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Hello, guys! Depois de um longo hiatus, vamos voltar? 

Parte dois começa agora!


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— Então, isso é tudo? — pergunta Laoghaire, o que me faz franzir o cenho. É claro, eu tinha acabado de falar isso, ela era surda?

— Sim.

— Muito bem, como os peritos ainda estão fazendo análises e tudo mais, você poderá ir para casa, Charlotte, mas não pode sair da cidade, ou isso poderá ser interpretado como fuga, me ouviu?

Faço um gesto afirmativo. Tudo o que eu quero é mesmo ir embora, deitar minha cabeça no travesseiro e dormir... esquecer que essas horas de tortura tinham existido. Eu sei que ao acordar a realidade seria a mesma, mas meu corpo todo clama por uma pausa.

— Ótimo. Vou entregar isso aqui e já volto para liberá-la, aguarde-me aqui, por favor.

Eu tenho outra escolha? É claro que não. Enquanto a espero, os minutos parecem se arrastar. Estou nervosa, ansiosa, tudo isso junto e mais um pouco. Não saber o que aconteceu com Jayden me preocupa.

Laoghaire volta depois de vinte minutos. Acho que eles gostam de me fazer esperar. Isso é muito mal educado.

— Você pode ir. Tem alguém a esperando lá fora, mas não pense em se retirar da cidade, iremos precisar de você pelos próximos dias. Entendido? — apesar de tudo, eu simpatizei com Laoghaire. Ela foi a única aqui que não me tratou como uma criminosa, por isso meneio a cabeça positivamente. — Nós nos vemos em breve, senhorita Helstone.

Saio da sala apressada, tenho medo de que ela mude de ideia, e dou de encontro com meu chefe. Fico confusa quando o vejo, mas Lean não me dá margens para perguntas. Ele me abraça forte, de alguma forma me sinto reconfortada em seus braços e choro. Deixo tudo o que segurei até agora vir à tona e choro descontroladamente.

— Eu não a matei... — digo baixinho, como se fosse preciso afirmar isso para ele.

— Eu sei, não se preocupe — ele diz, afagando meus cabelos. — Vamos sair daqui.

Deixo que ele me guie pelos corredores cinza e quando ganhamos o lado de fora da delegacia, percebo que já é noite novamente. Respiro o ar noturno com vontade e tento controlar as lágrimas, chorar não vai resolver nada. Sinto meu estômago se apertar e tenho uma leve vertigem.

— Cuidado — diz ele, amparando-me e me levando para o carro. Lean é um verdadeiro gentleman, não tem como não ver isso. — Charlotte, é um pouco complicado, mas eu irei levá-la para minha casa. Digamos que não é seguro ir para a sua nesse momento.

— Do que você está falando? — questiono. Preciso ver o meu pai. Preciso explicar para ele que não fiz isso.

— Seu pai apareceu pela manhã, eu estava aqui e ele parecia muito agressivo. Dizia algumas coisas que... — ele faz uma pausa. — Enfim, por favor, aceite vir comigo. Deixe que ele se acalme antes de encontrá-lo.

Engulo em seco. É claro que meu pai iria acreditar que eu tinha matado Nelly. Não tinha colaborado nenhum pouco para que ele duvidasse e ele estava cegamente envolvido com ela. Se meu pai realmente gostava de Nelly, então para ele eu tinha feito algo terrível. Imperdoável.

— Charlie? — insiste Lean com a porta do carro aberta.

Não digo mais nada, apenas entro no veículo e coloco o cinto, mantendo meu olhar perdido em algum lugar em meio às luzes da cidade. Estou destroçada por dentro, mas não posso deixar de agradecer por alguém como Lean estar me ajudando e se importando comigo.

— Obrigada por tudo, Lean — digo sinceramente.

Ele apenas me dá um sorriso fraterno e continua prestando atenção no trânsito. Não sei onde ele mora, mas o trajeto é longo e serve para me fazer pensar. Preciso encontrar Jayden, saber como ele está, saber como chegar nos verdadeiros culpados... não sei por onde começar, mas sei que é isso o que tenho que fazer. Por mim. Por minha mãe. Por meu pai e até mesmo por Nelly.

Meu objetivo a partir de agora é desvendar esse mistério. Descobrir as verdades ocultas e provar minha inocência, custe o que custar. Para isso, preciso esperar o próximo passo dele.

Ou não.


O Quarto ao LadoOnde histórias criam vida. Descubra agora