Capítulo 9

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O mês de setembro estava se iniciando e a minha vida ainda precisava de alguns ajustes, mas no geral eu estava muito melhor do que qualquer previsão absurdamente otimista que pudesse ter feito quando me separei. Eu ainda precisava comprar móveis para o apartamento e isto de não conseguir ânimo para ajeitá-lo me incomodava profundamente, precisava deixar a preguiça de lado e comprar roupas novas, afinal, minha vida social voltara a acontecer e eu tinha, na maioria das vezes a companhia de um homem lindo que e invarialvelmente estava muito bem vestido. Estava me sentindo quilos mais leve por ter terminado a correção ortográfica no livro de Celso (o prazo para entrega teve que ser esticado em algumas semanas depois que ele decidiu reescrever dois capítulos, incluindo mais algumas páginas) e como nossa relação havia evoluído para o grau de amigos ele propôs que o trabalho pronto fosse entregue na sexta-feira, num jantar preparado por ele e pelo filho em sua casa. Eu ainda não tinha conseguido promover o encontro entre Miguel e ele, pois Miguel não pôde comparecer ao jantar em que eu o havia convidado anteriormente. De pronto aceitei o convite e desta vez estava torcendo para ir acompanhada, pois gostaria muito que os dois homens que estavam fazendo total diferença para o bem em minha vida se conhecessem.

Durante o almoço encontrei-me rapidamente com Miguel, que sem perder a oportunidade de implicar respondeu com sarcasmo: "- Claro, Lina, vou adorar jantar na casa do charlatão."

Mostrei a língua mas não fiquei nada chateada, pois sabia que toda implicância, impulsionada pelo ciúme acabaria no momento em que os dois se conhecessem.

Outra boa notícia veio com um novo e-mail de Fábio me dizendo que aceitara minha nova proposta e que já havia depositado a primeira parcela do pagamento. Então, animada pelas coisas boas que estavam acontecendo me senti na obrigação de ceder aos apelos de Joana irmos às compras (eu estava precisando de roupas novas, mas sabia que a insistência dela não era um ato altruísta, o que queria mesmo era companhia para enfrentar uma maratona à procura de roupas para o filho na difícil fase da pré-adolescência, onde nada é bom o suficiente). Sexta-feira nós duas trabalhamos apenas no período da manhã e decidimos almoçar num shopping conhecido pelos altos preços e clientela abastada, pois uma amiga de Joana que trabalhava numa loja de roupas infanto-juvenil havia comunicado a ela que os produtos da loja estariam por menos da metade dos preços originais. Não achei muito boa a ideia, de um lado ela economizaria, porém, eu, gastaria muito mais do que estava planejando, mas fui convencida por minha amiga de que eu merecia um pouco de luxo depois de tudo que tinha passado naquele ano e, mesmo resmungado, acatei a escolha.

Quando chegamos ao tal shopping logo na entrada percebemos que a loja que Joana queria ir estava simplesmente entupida e algumas pessoas já faziam fila do lado de fora. Decidimos, então, entrarmos logo na fila e deixar o almoço para depois das compras para João, o filho dela. Depois de quase uma hora de espera conseguimos entrar e Joana foi muito bem atendida pela amiga que já havia separado muitas peças no tamanho adequado, ela que sempre me parecia tão sovina, como toda mãe quando se trata do bem-estar do filho deixou a economia de lado e saiu de lá com quase tudo que a vendedora havia separado.

Eu não tinha ainda comprado uma peça de roupa para mim e já me sentia totalmente exausta, louca para abrir mão das compras e correr para casa. Tentando recuperar o ânimo para mais lojas nos sentamos num restaurante do shopping para um pequeno intervalo regado a chope e fritas.

Conversa vai, conversa vem, olho para fora do bar, ergo o braço para chamar o garçom e pedir mais uma rodada de cerveja e abro um enorme sorriso, feliz pela coincidência ao constatar que Miguel também estava no shopping, aparentemente desacompanhado, carregando uma sacola de papelão nas mãos caminhava apressadamente sem ao menos olhar para os lados. Antes que se aproximasse de nós comentei com Joana o quanto era inacreditável os dois encontros que havíamos tido pela cidade sem que tivéssemos combinado.

Não ResistoOnde histórias criam vida. Descubra agora