Aventuras noturnas

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Nara Shikamaru bocejou dentro do carro soltando as palavras cruzadas. Achava esse tipo de vigília problemática, mas quando a general Senju mandava o negócio era obedecer. Era mais fácil do que ficar ouvindo aquela gritaria.

Ele não sabia os motivos para ela mandar vigiar o garoto, já que ele estava junto com os melhores da divisão. Hatake Kakashi e Uchiha Itachi não conseguiriam lidar sozinhos com uma criança?

Ele mudou de ideia no instante que a viu saltar da janela para o muro com suavidade. Eram no mínimo dois metros de distância, e ele parecia fazer serem nada.

Se ajeitou melhor no carro, mais interessado. Se o garoto fugisse teria que segui-lo, eram as ordens. Não podia ficar desprotegido. Pelo o que ouvira, caiu nos ouvidos dela uma certa fuga que terminou na delegacia, ou algo do tipo. Não sabia por que o menino era tão importante ao ponto dela mobilizar seus melhores agentes. Mas, sem dúvida, ele não era qualquer um. Caminhou pelo muro agachado tão rápido que o homem se perdeu no movimento. Depois saltou no chão com leveza.

Shikamaru se preparou para sair pegando a arma e segui-lo a pé, mas ele continuou perto do muro, via apenas sua silhueta no escuro. Ele vigiava o irmão do Uchiha que estava com um grupo de baderneiros. Relaxou e ficou olhando. Os garotos saíram e o loiro ficou no canto um instante, até subir no muro como um gato e caminhar. Parecia que ia retornar, mas parou abruptamente olhando para o lado e voltando a se agachar pulou para o muro vizinho onde sentou olhando algo na casa. Depois no movimento ainda mais rápido pulou de volta para o muro e para a janela.

Shikamaru sorriu. Aquilo era interessante. De um jeito bem problemático, mas ainda assim, muito interessante.

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Era um grito apavorante. Sasuke caiu da cama e soltou um palavrão. Havia bebido um pouco e retornado para a casa. Olhou o celular, eram 3 da madrugada. Havia dormido a apenas meia hora quando os gritos começaram.

Vinham do quarto do Dobe. Colocou o travesseiro na cabeça e ouviu um choro sentido. Pulou da cama e saiu do quarto de forma silenciosa. Queria ignorar, mas era impossível, parecia gelar sua espinha, como um animal ferido.

Parou no corredor perto do quarto do outro e ouviu a voz do irmão e um barulho que parecia um rosnado.

–Ei Naruto, sou eu, calma. Não vou te machucar. – A voz de seu irmão era doce, como quando ele falava consigo quando Sasuke era pequeno. Fechou os punhos por o irmão estar falando assim com o dobe.

–Minha mão, ele esmagou minha mão... – o outro falou assustado. Sasuke apurou os ouvidos e tentou ver pela fresta da porta semiaberta.

Itachi estava sentado na beirada do colchão enquanto o outro estava sentado abraçado aos joelhos com a cabeça abaixada. Mesmo dali se via que ele tremia.

–Não quero dormir mais. – O loiro falou com a voz embargada.

Viu que Itachi passava a mão na sua cabeça como se ele fosse uma criança pequena.

–Tudo bem Naruto. Quer que eu fique aqui com você?

O quê? Desde quando Itachi era assim, paciente? Sasuke só lembrava dele assim quando era criança. O jovem Uchiha não percebia, mas estava com ciúmes. Não gostava do irmão tratar assim aquele desconhecido.

– Não precisa.

– Quer ir para a biblioteca conversar? Estou sem sono mesmo.

Não ouviu a resposta, mas deve ter sido positiva pois ouviu a movimentação. Correu para o quarto rapidamente o mais silenciosamente possível. Com o coração aos pulos e com raiva, enfiou a cabeça nos travesseiros. Mas ao mesmo tempo, não conseguia tirar o grito do Dobe da cabeça. Era pura dor.

GenuínoOnde histórias criam vida. Descubra agora