Capítulo 2

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O cheiro da terra sendo molhada a tarde denunciava que já tinha chegado em casa.

Com o passar dos anos eu aprendi que a falta dos meus olhos tinham que ser recompensadas de alguma forma e, através da minha audição, eu tive que aprender a me localizar no espaço-tempo. Ao seu ver isso pode parecer algo difícil mas que com anos de prática tinha se tornado tão familiar e comum para mim que como se fosse uma coisa que já nasci sabendo.

E era mais fácil se você tivesse uma rotina pronta. A minha envolvia sempre o olfato ou audição. Uma séries de alarmes com horários e cheiros que me situavam locacionalmente.

_ Que bons que vocês chegaram, meus netos!- Vovó Lorelay dizia vindo correndo nos abraçar em frente ao carro.

_ Não precisa de tantos abraços para mim, eu ainda moro aqui.- Eu dizia tentando sair do abraço apertado dela, o que se mostrou inútil.

_ Não seja assim, minha querida!- Ela disse me dando uma tapinha pela cabeça.

Segurando minha mão firmemente sou guiada até a área de visitas da nossa casa. 

_ Zola, você voltou!- Lily dizia enquanto ouvia seus passos rápidos e firmes se aproximando para o que devia ser abraçar Zola.

_ Lily, pare de correr assim, meu amor, acabará caindo!- Eleanor dizia.

_Desculpe mamãe mas eu quero ir brincar com Zola!

_ Agora que receio que não será possível, nós temos que conversar com Zola.

Eu me sento no sofá para tentar entender o que estava acontecendo.

_ Mas mamãe...

_ Lily e Hanna, já para os quartos!- Bruce retruca.

Ouço Zola abaixar e dizer baixinho para Lily que devia estar fazendo carecas irritada.

_ Não se preocupe, mas tarde eu levo você a pista de mini kart no centro da cidade!

Não precisava dos meu olhos para saber que o sorriso de Lily devia estar de orelha a orelha com aquilo. Afinal, ela amava carros e pilotar na pista de kart.

Ouço os barulhos dos pés se distanciando e delas conversando enquanto subiam as escadas. Pelos perfumes, na sala somente tinha eu, Zola, Bruce, Eleanor e vovó Lorelay.

_ Então meu filho Zola vai nos dizer por que veio nos visitar?- Eleanor perguntava com seu tom de voz investigativo.

_ Nada importante mãe, só apareci antes para o aniversário de 18 anos da Alana.- Ele dizia sem preocupação na voz.

_ Não minta para gente! Somos seus pais!- Eleanor brandou.

_Não é mentira!

_ Então por que fomos avisados que você está suspenso até segunda ordem da universidade e poderá até mesmo ser expulso?!

O ar tinha se tornado pesado. Durante alguns segundos que pareceram horas ninguém na sala tinha falado mais nada.

_ Por que você não me contou?- Eu perguntei para Zola.

Zola e eu éramos como verdadeiros irmãos e eu me importava com ele. Era como se ele tivesse me traído me escondendo algo assim.

_ Isso não é nada importante!

_Não é importante uma acusação de violência?!- Eleanor continuava a dizer com um tom cada vez mais severo na voz.

_ Que violência?!- Eu perguntei.

_ Segundo a notificação da escola e o Jornal hoje cedo, seu irmão Zola bateu na ex- namorada!- Bruce que estava dizendo dessa vez.

Eu não estava acreditando. Zola sempre tinha sido um bom irmão para mim e as meninas. A ideia dele bater em alguém ainda mais em uma mulher era inacreditável para mim.

Num piscar de olhosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora