- Rápido ! estamos sendo alvos de um ataque inimigo ! - As palavras de Ophélia marcavam uma cena que jamais eu irei poder esquecer.
Minha mãe em um pulo se levantou e então foi para perto de Ophélia, então após alguns sussurros ela me olhou e me disse:
- Fique deitada Beatrice, eu não quero que você saía daqui.
Asenti com a cabeça, mas não por escolha, mas sim por falta de opção, afinal meu corpo doia, e eu não iria poder ajudar, o sentimento de não ser útil nesse momento tomou conta de mim, mas apesar de me sentir assim, iria me sentir pior ainda se fosse um estorvo para eles.
Esse foi o motivo pelo qual asenti, já não havia outra opção para mim.
Então Ophélia por sua vez disse:
- Estamos sendo atacados por Leamdertrip e Tietrastera ! Vamos ter que contra-atacar, fugir não é uma opção... não enquanto tivermos alguém que não podemos deixar para trás.
Isso não é um treino, preciso que vocês deem o melhor de si ou do contrário seram mortos.
Não demonstrem piedade ! Eles não exitaram se tiverem a chance de matar qualquer um de vocês.
Lembrem se, não estamos fazendo isso por nós, estamos fazendo isso para acabar com essa guerra que estes reinos criaram.
- Então vocês são os bravos heróis que salvaram os reinos desta temível guerra !
Fico feliz de poder estar ao lado de vocês, mesmo não sendo útil, eu sinto que vocês obteram êxito em sua missão - Eu disse para motiva-los.
Mas ao que parecia isso não deu certo, Brian após uma gargalhada disse para mim, enquanto todos os outros me olhavam:
- Heróis ?
Não existe ato heróico no que fazemos, somos assacinos, e não importa o quanto... nós vamos olhar para isso, porque não mudará, nós estamos tirando vidas.
Para que nosso objetivo se concretize nós teremos que sustentar esse fardo.
Deixamos nossas vidas de lado para que pudéssemos atingir um bem maior, mas isso não significa que... o que fazemos é certo.
As palavras de Braian percorriam cada canto de meu ser. Eu não queria que achassem que eu estava a brincar com o que eles estavam prestes a fazer.
Não contive as lágrimas, mas elas corriam meu rosto pelo meu arrependimento, eu então pedi desculpas a eles, então os vi saindo tenda a fora.
O fato deles não terem respondido ao meu pedido de desculpas me fez sentir ainda mais culpada ja que talvez eu não fosse vê-los de novo.
Alguns instantes depois ouvi alguns gritos de Ophélia que diziam:
- Estão em grande número, numa faixa de duzentos, no mínimo!
Lutem com honra e por favor não morram !
As explosões ficavam cada vez mais altas e eu não sabia o que estava acontecendo, eu precisava descobrir. Tentei me levantar mas a dor era maior.
Liliana ainda estava na tenda, estava junto a mim e não deixou que eu me esforça-se.
Eu a olhei, após ver que ela não se retiraria eu perguntei:
- Você não vai com eles para ajudar ?
- E o que eu poderia fazer ?
Sou uma simples mulher do campo, não sei usar minha magia.
Mas estou aqui para te defender mesmo sem magia. Eu farei o que tiver de fazer. - ela respondeu com determinação em sua voz.
- Faz sentido, já que está junto a mim, por favor, poderia pegar um pouco de água para mim ? - eu perguntei.
- Claro ! - Ela respondeu.
Assim que ela se retirou, mesmo com o corpo ardendo em dor eu levantei e estava de ida a saída da tenda. Ao terceiro passo não aguentei de tanta dor e cai no chão.
Eu ouvia muitos barulhos e aquilo só fazia me preocupar, eu continuei, mesmo com o corpo a doer mais e mais, eu rastejei para o lado de fora da tenda.
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Celada no gelo
FantasyDe uma realidade completamente diferente daquilo que ela aprendeu a ver, tudo passou tão rápido e agora não havia mais tempo... Não era uma guerra que Beatrice buscava, ela apenas queria achar o conforto que faltava em sua alma. Mas quem ouviu dizer...
