Confesso que depois de ter passado o final de semana com Miguel levantei na segunda-feira muito mais disposta, era mais algo do tipo "viver a nova semana" e não "enfrentar mais uma semana" como vinha acontecendo. O sexo sem compromisso teve seu valor, não posso negar que estar na companhia de um homem fisicamente maravilhoso, atencioso e muito carinhoso me fez despertar da letargia pós-separação, então aproveitei que estava animada e saí para o trabalho bem mais cedo que o costume. Cheguei antes de todas as meninas, preparei café e comecei a trabalhar, na tentativa de conseguir adiantar um pouco a correção do livro do Celso, o psicólogo, porém, meu sossego não durou muito, à medida que minhas amigas chegavam mais era pressionada a contar sobre o que tinha acontecido depois que deixei nossa confraternização acompanhada por Miguel.
- Tudo bem! – bufei simulando irritação – Vocês venceram! – disse enquanto salvava meu trabalho no computador. Em seguida girei minha cadeira e fiquei de frente para elas: - Sim, meninas, fui para casa de Miguel na sexta, fizemos muito, muito sexo – revirei os olhos e suspirei – do tipo muito, muito, muito perfeito. E não foi só isso: fiquei lá praticamente o fim de semana todo, só retornei para o meu apartamento ontem à noite.
- Nossa mãe, então ele é mesmo tudo que aparenta? – indagou Martinha suspirando com euforia.
- Nada de propaganda enganosa! – brinquei.
- E agora, marcaram alguma outra coisa? – perguntou Diana, tentando disfarçar a preocupação.
Eu desfiz o sorriso e tentei tranquiliza-la: - Não falamos nada sobre possíveis futuros encontros, mas não se preocupe eu não estou criando expectativas.
- Não é isso, Lina...
- Eu sei que você tá preocupada, mas não fique: eu aproveitei muito! Di, foi uma injeção de ânimo e só. Como você disse, "apenas sexo". – afirmei sinceramente convicta de minhas palavras.
- Ai, ai... tô até com inveja... – divertiu-se Joana, suspirando lentamente e revirando os olhos.
- É, foi legal... – sentenciei tentando minimizar o encontro.
- Legal é quando o flanelinha não chama a gente de tia, sair com aquele indivíduo perfeito é no mínimo sensacional! – afirmou Martinha divertindo-se.
Mal voltamos ao trabalho e senti meu celular vibrando na mesa. Por mais ridículo que fosse e contrariando totalmente meu discurso de que não esperava mais nada de Miguel, desejei que fosse ele, mas aconteceu o que eu vinha há tempos rezando para que acontecesse, era uma chamada de Fábio. Claro que senti um frio estranho devido à surpresa, mas não foi nada arrebatador como imaginei que seria quando nos falássemos pela primeira vez após a separação.
- Lina, tudo bem? – perguntou Fábio com a voz solene.
- Tudo. – respondi seca, mas tentando soar natural.
- É o seguinte, precisamos conversar para decidir sobre o apartamento. – foi falando com frieza, como se estivesse tratando sobre um investimento com a gerente do banco – Será que nós podemos almoçar juntos hoje? – perguntou com um tom de descaso, como se fosse uma espécie de sacrifício que estava disposto a fazer para obter algum ganho posterior.
Faltavam menos de quatro horas para a hora do almoço e eu precisava de mais tempo para me preparar para um encontro com ele. Bobagem ou não eu queria estar linda, exalando autoconfiança e charme e para isso seriam necessárias mais do que quatro horas de preparo: - Não vai dar, tenho um compromisso na hora do almoço. – despistei tentando soar naturalidade.
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Não Resisto
Romance(parcial) Este é um romance daqueles que fazem a gente rir e chorar de emoção. Uma história com muito amor e surpresas sobre uma mulher comum que após uma separação inesperada e no início de uma depressão por causa do término conhece um "Don Juan"...