- Di, eu não aguento mais! – exclamei com divertimento – Se minha vida social continuar neste ritmo frenético vou à falência! Uma roupa nova, um evento, um evento, uma roupa nova... – resmunguei ao constatar que precisava sair novamente para comprar um vestido novo para acompanhar Miguel numa confraternização do escritório dele.
- É tudo culpa sua, Lina, seu armário está defasado! – concluiu Diana com os olhos arregalados e um tom cínico, me lembrando que durante anos não tive uma vida social.
- Se pelo menos você tivesse um corpo mais normal, menos tão extraordinário poderia me emprestar algumas roupas de vez em quando... – reclamei suspirando, olhando com fingido desdém para minha amiga e seu corpo escultural.
Diana riu envaidecida e completou: - Você é que é uma tábua despeitada, literalmente despeitada! – e suspirou me encarando – Mas é uma magricela tão perfeita que chega a me dar raiva! E outra, Lina, mesmo se vestíssemos o mesmo manequim não haveria quase chance nenhuma de trocarmos roupas, porque nós duas somos sócias e amigas, e estamos namorando com dois sócios e amigos. – afirmou enquanto terminava de passar delineador nos meus olhos.
Eu e Diana estávamos na casa dela dando os últimos retoques na maquiagem antes de sairmos para nos encontrar com Mário e Miguel num restaurante onde, junto com a equipe do escritório deles, iriam comemorar por terem ganhado um caso que se arrastava há anos, onde representavam uma construtora pequena que lutava para provar que uma grande construtora havia conseguido informações privilegiadas antes de um processo de licitação para a construção de um conjunto habitacional.
Chegamos ao restaurante e Miguel, Mário, Sílvio (um outro advogado e sua esposa), Fabrício (um jovem estagiário), Selma (a secretária e seu noivo) já estavam dispostos ao redor da mesa. Mal nos aproximamos e Diana de um jeito nada discreto começou a remanejar as pessoas dos lugares, tudo isso porque eu a havia pedido que não ficasse longe, por pura insegurança minha, que não queria ficar perto de Sheila e ter que forçar uma conversa, pois nas raras vezes que nos encontramos ela tinha deixado claro ao simplesmente me ignorar que não estava disposta a fingir que me suportava.
- Gente, desculpa se parece loucura, mas conheço vocês! – afirmou divertida enquanto criava um meio para que ficássemos lado a lado - Daqui a pouco vocês começam a falar de trabalho e então eu tenho a Lina ao meu lado para não ficarmos nos sentindo dois peixes fora d'água.
Depois da primeira rodada de vinho Sheila e uma garota, com idade entre vinte e três ou vinte e quatro anos se juntaram a nós. Tudo bem que de longe dava para se perceber o olhar blasé e a postura arrogante de Sheila, mas eu tinha que dar o braço a torcer, a mulher fazia o tipo deslumbrante, cheia de elegância e estilo. A menina que estava com ela também era linda, mas mais do tipo garota, com cabelos longos loiros quase encostando na cintura, olhos castanhos claros e algumas sardas enfeitando a pele do rosto. Elas chegaram e cumprimentaram a todos: a primeira com aquele sorriso meio forçado, a segunda com o riso escancarado.
- Eu não conheço esta menina... – falou Diana em tom de indagação para Mário – É namorada da Sheila? – perguntou em alto e bom som ao que Sheila respondeu com um sorriso forçado, enquanto todos os outros gargalharam pela brincadeira.
Mário apressou-se e sorrindo repondeu: - Ah, é mesmo... Acho que nem me lembrei de te contar que contratamos uma nova estagiária. Gabriela, - chamou ele pela menina – esta é minha noiva, Diana.
A garota sorrindo, divertindo-se com a brincadeira, estendeu a mão para Diana que retribuiu com simpatia. Em seguida, num gesto educado aproveitou para me cumprimentar. Miguel sem a mesma amabilidade de Mário apenas concluiu "esta é a Lina".
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Não Resisto
Romance(parcial) Este é um romance daqueles que fazem a gente rir e chorar de emoção. Uma história com muito amor e surpresas sobre uma mulher comum que após uma separação inesperada e no início de uma depressão por causa do término conhece um "Don Juan"...