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Roger

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Minha aula de Embriologia animal  estava  entediante, por mais que eu ame meu curso, sempre fui contra salas de aula, aprendo mais rápido e melhor quando  estou sozinho, lendo, pesquisando, questionando, só apareço nas aulas para não ser reprovado por falta, e mesmo faltando muito, sou o aluno com notas mais altas na classe, o que deixa meus professores furiosos e os alunos também.

Vendo que aquela aula não iria a lugar algum, me retirei com a desculpa de que precisava ir ao banheiro. Fiquei andando pelos corredores, com meu cigarro já no fim e percebi uma movimentação diferente, alguns alunos levando geringonças para o auditório, como sou terrivelmente curioso, decidi dar um jeito de entrar, o que foi ridiculamente fácil, já que persuasão é uma dádiva minha.

As primeiras apresentações foram uma piada, até eu faria coisas mais inteligentes e úteis, estava até mesmo pensando em ir embora e fumar outro cigarro, mas eu vi um garoto entrar, e por algum motivo aquilo chamou minha atenção, talvez tenha sido seu cabelo volumoso e cacheado, características que eu achei bela e diferente, e o ar de intelectual que ele exalava, acabei desistindo de sair e fiquei para assistir sua apresentação. A cada palavra dele mais eu me encantava, era tão genial e delicado, ele falava com paixão e aquilo me cativou muito.

Entretanto quando vi que o criticavam arduamente, e sem necessidade alguma, não pude ficar calado.

"- Eu me enganei professor, o que lhes falta não é vontade, na verdade isso tem outro nome, covardia, são covardes demais para mudanças – Completei minha fala.

- Para a coordenação Sr. Taylor - Exclamou."

Sei que me exaltei um pouco, mas eu sempre fui meio explosivo, principalmente quando sei que estou com razão, mas apesar de toda a confusão que eu causei e isso ter me custado algumas horas na detenção, sinto que fiz a coisa certa, as vezes vale a pena dar a cara a tapa, geralmente eu afasto as pessoas pelo meu modo meio espontâneo de ser, mas por alguma motivo eu queria que ele fosse uma exceção.

                                                                                            ***

- Não acredito no que vejo, quer dizer que você pode trazer um homem para namorar e eu não posso trazer o Paul? - Exclamou Freddie entrando do jeito teatral e dramático dele, assustando Brian.

- Não acredito que você comparou o Doutor May com o escroto do Paul, meus ouvidos sangraram.

- Ah então você é o Doutor May que ele tanto falou – Freddie e seus comentários inconvenientes.

- Pra você é Brian May senhor Bulsara.

- Loira ciumenta - Brincou, fazendo Brian rir minimamente e corar pela situação.

- Está vendo com o que eu lido todos os dias – Falei vendo sua saída triunfal.

- Ele parece ser legal – Disse tímido.

- E é, quando está de bom humor.

- Eu ouvi isso Roger, não se engane Brian ele também é uma rainha histérica quando está de mal humor – Falou Freddie retornando.

- Agradeceria se parasse de destruir minha dignidade – Bufei.

- Qual amado? Desde quando você tem uma – Ironizou, fazendo Brian rir.

- Até você, eu devia tê-lo deixado sujo, gastei minhas belas mãos esfregando seu uniforme, que ingrato Doutor – Brinquei, fingindo estar indignado.

- Ah era isso que estavam fazendo, achei que...

- Já deu né, preciso secar isso, e você está ocupando todo espaço – Falei empurrando-o pra fora antes que ele falasse besteira.

- Desculpa ele não tem limites – Ele sorriu da minha fala.

Estava terminando de secar a sua blusa, evitando encarar o seu torso desnudo, o que não estava sendo uma tarefa muito fácil, começamos uma conversa sem nexo a respeito do universo, ele me contou algumas das suas teorias loucas, e eu só conseguia pensar no quanto sua inteligência o deixava ainda mais bonito, compartilhamos nossas paixões por animais, entre outras coisas, estávamos tão envolvidos que nem percebemos a hora passar, Freddie tinha saído há um bom tempo, e já estava de noite. O levei a porta, com a camisa agora limpa, ele parou e me encarou um pouco sem graça.

- Obrigada por me salvar dessa, de novo – Riu envergonhado – Não sei como te agradecer por isso.

- E não precisa, gosto da sua companhia – Soltei me arrependendo um pouco, por ter corado com a fala, não sou de ficar tímido na frente dos outros.

- Eu também gosto da sua – Disse após alguns segundos calado – Então...Te vejo amanha na biblioteca? – Indagou.

- Claro, sabe onde me encontrar.

- Na sessão proibida, provavelmente lendo e fumando – Disse me arrancado risadas.

- Esqueceu de mencionar os livros eróticos.

- Ah claro, você e seus romances eróticos – Falou sorridente.

- Ainda estou esperando seu convite para conhecer sua máquina de estrelas – Ousei em dizer.

- Sendo assim, considere-se convidado...

Está livre amanhã noite?

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