Capitulo 2 - O Dia Em Que Tudo Mudou.

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Ficamos ali por mais uma meia hora até Miguel voltar, ele deu uma olhada para Adam e veio me examinar.

- Gostaria de lhe dar alguns analgésicos. - disse ele e eu prontamente neguei. - Ok senhorita teimosa. - ele começou a olhar meus curativos e checar meus reflexos e me pareceu satisfeito.

- A Miss Teimosia ai é difícil de se lidar mesmo Doutor, se costume, você não é o primeiro a ter seus trabalhos negados e nem vai ser o último.- disse Adam sorrindo.

- Adam? - chamei e ele olhou. - Perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto. - digo séria e ele ri erguendo as mãos em forma de rendimento.

- Não está mais aqui quem falou. Vou pegar um café, volto logo. - disse saindo do quarto. 

- Desculpe por isso. - digo olhando Miguel que escrevia algo no meu prontuário.

- Tudo bem, seu namorado tem senso de humor. - diz ele me olhando com um sorriso.

- Adam não é meu namorado e com certeza irrita qualquer um depois de algumas horas. - digo me sentando. - E então? Já posso ir?

- Sim, tudo certo. Vou prescrever alguns analgésicos pra você tomar quando sentir dor e daqui uns quinze dias já pode retirar os pontos. - disse ele com um sorriso. Uau, ele fica sexy neste jaleco.

- Obrigada Dr. Toller. - digo recolocando meu colete. - Agora se me der licença vou causar algum caos até chegar na galeria da OR, facilitaria minha vida se você me dissesse qual a sala que Maia está.

- OR 3, e eu nunca falei isso. É minha primeira semana aqui e não quero confusão.- disse rindo.

- Pode deixar vizinho. - digo saindo do quarto e indo em direção à ala cirúrgica.

Por onde eu passava olhares me acompanhavam, seja pelo meu uniforme ou por eu já ser figura carimbada ali. Não encontrei nenhuma dificuldade em chegar à galeria da operation room. Me sentei em um dos bancos da frente, e fiquei olhando minha melhor amiga aberta na mesa da sala abaixo, ali tinham alguns internos e residentes então me manti em silêncio. 

Meu coração se apertou quando minha amiga teve uma parada cardiorespiratória, eu quase me fundi com o vidro, Tio Tom que estava comandando a operação apenas me tranquilizou com um olhar o que foi o suficiente para eu relaxar, nem percebi Vinícius ao meu lado.

- Dr. Fontes nem te vi ai. - digo baixinho ainda prestando atenção em minha amiga.

- Vim ver como está indo a operação.- disse ele ao meu lado. Eu estava seriamente preocupada por não terem estabilizado ela ainda, ela estava perdendo muito sangue. - Nada bom.

- Vai ficar tudo bem, Thomas tem tudo sob controle. - eu soava mais certa do que realmente estava.

- Como você sabe disso? - perguntou curioso.

- Ele me disse. - digo simplesmente, ele me olha como se eu fosse louca. - Quando você conhece bem uma pessoa, palavras são desnecessárias. - volto minha atenção para a sala abaixo e vejo que Maia já está estabilizada e estão contendo a hemorragia, quase prontos para fechar.

- Ai está você moçinha. - disse a enfermeira Nina chegando atrás de mim. - Seus exames estão prontos, gostaria que eu pedisse para o Dr. Toller dar uma olhada ou prefere esperar o Chefe?

- Vou esperar meu Tio, Nina. Obrigada. Pode deixa-los na sala dele, estão prontos para fechar já. - digo com os olhos fixos na minha melhor amiga.

- Tudo bem. - diz ela, impressão minha ou ela estava triste? Bobagem.

- Conhece a enfermeira Nina há muito tempo? - perguntou Vinícius.

- Há alguns anos, é uma boa pessoa, vai te ajudar na adaptação aqui. Só fique fora do caminho da Doutora Hunt, essa sim vai te causar problemas.- digo sorrindo.

- Obrigado pela dica. - disse ele divertido. Vi que terminaram com Maia lá embaixo e estavam se preparando para move-la.

- Tenho que ir, nos vemos por ai vizinho. - digo saindo da galeria e seguindo para o pós-operatório. Colocaram Maia na UTI e alguns enfermeiros a estavam checando.

- Desculpe senhora mais você não pode ficar aqui. - me disse um dos internos eu fechei a cara e estava prestes a responder quando uma ruiva baixinha e totalmente linda para ao meu lado e se adianta.

- Você está falando com uma das donas desse hospital e que por acaso é delegada, então acho que isso lhe da sim o direito de estar aqui. - diz ela séria e o rapaz se encolhe.

- Claro Drª Hunt. - diz ele saindo.

- Obrigada Ellie. - digo abraçando-a.

- Disponha Anna, alguém precisa colocar esses internos em seus lugares. - me diz ela sorrindo. - Maia vai ficar bem, não se preocupe.

- Sei que vai, ela é a mulher mais cabeça dura que eu conheço. Vaso ruim não quebra. - brinco e ela ri saindo em direção ao posto das enfermeiras.

Fico ali por alguns minutos observando minha amiga, essa mulher tão frágil agora nem parece a mesma que vive alegre, me botando pra cima e me incentivando a "sair da casca" mal contenho minhas lágrimas. Tom chegou ao meu lado e sua cara não era das melhores, nada bom vem quando ele está com essa cara.

- Algum problema? Tá tudo bem com Maia? - pergunto já ansiosa. 

- Vamos até a minha sala que eu te explico. - diz ele colocando sua mão na minha coluna e me conduzindo até sua sala.

Passamos por alguns corredores até chegarmos à sala dele, a todo momento ele parecia estar em uma luta interna para me dizer algo. Isso já estava me assustando. Chegamos e eu me sentei em uma cadeira em frente à sua e esperei ele me dizer algo.

- Ok, isso já está me dando nos nervos. Apenas jogue a merda no ventilador e deixe que eu limpe a bagunça. - digo depois de algum tempo que ele estava ali sem falar nada.

- Lyanna, não é tão simples assim. Eu não tenho boas notícias.- começa ele cauteloso.

- Isso eu já sabia pela sua cara. - digo o óbvio. - Desembuche.

-Estou com os resultados do seu hemograma, mandamos fazer todo tipo de exame. Os resultados não são bons.- diz ele com pesar.

- Qual é Tio, fiz um check-up à menos de seis meses, não deve ser tão ruim assim, eu sei que não tenho me alimentado direito, mais prometo que vou melhorar. - barganho com um sorriso o qual não é correspondido por ele. Nada bom.

- Anna, antes fosse apenas falta de vitaminas. - ele da um suspiro e seus olhos se enchem de tristeza. - Você está com câncer querida. - depois dessa frase meu mundo parou.

Reaprendendo A Viver (Em Pausa)Onde histórias criam vida. Descubra agora