Capela dos esquecidos

12 0 0
                                        

Mais uma noite chegava
E com ela, o desespero
A fome
O medo
Seu barraco de zinco
Havia porta
Mas não tinha trinco.
Um bico de luz
Iluminava o que?
Um chão frio
Uma cama quebrada
Um armário vazio
Um pranto calado
O sorriso apagado
Assim ela vivia,
Enquanto a noite seguia
Ela, muitas vezes, de fome chorava.
Vida cruel
Não teve chance
Não teve amor
Não teve paz
Enquanto a noite seguia
Sua vida se desfazia
Uma seringa usada
Um furo no braço
Uma vida perdida.
Ela não tinha nome
Não tinha sobrenome
Não era respeitada
Era apenas mais uma nas estatísticas
Ela lembrou de sua infância
Não tinha mais relevância
Sua vida se esvaía
A sensação de liberdade a agradava
E um último sorriso, que antecedeu seu último suspiro, ela dava.
Diziam: Já foi tarde!
Não virou notícia
E seu barraco, não foi alvo de perícia.
O tempo passa, a história se repete
O barraco de zinco, já não tem mais porta
As paredes estão tortas
Quase sempre, encontram uma pessoa morta
O barraco ganhou nome e sobrenome
Capela dos esquecidos
Onde ninguém mais tem nome
São apenas corpos, que as drogas consomem.


- Igor Setta -

O que há em mim...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora