depois que ele saiu a frase dele ainda martelava no meu ouvido, queimando.
Aquilo atravessou meu peito como um estilhaço — silencioso, fino, certeiro.
Não era para me afetar.
Mas afetou.
Profundo.
Errado.
Perigoso.
Aquela frase… ela denunciou algo que ele jamais diria em voz alta:
ele não queria submissão.
Ele queria combustão.
Era isso.
O brilho nos olhos dele não era ameaça — era fome.
Fome de reação.
De tensão.
De faísca.
E, sem perceber, eu tinha virado exatamente o que ele queria:
um detonador emocional ao alcance das mãos.
O pior?
Eu finalmente entendi o mecanismo dele.
O jeito como a sombra dentro dele respirava.
Ele ficou excitado.
Não pela minha presença.
Mas pela minha resposta.
Pelo fato de eu **revidar**.
Ele era movido por caos.
E caos… é uma droga.
Quanto mais você dá, mais ele quer.
Se eu apagasse por dentro, ele me esmagaria até arrancar um grito.
Se eu lutasse, ele se embriagaria da minha força até perder o controle.
Uma equação impossível.
Cruel.
Letal.
Se eu não reagir, eu quebro.
Se eu reagir, eu prendo ele em mim.
E ainda assim…
reação é tudo o que me resta.
Tudo o que ainda é meu.
Comi devagar, tentando pensar direito.
quase em câmera lenta, como se mastigar me ajudasse a organizar a mente quebrada.
A colher partida continuava no canto, largada exatamente como eu deixei — torta, inútil, quase um espelho da minha própria ruína.
A luz moribunda da lâmpada morta mal tocava o metal, mas o suficiente pra me lembrar: aquilo ainda era uma arma.
Ou podia ser.
Peguei.
Guardei debaixo do colchão com o mesmo cuidado de quem esconde a última coisa que ainda pode chamar de sua.
Talvez fosse só uma colher quebrada.
Talvez fosse só desespero.
Mas eu precisava dela.
Precisava da sensação de que tinha alguma chance, mesmo que fosse só uma mentira bonita.
Respirei fundo e puxei o cobertor úmido, aquela coisa fétida que grudava na pele, pra cima do meu corpo.
Deixei o cansaço me sugar pra dentro.
Dormir não era seguro — nunca foi.
Mas pensar demais tornava tudo ainda mais torturante.
Então fechei os olhos.
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Acordei com aquela sensação.
Aquela que vem antes de qualquer pensamento, quando o corpo entende o perigo antes da mente.
O ar parecia mais pesado, mais denso, como se o quarto tivesse encolhido ao meu redor.
O escuro tinha outra textura — viva demais.
Abri os olhos devagar.
Nada.
Nenhuma sombra fora do lugar.
Nenhum barulho além da minha respiração irregular.
Mas tinha.
Tinha algo
Um peso invisível.
Uma presença grudada na pele como a antecipação de um grito.
Fechei os olhos outra vez, tentando domar o coração que martelava no peito.
Foi aí que senti.
A respiração.
Quente.
Soprada direto no meu ouvido, íntima demais pra ser acidente.
O instinto me virou inteira antes mesmo de eu pensar.
O corpo reagiu sozinho, feroz, selvagem.
E enquanto eu girava o rosto, meus dedos já mergulhavam por baixo do colchão, desesperados, buscando o metal escondido ali.
Toquei na colher.
Fria.
Firme o suficiente.
Puxei.
Ele já estava em cima de mim antes que eu tivesse tempo de pensar.
Um peso brutal. Calculado.
Me esmagou contra o chão como se eu fosse parte dele, como se ele já soubesse exatamente qual seria meu próximo movimento antes mesmo de eu decidir.
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O Amor Psicopata De Jeff The Killer
RomansaEla foi sequestrada pelo homem que todos chamam de monstro. Frio, calculista, imprevisível. O que ela não esperava era descobrir que o maior perigo não era só sobreviver a ele - mas sobreviver ao que ele desperta dentro dela. Entre manipulação, tens...
