Por um instante parecia que nada tinha acontecido, me afastei um pouco e então fui capaz de ver.Grandes rachaduras se formaram naquela barreira, ela começou a ruir e então se desfez na minha frente.
Infelizmente eu não estava preparada para ver o lado de fora do meu mundo, não tinha consciência do que estava prestes a ver e aquilo me marcou de maneira única.
Ao olhar, enchergava Thowlideir, mas não era bonita igual eu cresci acostumada a ver, na realidade eu me arrependo, no fim Liliana tinha razão.
Estava tudo devastado! O que se mostrava diante de mim realmente era um cenário de guerra. Os escombros espalhados por todos os cantos, as milhares de árvores carbonizadas, o ar seco e o começo de um dia cinzento.
Eu realmente vivi ali por dezoito anos? Não podia ser, como era possível eu nunca ter visto aquilo antes ?
Me pus a andar dentre aquela devastação, a cada passo um pouco mais de mim estava mais convencida a crer que talvez viver dentro de uma barreira não fosse ruim. Cheguei ao que parecia ser um antigo vilarejo, estava em pedaços, as paredes das casas, as lojas, as pequenas fazendas e o gado, tudo aquilo estava em ruínas e não faltava muito para se tornar pó.
Ao caminhar mais um pouco não fui forte para segurar as lágrimas que começaram a cair. A imagem do que parecia ser uma mãe, deitada por cima de uma criança de forma que parecia protejê-la de algo, ambos os corpos incinerados e largados no meio do caminho que eu cruzava, aquela imagem veio direto a minha alma, e tudo que consegui pensar é que eu não estava segura, não saberia como me defender, eu estava sozinha.
Neste momento uma dor invadiu meu peito e então soube, eu precisava dela, mesmo que ainda estivesse magoada. Sabia que apesar de tudo ela me protegeria, não sabia porque pensava assim, talvez fosse o que as pessoas chamavam de desespero... e não importava o quanto eu pensava eu acabava voltando a pensar em Liliana.
No entanto fui teimosa de mais para adimitir que queria ela ao meu lado, então continuei a seguir, foi quando ouvi um barulho de passos e tive certeza, ela tinha vindo me buscar. Me virei com um ar de indiferença e não estava disposta a voltar a menos que ela, me prometesse que contaria toda a verdade e que não manteria segredos para mim.
A minha ruína foi que quando me virei, não era a figura de Liliana que estava a vir em minha direção. Pelo contrário um homem muito bonito estava a me encarar e a se aproximar de mim. Não escondi meu mal jeito e comecei a ficar vermelha. Foi quando ele me perguntou:
- Você esta bem? Eu nunca te vi por aqui antes, está perdida ?
Sua voz firme e cálida me arrepiava, e a sua figura me encantava muito. Então menti:
- Briguei com minha melhor amiga e sai do alcance de seus olhos, quando percebi já estava aqui. - Não falaria sobre meus problemas com ele.
Apesar de ter acabado de conhecê-lo, seu sorriso meigo me fazia acreditar que ele já era um grande amigo meu.
- Me desculpe por isso, não era minha intenção fazê-la lembrar dessas coisas ! - novamente ele se pôs a sorrir e perguntou:
- Não tem para onde ir ? - ele me pegou de guarda baixa, de imediato senti minha bochechas queimarem.
Eu não esperava que um estranho fosse tão atencioso comigo assim, justo agora, em meu momento mais sensível. Não queria tirar proveito dele, mas fiquei tão feliz por achar que 'ele se importava comigo', então eu o disse:
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Celada no gelo
FantasíaDe uma realidade completamente diferente daquilo que ela aprendeu a ver, tudo passou tão rápido e agora não havia mais tempo... Não era uma guerra que Beatrice buscava, ela apenas queria achar o conforto que faltava em sua alma. Mas quem ouviu dizer...
