"I'm not virgin too." "I already know it."

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"Bem respondido.", ri levemente e afastei-me dele indo na direção da grande cama que se encontrava no meio meio do quarto. Ele endireitou-se e veio sentar-se ao pé de mim.  
Percorri os seus movimentos com o meu olhar e quando, finalmente, se sentou ao meu lado, desviei o olhar para uma secretária que existia ao fundo do quarto, mesmo a frente da janela que dava vista para a piscina que ficava na parte de trás da casa de fraternidade.  

"Então, fala-me sobre ti.", pousou as mãos nos joelhos e olhou-me.
"Que é que queres saber?", olhei-o nos olhos. Eram lindos.  
"Tudo o que me quiseres dizer...", fez uma pausa "Tudo mesmo.", baixou o tom da voz fazendo com que me arrepia-se uma pouco.  
"Não, eu não sou virgem se era isso que querias saber.", semicerrei os olhos e comprimi os lábios.  

Ele riu-se um pouco e brincou com o piercing que tinha no lábio.
"Muito direta.", sorriu levemente. "Gosto disso."
"Agora diz-me tu, qualquer coisa sobre ti.", levantei-me da cama e sentei-me a sua frente no chão, cruzando as pernas a chinês.  
"Também não sou virgem.", riu e voltou a brincar com o piercing.
Revirei os olhos e perguntei: "Quem é que te disse que eu queria saber isso? Porque acredita em mim, disso eu já tinha a certeza absoluta.", olhei-o.
Ele voltou toda a sua atenção para mim. Naquele momento eu tinha a certeza que era o centro das suas atenções. Ele sorriu e isso fez com que umas pequenas rugas aparecessem perto dos seus olhos. 

"Aposto que sei qual foi a tua primeira impressão sobre mim.", continuou a olhar-me, sem desviar o olhar.
"Qual foi?", perguntei, é óbvio que ele sabe.
"Pensas que sou daqueles gajos que comem todas as que lhe aparece a frente, principalmente quando se está numa festa como esta. Em que todas as raparigas querem é festa.", cruzou os braços ao peito e ficou em silencio por meros segundos. "Por um lado sou assim, tenho de confessar."
"Já sabia disso.", levantei-me e fui na direção da grande secretária e reparei num bloco que estava pousado ao pé de uns livros sobre arte conceptual e um livro da biografia de Van Gogh. Peguei no livro da biografia e reparei que tinha muitas pontas dobradas e resolvi abrir no primeiro que calhasse.

Abri numa página de uma pintura chamada "Natureza morta com absinto", era um quadro simples. Simples como quem diz, porque aposto que por detrás desta simples pintura há um significado.

"Não sabia que gostavas de arte.", levantei o olhar para o ver, agora a uns 2 metros de mim, com as mãos nos bolsos.
"Como podes ver, há muita coisa que tu não sabes sobre mim.", sorriu e aproximou-se da mesa
Voltei a olhar para a página e vi uma pequena nota no canto superior esquerdo a dizer "feito"
"O que é que queres dizer com este feito?", olhei-o.
"Significa que já desenhei esse.", fez uma pausa breve "Ou pelo menos tentei.", riu levemente, mas o suficiente para lhe conseguir notar as covinhas.
"Posso ver?", pousei o livro na mesa.
"Se quiseres.", deu-de ombros e aponto para o bloco. Peguei e comecei a folhear, devagar, para poder ver os desenhos.
"Não são nada de especial.", comentou ele observando-me.
"São sim, desenhas muito bem. A sério.", olheio espantada porque eu esperava tudo dele, menos que soubesse desenhar tão bem e que fosse um cromo das artes.
"Cada um tem a sua opinião, e segundo o meu pai, eu não sei desenhar e ter prosseguido com o meu estudo na área das artes eram um desperdício.", encolheu os ombros.

Não respondi e voltei a minha atenção para os desenhos novamente, até que por fim, encontrei o tal desenho do quadro que tinha visto no livro.
"É uma pena não teres tirado um curso de artes, sairias-te lindamente, Luke.", fechei o bloco e pousei-o na mesa novamente.
Ele limitou-se a encolher os ombros e a desviar o olhar para a parede.
Tenho de admitir, o ambiente estava a ficar muito estranho. 

"Acho que me vou embora.", anunciei.
"Já? Ainda é cedo."
"Amanha...", fui interrompida.
"Amanha é feriado nacional, não me digas que vais para a universidade.", sorriu levemente, consegui notar um pouco de humor na sua voz.
"Não é isso. Amanha... ", fiz uma pausa para pensar em alguma desculpa, mas nada. Não me veio nada a cabeça. "Ok, eu não tenho nada para fazer amanha, só me queria ir embora porque estou super cansada.", acabei por admitir.
"Tens carro ou algo do género?", acho que ele já sabe a resposta, não sei porque é que se deu ao trabalho de me perguntar.
"Não, vim no carro do Jake..."
"Eu levo-te, de qualquer das maneiras ia acabar por sair.", encolheu os ombros e começou a ir na direção da porta.

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