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Ela, mais fria que a morte, ele, mais cruel que a vida

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Meus pés se arrastam por um campo minado
Eu não vou encarar a batalha;

                               Pressione-me

Sou feita de pedra

                               Pressione-me

Não  há nada aqui
Continue tentando;

Cuspe-me a fronte

Não tenho expressão
Grite aos céus
Grite aos deuses
Grite com força, com vontade
Até estourar tuas cordas vocais;
Você tem raiva;
Raiva que lhe mantém de pé
Frente a mim
Você me quer no chão;

Fere-me

Agride-me

Eu não sinto, eu não ligo

Rasga-me a pele

Sou feita de mármore
Faça-me virar areia
Estilhaçe-me os órgãos

Mate-me

Mate-me já na morte
Nunca fui vida

Mate-me

Sempre quisestes saciar o meu sangue
Sempre quisestes a minha pele fria e sem cor
E agora de que vale?
Não há honra, não há glória
Você sempre esteve na podridão
E eu, eu estou no além;
Além deste mundo infame
Coberta por uma nuvem negra
Eternamente a tua assombração
E agora de que vale?
Tomarás do fel da destruição?
É a tua desejada vitória
Erga os braços e célebre;
Arraste-me o corpo pela sarjeta
Cave-me um buraco no fundo
Duma mata
E deixais-me com os vermes;
Nua e ferida
Eles terminarão teu trabalho.

22/05/18

DesvanecendoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora