- Liliana... Liliana... onde você está? Ophélia... Marco... Brian... Sam... Conseguem me ouvir? - eu gritava loucamente em busca deles mas não conseguia uma resposta.
Me abaixei e me desesperei, não tinha como eu ser capaz de fazer aquilo, era dia e eu não era capaz de ver nada além do meu próprio eu, não achava ninguém por onde andava, ninguém me respondia e ninguém era capaz de me dar um norte de por onde eu deveria estar ou por onde eu deveria ir, naquele momento minha vontade era chorar mas as lágrimas não saiam. Eu caí no chão com um impacto que senti em minhas costas
- Ops!
- Desculpe Beatrice não tinha lhe visto aí - era Marco - Não se agache onde ninguém pode te ver, você está bem?
- Melhor agora que sei que não estou sozinha.
Me levantei e me coloquei de volta no lugar, foi extremamente embaraçoso ter sido atropelado por um búfalo desgovernado que ainda assim era sensível ao ponto de perguntar se eu estava bem.
- Vamos, precisamos passar por aquele arco pra chegar a sacerdotisa!
Ele estendeu a mão para mim, mas eu não a quis pegar então ele foi em direção aleatória e eu o seguinte, caminhamos por algum tempo até que ele parou repentinamente e fez sinal para que eu não fizesse barulho. Foi então que ouvi um grito que me fez arrepiar, Marco me disse para não olhar, mas não havia tempo para esitações em minha mente, olhei na direção do grito e vi Ophélia caída no chão empoçada em seu próprio sangue. Próximo a ela estavam Sam e Brian, um enforcado por uma vinha e o outro ainda preso a uma árvore gritando agoniado. Era perturbador ver aquilo e eu me mantive imóvel, incapaz de fazer algo, me mantive estática por ver quem realizava o ataque. Foi então que ele se virou e me encarou com um olhar sádico dizendo:
- Vamos brincar... Tice?
Aquele olhar me fez petrificar, eu perdi as forças e cai por cima de meus joelhos aos poucos vendo tudo se esvair. Foi quando Marco avançou em direção a Evan para ataca-lo mas o mesmo se fez indiferente me olhou com um sorriso e disse:
- Ah Beatrice, senti tanto a tua falta quero tanto te caçar novamente... Mas dessa vez você não vai fugir de mim bastarda!
Ao dizer isso ele se esquivou de uma das magias de Marco e lançou uma adaga no peito de Sam que agora estava a se contorcer cada vez menos, até que ele simplesmente parou... Sam havia acabado de morrer perante meus olhos... Era isso mesmo que eu estava vendo?
Em um grito de dor me levantei mas não sabia o que fazer, não conseguia correr, não conseguia lutar eu estava embreagada em meu medo e não sabia o que fazer.
- Darnivot eko suqua meji
Foi o que Evan disse e então Marco se pôs de joelho a cuspir sangue.
- Marco, venha, você não pode lutar contra ele sozinho, vamos embora - eu gritei e ele me olhou atenciosamente e em seus lábios eu ouvi dizer uma última palavra enquanto Evan se posicionava atrás dele com a adaga que havia tirado do peito de Sam. Seus lábios me disseram:
- Fuja!
Evan cortou-lhe o pescoço, olhou a adaga com devoção e se pôs diante dos corpos ateados ao chão me olhando de forma incessante que sufocava.
- Você não devia estar aqui pequena, você morrerá sem concluir nada, pois esse é o seu legado, você está destinada ao fracasso.
Uma voz sussurrou de forma sutil mas aquilo ecoava minha cabeça se chocando com a minha consciência me fazendo ver como a realidade.
- Você não pode fazer nada, é apenas uma camponesa de Thowlider, agora morrerá diante tal provação.
As lágrimas começaram a rolar diante do meu rosto e minha mente apenas a ecoar...
Você morrerá... Não concluiu nada...
Evan caminhou em minha direção e eu permaneci imóvel, ele se pôs a minha frente, socou minha barriga e me segurando pelos cabelos disse:
- De uma última olhada no horizonte Tice, esse é o nosso último jogo.
Ao abrir meus olhos vi uma mulher sentada distante, ela possuía uma máscara, cabelos longos que tocavam o chão enquanto ela ainda de encontrava sentada, um vestido cinzento com pequenos detalhes em preto, isso lhe trazia um grande contraste com sua pele extremamente branca opaca. Se assemelhava muito a uma estátua, não esboçava reação mas eu sabia que aquela personificação era viva e estava assistindo aos meus momentos finais.
- Aprecio a sua coragem minha jovem mas você não pode confrontar o destino, apenas aceite aquilo que já lhe foi escolhido.
- Adeus...Tice! - Evan soprou ao meu ouvido.
Eu já havia aceitado o fim, apenas fechei meus olhos e pedi imenso perdão, a Liliana, minha mãe, aos meninos que lutaram por mim e a Ophélia que havia se esforçado tanto por mim..
- Não dê adeus a alguém se você não tiver certeza de que ela morrerá, afinal ela ainda tem a mim. - Liliana disse firme.
- E o que você pode fazer criança? Você não pode fazer nada contra mim, do contrário eu a matarei. - exclamou Evan irritado.
- karxa vechak incrom poer gronfyo destru...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Celada no gelo
FantasyDe uma realidade completamente diferente daquilo que ela aprendeu a ver, tudo passou tão rápido e agora não havia mais tempo... Não era uma guerra que Beatrice buscava, ela apenas queria achar o conforto que faltava em sua alma. Mas quem ouviu dizer...
