Anjo loiro

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– Você só tinha que matar Inoichi Yamanaka. – a garota loira falou de modo frio entrando no quarto de hotel e olhando a criança amarrada no sofá, no lugar em que a deixara depois de aplicar um nível elevado de uma droga letárgica após captura-lo. – Sua segunda missão fora, e você não só não segue as ordens, como ajuda o alvo a fugir. Para sua sorte ele não conseguiu. – ela falou removendo o casaco e deixando-se ver manchas de sangue na roupa. – Eu tive que limpar sua bagunça.

Ela seguiu até o sofá onde o adolescente estava preso com um metal fino nos pés e mãos. Ele teimosamente se mexera, mesmo ela explicando que isso o cortaria. Definitivamente, aquele criança era uma suicida. Se agachou no chão e o encarou nos olhos muito azuis impassíveis, sem um pingo de medo mesmo sabendo as consequências dos atos recentes. A oito já havia avisado a base sobre as travessuras de 445, e quando ele voltasse... as coisas não iam ser boas para ele.

– Se recusar em treinamentos é uma coisa, 445, mas em uma missão, as consequências são bem piores. Por que não entende isso? – ela perguntou impaciente segurando seu queixo para que ele não desviasse o olhar. Nenhum medo ainda, nenhum arrependimento. Removeu a mordaça.

– Não sigo ordens de ninguém. – ele respondeu de modo frio. – Não sou um cachorrinho como você Temari.

Ela deu um tapa no rosto pálido com força. Melhor entender por ela, do que por Madara.

– Você pode ser forte e não aparentar, mas só tem 14 anos. O que viu do mundo de fora? Não basta ele machucar tanto você, e ainda dá um motivo desses? – ela rompeu o tom frio da voz, como sempre fazia perto do loiro. Não conseguia manter a máscara indiferente, não perto daquela criança que lhe tirava o sono. Desde que o capturara no subterrâneo há 5 anos atrás quando ele fugia, não conseguia ser indiferente a ele.

Ele não respondeu e ela segurou o queixo com mais força, em um gesto brusco fazendo as unhas cravarem no rosto bonito do menino, fazendo-o sangrar. Sentiu algo estranho com isso e parou, transformando o gesto em uma caricia suspirou em derrota. Não conseguia machuca-lo. Sabia que deveria puni-lo. Ele enganara todos os outros e tentara ajudar quem deveria matar. Eram as regras, mas ele já seria torturado na base quando chegassem...

Seria torturado.

– Droga 445! – gritou o soltando e sentando no chão, perto da sua cabeça colocando as mãos no rosto. Por que estava perdendo o controle assim? Sempre fora, juntamente com Um, a mais fria. A arma perfeita. Conhecia todas as armas e os venenos e drogas. Nunca falhara em uma missão, e agora, aos 18 anos, já fora a tantas quanto Gaara. Nunca deixara um alvo vivo. Nunca deixara de punir ou as vezes quando necessário matar um desertor.

Mas não conseguia tocar naquela criança. Não devia sentir isso, não devia sentir nada. Não sentia antes de conhece-lo.

– Eu só quero que fique vivo. – murmurou. – Por que torna essa tarefa tão difícil?

– E eu quero morrer.

Ela perdeu a compostura e ergueu depressa agarrando sua cabeça em suas mãos com violência. Ele se mexeu tentando se livrar e os fios pressionaram mais os pés e mãos fazendo sangrar os cortes ali. Encarou a careta de dor que finalmente ele deixava sair.

– Não repita isso! – gritou com um joelho de cada lado do corpo dele em cima do sofá. – Não repita esse tipo de coisa absurda!

– Temari? – a voz dele saiu finalmente um pouco assustada, perdendo a frieza que ele tentava impor. – Seus olhos...

Só quando notou o rosto dele molhado notou que ela estava chorando. Se assustou com isso. O que diabos estava acontecendo com ela? Que tipo de descontrole absurdo era aquele. Tentou voltar a si. Se abaixou e encostou a testa na do outro, fechando os olhos, exalando o cheiro que conhecia tão bem e apreciava, agora misturado com o cheiro de sangue.

GenuínoOnde histórias criam vida. Descubra agora