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A bagunça do meu quarto estava começando a me irritar  Minhas roupas jogadas em cima da poltrona e da mesa com o computador praticamente soterrado, as portas do armário abertas com alguns casacos pendurados, os lençóis da cama embolados, era como se não fosse eu quem vivia aqui dentro. Suspirei jogando mais uma camisa em cima da pilha de roupas na mesa e tirei as meias do pé, jogando junto à outra pilha – apenas de meias – perto da porta.

"Que merda" eu murmurei, me jogando para trás e passando a mão no rosto tentando tirar aquele cansaço todo de mim.

Os últimos dias estavam corridos, Andy queria treinar durante a noite e eu tinha o trabalho de nove da manhã às cinco da noite. Eu gostaria que meu salário viesse com a banda, mas infelizmente ainda estamos na fase inicial, apenas alguns shows e ensaios para enfim gravar o disco e etc., sendo assim, me contento com a loja de discos no centro.

Fechei os olhos lembrando das horas anteriores na festa de Andy. Eu não esperava que aquela garota, Rebecca, estaria lá, confesso que me senti surpreso. Vê-la tão de perto me fez sentir uma pontada de curiosidade, mas não da curiosidade de como se sairia embaixo de mim no meu sofá, mas curiosidade de saber quem ela é e o que faz da vida.

Senti-la atrás de mim, apertando seus braços em volta do meu tronco foi uma sensação completamente diferente, era como se aquilo me desse forças para protegê-la qualquer que fosse o acontecimento, eu gostei daquilo. Ver o sorriso seguido de um "boa noite" também foi algo bom de ver, aquela garota me fazia ter curiosidade sobre tudo.

Pisquei algumas vezes e encarei o teto, soltando um suspiro profundo. O relógio digital na mesa de cabeceira indicava quase quatro horas da manhã, pelo menos amanhã não tenho um dia longo de trabalho.

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Eu estava sentado no sofá com a mesma roupa que vestia quando acordei, minha visita já havia ido embora algumas horas atrás e algum programa de culinária passava na televisão. O som da campainha me fez pular do meu lugar e andar até a porta sem muita pressa.

"Vamos comer uma pizza ou não?" a voz de Becky soou nos meus ouvidos e só então me toquei que ela estava ali parada na minha frente toda arrumada.

"Vamos" eu ri pelo nariz, "Entra, vou me trocar" eu dei espaço para ela entrar e logo fechei a porta, fazendo o caminho até meu quarto.

Tomei um banho rápido, coloquei uma das roupas estendidas no cabide dentro do armário – logo logo seria mais uma jogada pelo quarto. Calcei os tênis, ajeitei o cabelo, peguei minhas coisas e passei meu perfume antes de sair às pressas para a sala novamente, onde Becky estava sentada em uma poltrona.

Quando saímos do prédio, paramos em frente à minha moto e vi os olhos de Becky nos dois capacetes.

"Pronto, dois capacetes" eu comentei, chamando a atenção dos seus olhos curiosos.

"Muito obrigada" ela riu baixo pegando um deles.

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Depois da nossa saída que inicialmente era para comer uma pizza, emendamos mais um pouco no bar ali perto do nosso prédio. Quando chegamos de volta ao corredor do nosso andar, já estávamos ligeiramente bêbados.

Becky grunhiu depois que um curto som cortou nossas risadas sobre algum assunto aleatório. "O que houve?" arrastei minhas palavras, parando em frente à porta dela.

"Meu primo está com visita em casa, não acho muito bom entrar agora" ela olhou pra mim com os olhos claramente brilhantes.

"Se quiser entrar e ficar no meu apartamento, fique a vontade" eu comentei, coçando a nuca.

"Você também deve ter visitas" eu ri do seu comentário.

"Só se for você, porque não espero ninguém" eu respondi, lançando o meu melhor sorriso.

Ela alargou os lábios em um sorriso maior do que já tinha ali e por fim concordou com a cabeça, me seguindo até o meu apartamento.

A deixei entrar primeiro e liguei a TV em algum canal que passasse qualquer filme. Tirei meu casaco e o joguei nas costas da poltrona e vi Becky sentar no banco do balcão e tirar os sapatos.

"Quer alguma coisa?" perguntei apontando em direção à cozinha.

"Eu aceito mais cerveja" ela riu e eu então fui buscar duas garrafas.

"Até que você bebe mais do que aparenta" comentei, me sentando ao seu lado e dando à ela uma das garrafas.

"O que quer dizer com isso, Harry?" perguntou num tom provocante.

"Quero dizer que de longe parece que é muito chegada à cervejas e tudo mais, parece aquelas mulheres que tomam apenas alguns drinks e apenas observam os outros em volta" respondi gesticulando com as mãos.

Ela balançou a cabeça e bebeu alguns goles da garrafa. Um pequeno silêncio se instalou antes de eu decidir perguntar algo, porém, Becky parecia ter tido a mesma ideia e virou seus olhos na minha direção falando ao mesmo tempo que eu, deixando uma gargalhada sair.

"Você primeiro" eu disse.

"Sério que você assiste Um Amor para Recordar à essa hora da noite?" ela perguntou rindo, apontando para a televisão, mostrando a cena da peça onde a protagonista canta.

"Geralmente eu faço algo mais prático, porém hoje..." eu ri pelo nariz.

"Então estou empatando sua noite?" eu já não sabia o que estava acontecendo ali.

"Não não" eu ri da sua expressão de surpresa. "Não gostaria de estar com mais alguém agora" eu murmurei, e sentia uma pontada muito pequena de receio do que poderia acontecer agora.

Eu não sabia se ela largaria a cerveja, pegaria seus sapatos e iria embora ou se ela falaria algo. Seus olhos pareciam estar estáticos na minha direção como se ela estivesse paralisada. Os lábios já sem a cor do batom estavam entreabertos e eu só queria que ela falasse alguma coisa.

"O que quis dizer com isso?" ela curvou o lábio para cima em um sorriso fraco e sem jeito, antes de olhar pra baixo e brincar com a garrafa já pela metade.

"Quis dizer que..." com certeza isso é o álcool falando por mim. "Quis dizer eu estou gostando de passar esse tempo com você e que não trocaria isso por nada, agora" respirei fundo.

Mas o que eu estava fazendo?

Ela olhou pra mim de novo e senti uma vontade imensa crescer dentro de mim – não de um jeito sexual, claro. Seus olhos estavam dilatados e brilhantes e eu percebia que sua atenção variava entre os meus e minha boca. Não parece que fui o único a sentir a mesma coisa – eu acho.

Nós dois reagimos no mesmo instante, eu coloquei as mãos em seu rosto enquanto ela me puxava para mais perto. Nos beijamos e daí foi como se minha sede estivesse cessado. Não foi um beijo desesperado nem com segundas intenções. Foi um beijo bom e calmo.

Alguns selinhos foram dados antes de colarmos nossas testas e continuarmos em silêncio.

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oi galeriiiis

gente eu tive alguns problemas relacionados à faculdade. fiquei cheia de trabalho e – ainda estou – e eles me esgotaram real, fiquei até sem muitas ideias.

me perdoem a demora mas realmente não deu pra postar antes kkkk

espero que tenham gostado, amo vocês <3

vejo vocês no próximo ;)

Apt 505 | h.sOnde histórias criam vida. Descubra agora