Eu odiava situações como essa, ser tirado do meu dia de folga para esse tipo de contratempo, já era insuportável o suficiente a maldita ressaca que estava enfrentando e o clima que se formaria em breve.
Era um daqueles dias que provavelmente Hashirama estaria cheio de risos comigo, sendo o insuportável inconveniente de sempre. Porém, felizmente, ele está viajando e isso deveria ser uma dor de cabeça menos.
Deveria, o que não está acontecendo nesse momento.
Não queria dirigir, não queria um trânsito insuportável mais a frente, não queria vê-la, não queria aquela chuva. Já estava uma verdadeira merda aguentar a melosidade do meu maldito melhor amigo sobre a tal Mito, o beijo dela e o encontro de crianças de pré escola que tiveram. Que se foda, esse problema não é meu; mas o que vinha a seguir era, e como era.
Que sou um maldito canalha sem sentimentos? Talvez, porém, eu não posso negar que sinto a falta dela e que fui um bosta. Um grande filho da puta covarde.
Essa última semana se tornou um inferno sem tamanho, porque obviamente, essa cretina daria um jeito de foder e não era com palavras ou gestos, e sim por suas atitudes. Aliás, por que fui até aquele jantar? Se estivesse em casa ou em um bar, nada disso teria acontecido; eu continuaria em minha zona de conforto sem saber que a Toka não estava mais noiva de meu primo distante.
Ela me ligou dizendo que eu era a última pessoa que pensou, e também fui o único que atendeu o telefonema dela. Aliás, sou um verdadeiro idiota por fazer isso quando poderia ter recusado a chamada, não alimentando ainda mais uma história falida entre nós.
Aquela era a primeira vez que ficaríamos sozinhos, a chuva aumentava gradativamente, os pingos ficavam cada vez maiores e a música que eu ouvia já não era o suficiente para disfarçar o barulho do lado de fora.
Minha cabeça doía, meu corpo está dolorido como se eu houvesse lutado com um gigante; sim, eu deveria ter ficado em casa, na minha cama, no meu conforto.
Merda.
Depois de meia hora e algumas mensagens em meu celular - maldita cretina impaciente - parei no estacionamento do aeroporto, enviei uma mensagem para que ela me encontrasse e então, finalmente, a porta do meu carro abriu. Deixou primeiro a mala no banco de trás e depois, sentou-se ao meu lado com o mesmo semblante ordinário - e lindo - de sempre. Mas, até mesmo eu, ficava calado na presença de Toka.
– Obrigada por vir. - Disse, apenas assenti e retornei a minha atenção ao volante.
– Eu não podia te deixar sozinha nessa chuva. – Respirei fundo, ainda prestando atenção na água caindo no vidro.
O silêncio foi mortal e constrangedor, porra Hashirama e sua viagem, porra Tobirama desgraçado que poderia ter facilitado a minha vida e ido buscá-la.
Eu queria ter puxado assunto, dito a ela como me sinto, perguntar tudo que estava sem resposta; porém, nada conseguia sair da minha boca. Quis fumar, descarregar o cigarro a vontade de parar o carro e falar as coisas que estavam entaladas, só que sabia que se fizesse, ia estragar tudo como sempre faço.
Nossas personalidades não batem, ou melhor, são tão parecidas que se repelem e sinceramente? Quando foi que virei tão sádico ao ponto de insistir nessa merda? Só podia estar louco.
Com o tempo aceitei que ela de fato ficava melhor com Kagami, que meu primo desgraçado e sua personalidade fácil a faria muito mais feliz que eu um dia consegui. E me acomodei nisso, ficava com pessoas sem me importar se estariam ou não entre meus lençóis, enterrei dentro de mim tudo que sentia por ela. Obviamente, Toka nunca sairia da minha vida por completo, porém, a sua posição de certa forma era confortável.
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10 dias para ela
FanfikceÉ possível se apaixonar a primeira vista? Isso que Hashirama Senju se questionava desde que seus olhos pousaram sobre a nova coordenadora do curso de direito da Universidade Mokuton. Para ele esse tipo de situação era nova e curiosa, ficava se ques...