Polaroid

3.5K 222 1.5K
                                        

Millie nunca sentiu-se tão intimidada.

Finn estava tão próximo, mas tão próximo, que seu nariz quase encostou-se na pontinha do de Millie, aquilo era incontestavelmente uma tortura que merecia ser cassada e a menina não teve tempo de pensar quando suas mãos subiram e seguraram a jaqueta de couro preto do garoto. Porém, ele fechou os olhos e deu dois passos para trás vagarosamente envolvido. Um sorriso fraco começou a desenhar seus lábios avermelhados porém eles não pareciam fazer jus ao seu semblante inexpressivo.

— O que você disse?

Ela continuava na parede com o peito em ritmo acelerado, frente à frente com aquele garoto que tinha sido a causa de mudanças simples em sua vida monótona, mas que fizeram toda a diferença. No termo oficial, ciúmes era um substantivo abstrato, porém tão presente que Millie conseguiu sentir chegando de todas as direções, mas não queria que aquela insinuação semeasse um caos entre a amizade dos dois, jamais se perdoaria se o garoto se afastasse dela.

Millie recusou-se a confrontar suas íris castanhas e fechou os olhos, tentando reorganizar os pensamentos.

— Olha Wolfhard, eu... eu não devia ter dito isso. É claro que você não está com ciumes. — ela disse vacilante e mordeu o lábio inferior. — Você também não precisa me perdoar se não quiser, eu saio falando as coisas. Um desses exemplos acabou de acontecer no corredor, então... Só não fique bravo comigo.

Finn encostou-se no batente da porta com um sorriso distraído no rosto.

— Não estou bravo.

— Eu sei que está, você não é o único que consegue ler as pessoas. — disse ela, fazendo-o ficar em silêncio por não saber mais o que dizer. E era isso que Finn gostava na garota, a maneira como ela usava suas frases conte ele mesmo. Millie prosseguiu, insegura. — Espero que o que eu falei sobre o ciúme não mude nossa amizade de um jeito ruim ou... ou mude o que nós somos.

— Por que isso mudaria nossa amizade? — Finn questionou com um tom tão frio e sem vida quanto ele estava se sentindo. — Nos beijamos antes e isso não significou nada.

Millie engoliu em seco e sentiu o peso de suas palavras impiedosas. O garoto ainda estava aborrecido e aquilo realmente doeu como se facas estivessem perfurando cada centímetro do seu coração. Certamente, ela não desejaria ouvir novamente e não entendia por quais motivos queria tanto explicar-se. Sentia-se pequena diante dos olhares de Finn, que eram irritadiços e magoados ao mesmo tempo.

— Eu sei que não significou nada. — a garota murmurou em meio ao silêncio mortal que se seguiu. — Me desculpe se também defendi Jacob, mas ele deve estar em um mal dia. Não o leve a sério.

Finn desviou seu olhar e riu.

— E você continua o defendendo.

Millie abriu a boca e a fechou de novo, sem saber o que responder. Então naquele momento ainda a encarando, ele notou que ela tinha corado e balançou a cabeça em negação dando alguns passos em direção à porta.

— Aonde você vai?

A partir do momento em que aquela alfinetada de Jacob no corredor e o sorrisinho sarcástico de Finn aconteceram minutos atrás, foi dada a largada para um problema que se estenderia por tempo indeterminado, aqueles garotos não se olhariam mais da mesma forma e muito menos apertariam as mãos em forma de cumprimento na frente de seus amigos em comum, a menos que fosse algo extremamente necessário. Jacob sentia ciúmes de sua nova garota e Finn completamente perdido, não sabia ao certo o que sentia.

— Vou pra biblioteca. Você pode ir pro basquete agora.

— Você vai me desculpar?

Finn paralisou com a mão na maçaneta, sentindo o olhar aflito de Millie em suas costas.

Sirius | Fillie Onde histórias criam vida. Descubra agora