Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Rio de Janeiro, Brasil, Setembro de 2013.
— Onde você vai? — Bianca, minha mãe, se encosta no batente da porta de meu quarto e passeia seu olhar desde a mala cheia de roupas atirada no chão até mim.
Termino de jogar todas as calcinhas em cima das roupas embrulhadas e solto meu cabelo, deixando os fios despenteados caírem como uma cortina por volta de meu rosto.
Desviando meu olhar brevemente para a mulher a frente de mim, eu controlo minha vontade de mandá-la ir atormentar seu "marido" número 3 e opto por deslizar meus pés para dentro das botas de salto preto.
— Agora vai me deixar falando sozinha, é isso? — Se pronuncia novamente, cruzando os braços.
— Se eu fosse você, já ia me acostumando com a solidão, querida Bianca. — Debocho, por enquanto visto a jaqueta de couro preto.
Ela apenas ergue as sobrancelhas e solta uma risada indiferente.
— Quem estará perdendo é você, Alana. Acha mesmo que é melhor viver num centro de treinamento com o seu pai do que ficar comigo?
— Mas é claro que eu acho! — Jogo meus braços para o ar, exasperada. — A gente mal consegue se falar.
— Isso porque você só insiste em implicar com a sua mãe. — Ela rebate, não demonstrando nenhum tipo de emoção em suas íris azuis.
Rio pelo nariz, abanando a cabeça negativamente.
— Eu vou sair com o Marcelo, não me ligue, não manda mensagem, só... esquece que eu existo. Até porque é o que você mais faz. — Reviro os olhos, borrifando meu perfume antes de passar por ela. — E caso o Neymar aparecer por aqui, diz que eu tô dormindo.
— O quê? Porquê? Não me diga que vocês terminaram. — Subitamente ela mostra interesse.
É patético o quanto minha mãe era um anjo comigo na época que eu comecei a me encontrar com o Neymar. Ela realmente agia como minha melhor amiga, sempre querendo saber cada detalhe do que acontecia em nossas saídas.
Por Deus! Ela até cozinhou para ele quando fez questão que eu o convidasse aqui para casa.
Porém, bastou os problemas começarem a surgir na nossa relação, que ela voltou aos seus hábitos de sempre, jogando na minha cara o quanto sou inútil e não sirvo nem para manter um relacionamento.
— Não vou te dizer mesmo, não é da sua conta.
[...]
— Desculpa o atraso, é que eu ainda estava arrumando as coisas para amanhã. — Explico, me acomodando na cadeira à frente do Marcelo.
Ele ri, balançando a cabeça com um ar de falsa decepção, enquanto pega o menu.
— Só quem não te que conhece é que ainda acredita que você chegará no horário combinado.