7. te odio

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Limpo o pó, arriscando alguns passos de Michael Jackson por enquanto canto, bem desafinada:

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Limpo o pó, arriscando alguns passos de Michael Jackson por enquanto canto, bem desafinada:

— Do you remember the time? — Pego a vassoura, fingindo que a mesma é meu microfone. — When we fell in love. — Pisco para o "público" que se resume em Enzo.

Quer dizer, até a criança de quatro anos me vê como uma comédia, gargalhando ao jogar a cabeça para trás.

As músicas do grande rei do pop estão passando na TV e sinceramente acho que não existe nada melhor para me deixar em um bom humor do que ouvir meu ídolo.

Nunca vou me cansar das musicas do Michael.

— Do you remember the time? Woah. — Berro, correndo até Enzo para pegar suas mãos e o girar comigo. Continuo o entretendo com meus passos horríveis e logo o pequeno se junta a mim, tentando cantar comigo, mesmo sem fazer ideia de como é a letra.

— Remember, my baby! — Grito, quase caindo quando deslizo para trás, tentando imitar MJ.

— Vocês realmente sabem como acordar alguém. — A voz rouca soa assim que a música acaba.

Com a respiração ofegante, eu ergo meu olhar para Sergio, encostado na parede com os braços cruzados.

Permito passear minhas íris pela tinta preta desenhada em seus braços musculosos, prestes a me beliscar para não lembrar do momento em que seus lábios encontraram os meus, horas atrás.

É vergonhoso admitir que venho pensando nisso desde ontem. Mais ainda que já cheguei a rir que nem uma idiota por causa do maldito beijo.

Eu gostei, é claro.

Mas vai só ficar por aí mesmo.

Sergio e eu somos de mundos bastante diferentes, o que acontece entre a gente não passa de uma mera atração sexual que é bastante comum.

Que irá embora assim que saciarmos nossos desejos.

Porem, está aí outra coisa que não vai acontecer.

Ontem foi um erro. Acredito que foi a forma dele de tentar se esquecer do que estava acontecendo lá fora. Ele apenas procurou uma distração em mim e achou.

Simples.

Vida que segue.

— Bem, já está tarde, querido. — Sou cínica, prendendo minha atenção em Enzo, que corre até a cozinha para pegar o bouquet de flores que compramos hoje mais cedo.

Sorridente, ele apressa os passos até o padrinho, o entregando as margaridas.

Sergio franze o cenho, bagunçando o cabelo de Enzo apenas para não deixar o garotinho sem graça.

— Nós compramos hoje mais cedo para você levar pra Miriam. — Dou de ombros. — Não sei, pode ser que ela goste. — Abro um sorriso de lado.

Sergio se mantém inexpressivo até um certo momento em que eu acho ver um tiquinho de admiração no seu olhar.

𝐃𝐞𝐬𝐭𝐫𝐨𝐳𝐚𝐝𝐨 • 𝚂𝚎𝚛𝚐𝚒𝚘 𝚁𝚊𝚖𝚘𝚜Onde histórias criam vida. Descubra agora