Chapter seven

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Reece's POV

Becky havia ficado estranha de repente. Então ela saiu e disse que nos encontraria dentro da sala de cinema, mas já faz um tempo e ela ainda não voltou, estou começando a ficar preocupado com essa garota.

- Gente, vocês não acham que a Becky tá demorando muito?

- Não esquenta, daqui a pouco ela aparece. É super a cara dela dar essas sumidas as vezes. - respondeu Emma.

- Bom, vão entrando, eu vou procurar a Becky pra avisar que o filme já vai começar, afinal, a ideia do cinema foi dela, não faria sentido ela perder o filme. - eu disse.

- Tá, vai lá. - disse George

Procurei por ela pelo segundo andar inteiro do shopping, mas nada. Resolvi ir para o primeiro e, assim que cheguei nele, vi ela sentada em uma mesa mais afastada, na praça de alimentação, com o rosto enterrado nas mãos. Espera ai...ela estava... chorando?

Fui até ela e, sem ela perceber, me sentei ao seu lado.

- Becky?

Ela nem se importou em olhar quem era, apenas continuou chorando. Parecia que ela precisava fazer isso. Eu não sei mas, pelo pouco tempo que conheço Becky, pude perceber que ela é alguém bastante engraçada e divertida, não me pareceu ser alguém que, digamos, precisasse chorar.

Depois de alguns minutos, levantou a cabeça e me olhou. Seus olhos e seu nariz estavam vermelhos.

- Desculpa- ela disse, quase inaudível.

- Não tem problema. Mas...aconteceu alguma coisa?

- Nada que não vá passar, nada que não vá passar...- ela respondeu, com o olhar compenetrado em qualquer coisa que não tem a mínima importância .

- Becky, por favor, me fala o que está acontecendo, quem sabe eu possa ajudar.

- Jura que não conta pra ninguém?- perguntou.

- Juro de dedinho. - eu disse, levantando meu mindinho fazendo-a rir um pouco e envolver seu mindinho no meu.

- É que... talvez isso não seja tão importante quanto eu faço ser, e pode não parecer, porque na maior parte do tempo eu tenho um sorriso metálico estampado na cara - ela disse, fazendo referência ao fato de usar aparelho- mas, sabe, é tudo tão confuso porque... porque eu não consigo me sentir suficiente, eu não consigo imaginar que algum dia alguém vai gostar de mim, simplesmente por eu ser eu. Porque a verdade é que essa que vocês conhecem...essa não sou eu, não pode ser eu porque nem eu mesma sei quem ou o que eu sou, porque cada ação minha é medida milimétricamente, porque eu não faço o que eu tenho vontade de fazer por medo de decepcionar, porque eu não me permito desistir de nada, e também porque eu não consigo levar tudo a diante. Porque é difícil não conseguir sentir nada sólido. Só um emaranhado de sentimentos que eu não consigo definir.

Wow . Eu realmente não esperava que ela fosse me contar tudo o que estava sentindo, mas fiquei satisfeito ao perceber que ela confiara o bastante em mim para me contar tudo isso. Ok, e agora que ela me contou tudo, eu não sabia o que fazer. Queria poder fazê-la se sentir melhor, mas eu era péssimo quando se tratava de falar algo realmente útil. Por isso só a abracei, e ela deitou a cabeça em meu peito e ficou chorando baixinho, até se acalmar e irmos para a frente do cinema esperar a galera, já que o filme já estava para terminar.

Becky's POV

Eu não sei aonde estava com a cabeça quando fui contar aquilo tudo pro Reece. Nunca havia mencionado nada, nem algo parecido, para ninguém. Nem para Emma, nem para minha mãe, nem para minha cachorra- que, cá entre nós, é uma ótima ouvinte. Sei lá, talvez eu só não estivesse mais aguentando carregar tudo isso, precisasse colocar tudo pra fora, e ele estava lá, disposto para me ouvir e para me ajudar. Além do mais, talvez eu não devesse, mas eu confio nele como nunca confiei em ninguém. E, acreditem, isso é tão estranho para mim quanto árabe é para vocês- e pra mim também. Quando o pessoal saiu do cinema, fomos para o tal barzinho que o Reece tinha dito, como era perto, fomos caminhando, mas antes deixei minha mochila no carro de Reece.

O lugar era aconchegante, tinha uma decoração rustica que me agradava e uma música indie tocando. Gostei.

- Gostei daqui. É bem...aconchegante. - eu disse para Reece, que estava ao meu lado.

- É, bastante.

Fomos para uma mesa no fim do estabelecimento e ficamos o resto da noite conversando e comendo. Estava conversando com Kate quando Reece coloca sua mão em meu ombro e diz:

- Vamos? Já está ficando tarde.

Olho em meu relógio. Quase onze horas. Nem vi o tempo passar.

- Claro.

Nos despedimos do pessoal, que iria ficar mais um pouco, e fomos para seu carro. Ele colocou uma música, que instantaneamente eu reconheci: There For You. Caralho, eu amo essa música! Me dá uma sensação tão boa. Por falar nisso...

- Reece.

- Oi? - disse, me olhando, mas logo voltando seu olhar para a estrada.

- Érr...obrigada por me ouvir hoje, de verdade, foi muito importante pra mim.

- Sempre que precisar, Becky, sempre que precisar. Eu vou estar lá por você. - disse sem desviar o olhar da estrada e colocou sua mão em minha perna, com a palma virada para cima. Um convite para que eu envolvesse minha mão na sua, e assim o fiz. O resto do caminho foi silencioso, exceto pelas músicas que tocavam aleatoriamente no rádio.

lovesickness¨reece bibbyOnde histórias criam vida. Descubra agora