceu ainda com vestígios da tempestade que tinha acontecido durante a noite, nomeadamente as nuvens, que impediam que a luz do sol chegasse ao solo. Kioushiro abriu os olhos e quando olhou para o lado viu que a meia raposa ainda estava a dormir, decidiu deixa-la estar a dormir mais um pouco. Levantou-se com cuidado e saiu da caverna.
Quando estava lá fora, observou a sua alcateia, que apesar da tempestade, parecia estar tudo em ordem. Ouviu passos a aproximarem-se, quando virou a cabeça, viu Cinza e um lobo castanho a virem na sua direção.
- Viste bem a tempestade da noite passada?? - perguntou o lobo cinzento sentando-se ao lado do seu líder.
- Vi, sim... - começou Kioushiro - Espero que não tenha feito muitos estragos.
- Não fez - falou o lobo castanho - Mas esperemos que não volte a acontecer, pode ser um problema.
-Tem razão, Sr. Smith - disse Cinza - Nós demos uma volta pela a alcateia para verificar se estava tudo bem, antes de acordares.
- Certo... Obrigado - disse Kioushiro sem prestar muita atenção na conversa, com o olhar posto num ponto qualquer do horizonte.
- E pareces que temos muitas presas para caçar... - começou Smith aproximando-se do lobo branco - Entre elas estão os gambozinos e girafas com pescoço pequeno.
- Sim... - falou o líder ainda distante. Os outros dois lobos olharam um para o outro confusos com a atitude de Kioushiro face a uma situação daquelas.
- Kioushiro! - exclamou Cinza dando-lhe um empurrão - Ainda estás a dormir?!
- O que queres?! - rosnou o lobo branco mostrando os dentes.
- Pronto... Já acordou - disse o lobo cinzento olhando para Smith.
- O que se passa, Kioushiro? - perguntou o lobo castanho - Pareces distraído.
- Não, não é nada... - disse o lobo branco - E voçes? Não vinham ter comigo logo de manhã se não fosse nada de importante.
Cinza e Smith mudaram as suas expressões de felizes para preocupadas com a observação do lobo branco, o lobo cinzento baixou um pouco as orelhas e preparou-se para falar.
- Bem... Na verdade queríamos falar contigo sobre uma coisa... - começou Cinza - O que a Sora disse é verdade, há lobos desconhecidos no nosso território.
- Mas esse não é o único problema... - falou Smith - Os humanos estão de volta.
- O quê?! - rosnou Kioushiro levantando-se num relâmpago - O que esses sem pêlo querem daqui?!
- Estão à caça... - disse Cinza - E não é de animais pequenos como das outras vezes.
- Estamos a entrar no inverno! Porque eles haveriam de caçar nesta altura?! - exclamou o lobo branco andando de um lado para o outro - É impossível.
- Talvez por causa das nossas peles... - sugeriu o lobo cinzento - O que pretendes fazer, Kioushiro?
- Ninguém sai daqui sem a minha autorização! É muito arriscado perder lobos nesta altura e fiquem de olho nos mais jovens, nunca se sabe o que podem fazer - ordenou Kioushiro elevando um pouco a cauda.
- Certo... Vou trabalhar nisso - disse Cinza afastando-se, deixando o lobo branco e o lobo mais velho sozinhos. Kioushiro continuava a andar de um lado para o outro sem saber mais o que fazer.
- Kioushiro, tem calma - falou Smith - Tenho a certeza de que não é a primeira vez que lidas com humanos.
- Mas desta vez é diferente... Eles sabem muito bem ao que vêm... - disse o lobo branco com patas pretas parando de andar, ficando virado para a entrada da sua caverna. « Será que ela ainda não acordou?» pensou ele dando um passo para a frente.
- Em que pensas, Kioushiro? - perguntou Smith aproximando-se do lobo branco, logo em seguida, farejando o ar - O teu odor está diferente...
- Em nada, Sr. Smith! - exclamou Kioushiro afastando-se bruscamente para o lado dando um pulo - Eu tenho que ir ver como está a minha alcateia! - assim que acabou de falar, desapareceu dali sem dar tempo a Smith para argumentar.
Enquanto passava pelos membros da sua alcateia, pôde ver que estava tudo bem e que nenhum se tinha magoado, o que o deixou mais descansado. Aproveitou que não tinha nada para fazer e entrou na floresta, queria ver por si mesmo a que distância estavam os caçadores e se se precisava preocupar muito com isso a ponto de mudar a sua alcateia novamente ou não.
Agora era oficial, os ramos das árvores estavam vazios, não tinham uma única folha. O vento soprava muito forte, levando as restantes folhas que tinha aguentado durante o outono. Kioushiro parou e olhou à sua volta, parecia tudo calmo, por aquelas zonas não havia sinal dos humanos. Estava prestes a retomar a sua caminhada quando ouviu uma folha seca, instintivamente virou-se na direção do som, colocando-se em posição de caça e com o focinho enrugado. Quem quer que estivesse ali, tinha acabado de cometer um grande erro.
O barulho foi ficando mais alto, até aparecer um vulto de um animal, mesmo à frente do lobo branco com patas pretas.
- O que fazes aqui? - questionou Kioushiro.
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