- vai levar este mesmo?
Continuei me olhando no grande espelho da loja de roupas de banho.
- sim. - respondi ainda atenta ao maiô em meu corpo
- ficou bonito. Maiôs são mais chiques.
Eu sempre escutava isso, mas ela tinha razão.
- vou me trocar. - falei entrando no provador
Ao sair entreguei a peça de tamanho M para a vendedora.
- só isso?
Sorri com a pergunta.
- já foi bem caro e sim, só isso.
Ela riu da minha resposta e guardou a peça em uma sacola.
Paguei o maiô mais caro da minha vida e saí da loja contente com a mais nova aquisição.
Tudo bem, confesso que eu tinha uma coleção deles. Depois da cirurgia que eu fiz e que deixou uma cicatriz de mais de 30 centímetros na minha barriga, eu era apenas adepta aos maiôs. Eu não gostava de sair por aí mostrando o corte gigante que ainda ficava maior por conta da queloide que eu tive.
Eu particularmente não ligava pra isso, mas não era algo que eu queria expor. O importante era eu estar viva depois de tudo o que passei, mas aos dezoito anos eu ainda preferia guardar essa marca pra mim.
- ei mocinha, onde estava?
Minha mãe me olhava com os olhos brilhando. Ela amava fazer compras e amava olhar o que eu havia comprado.
- Fui comprar um maiô.
- ai deixa eu ver!
Passei a sacola a ela.
- uaaaau, que lindo!
Sorri.
- bonito né? Também achei. - falei
- ele vai amar.
Franzi a testa sem entender.
- ele quem? - perguntei virando o pescoço para ver o quem estava na sala, mas não havia ninguém
- quem mais? Noah, claro. Ele está com seu pai na cozinha.
Revirei os olhos e ao mesmo tempo limpei a garganta. Depois que descobri que era apaixonada pelo meu melhor amigo, minha vida ficou um pouco mais complicada.
Andei a passos largos até a cozinha e avistei os dois no maior papo.
- ah olha só. Ela chegou! - disse meu pai empolgado
Noah sorriu ao me ver. Aquele sorriso ainda me mataria.
- o que estão fazendo? - perguntei curiosa
- falando sobre a formatura de vocês, faculdade essas coisas. - respondeu meu pai
- mal começamos o último ano. - murmurei
- e ae? - Noah disse aproximando-se e fizemos um "high-five". - onde você tava?
- fui comprar um maiô. - dei de ombros
- hum, posso ver? - o sorriso besta no rosto dele fez meu rosto queimar involuntariamente
- pode. Não tem nada demais em um maiô. - desdenhei
- o que vai fazer agora? - perguntou mudando o assunto
- nada. Porque?
- festa na piscina na casa do Paul. Vamos?
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Cicatrizes
RomanceVida não deveria ter esse nome, deveria se chamar "clichê". Pois é, a minha era assim, me apaixonei pelo meu melhor amigo, achei que ele era uma pessoa, mas era outra, sofri muito e aprendi que a cicatriz gigante que eu tinha acima do umbigo não er...