Desabafo pessoal

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O silêncio da madrugada me consome,
O vazio da minha existência me faz perder a fome,
A consciência condena minhas dores,
Mas quando mais necessito ela some,
Penso no que existe após o ponto final,
Sobre a linha tênue entre o bem e o mal,
Respiro o mesmo ar impuro de homens porcos todos os dias,
Enquanto mulheres puras morrem por asfixia,
Agradeço por não me encontrar nessa sociedade perdida,
Onde feminicídio é apenas estatística,
E feminismo é birra,
Eu desisti de acreditar na paz,
Depois de assistir durante um tempo os jornais,
Tragédias se tornaram fatalidades banais,
E paz é quando o corpo que cai,
É desconhecido sem parentescos reais,
E se for segregado alguns aplaude e pedem mais,
A doença terminal do século é coletiva,
E é transmitida pelas ondas televisivas,
Atitudes quem machucam através de brincadeiras "inofensivas" .

Poeta Sem Sucesso Onde histórias criam vida. Descubra agora