A música estrondosa penetrava diretamente nos meus ouvidos, ritmando cada batida do meu coração endurecido. O ar da boate estava carregado: o cheiro forte de bebidas misturado ao fumo de cigarro e ao perfume adocicado de dezenas de mulheres se infiltrava nas minhas narinas, e naquele momento eu já não sabia distinguir se estava no céu ou no inferno , talvez estivesse exatamente no meio dos dois onde a dor se disfarça de prazer. Meu amigo Steve me arrastou quase à força até o balcão do bar, e eu pedi logo um litro inteiro de Black Label, sem copo, sem cerimônia. Enchi o copo até transbordar e bebi tudo de uma vez, sentindo o álcool queimar a garganta e descer como fogo até o estômago.
— Opa, vai devagar aí, Andrew! avisou ele, segurando o meu pulso.
— Por acaso você é minha mãe agora, Steve? soltei seco, afastando a mão dele.
Ele bateu levemente no meu braço, com aquele ar de preocupação que eu detestava.
— Não sou, mas gosto de você como se fosse.
Revirei os olhos. Não suportava quando Steve dava uma de sentimental, como se conhecesse os meus demônios melhor do que eu mesmo. Desviei o olhar dele e foquei toda a minha atenção na pista de dança iluminada por luzes vermelhas e douradas. Ali, no meio da multidão, uma loira de cabelos longos requebrava com uma desenvoltura que prendia qualquer olhar, mexendo o corpo até quase tocar o chão. Me levantei de um movimento só, atravessei a gente como se ninguém estivesse ali e fui até ela. Coloquei minhas mãos firmes na sua cintura fina e comecei a me mexer no mesmo ritmo que ela, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. Ela se virou devagar, e ao me ver, abriu um sorriso cheio de malícia e desejo e eu sabia naquele instante que ela tinha gostado do que viu. Aproveitei o momento, me inclinei e a beijei com força, com urgência, apertando seu corpo contra o meu como se quisesse fundi-la a mim. Na minha opinião, não existe lugar mais excitante para se beijar do que uma balada: a música alta que abafa o mundo, as luzes que escondem as máscaras, o cheiro latente de desejo pairando no ar ,tudo isso nos deixa sedentos, famintos por qualquer coisa que pareça preencher o vazio.
— Quer ir para outro lugar? perguntei, aproximando a boca do seu ouvido.
— Com você eu desceria até o inferno respondeu ela, com uma ousadia que me arrancou um sorriso seco.
Sorrindo da facilidade que a fisguei , enlacei sua cintura e caminhei em direção à saída, não sem antes dar um aceno rápido para Steve , se eu desaparecesse sem avisar, ele seria capaz de chamar a polícia para procurar o “pobre coitado do Andrew”. Abri a porta da minha BMW preta e ela entrou sorrindo, ajeitando a saia curta. Por um segundo, fiquei ali parado, olhando para ela e pensando o quanto as pessoas podem ser fúteis: basta um rosto bonito, um carro caro e um ar de perigo para que se entreguem sem perguntas, sem medo, sem saber sequer o meu sobrenome.
— Minha casa ou a sua? indagou ela, virando-se para mim no banco do passageiro.
— A sua é melhor ! respondi ligando o motor.
Nunca, em hipótese alguma, levava as mulheres com quem me envolvia para a minha casa. Lá era o meu santuário, o único lugar onde eu não precisava fingir ser o CEO poderoso ou o homem insensível que todos esperavam. Não queria que paredes que conheciam a minha solidão fossem manchadas por lembranças de noites de prazer vazias.
Parei em frente a um prédio residencial simples, bem longe da minha zona de conforto. Ao entrarmos, o porteiro acenou respeitosamente para ela e depois lançou-me um olhar desconfiado, como se já pudesse ver o caos que eu carregava dentro de mim.
— Boa noite, senhorita Louisa. cumprimentou ele.
Ah, então esse era o nome dela. Sinceramente, não combinava nem um pouco com a mulher que eu tinha conhecido na pista; eu imaginava algo mais forte, como Paola ou Katarina, nomes que parecessem perigosos à primeira vista. Entramos no elevador e antes mesmo que as portas se fechassem por completo já estávamos nos agarrando novamente, mãos apressadas, beijos famintos. Quando adentramos o seu apartamento pequeno e aconchegante, ela já estava sem a blusa e eu nem sequer lembrava onde ou em qual momento eu a tinha tirado.
Minutos depois deitado na cama pensativo com aquela mulher dormindo serenamente sobre o meu peito, a respiração calma contrastando com a turbulência que eu sentia. Com o dedo indicador, eu traçava círculos lentos na sua pele nua, nos ombros macios. Se eu tivesse que definir aquela noite com uma única palavra, seria “legal". Mas no fundo, no fundo, eu continuava ali: oco. Nada daquilo tinha conseguido preencher o buraco imenso que existia no meu peito; na verdade, parecia que cada toque, cada gole, cada beijo apenas o fazia crescer um pouco mais, como uma ferida aberta que nunca sara.
Me levantei de repente com uma agitação que não conseguia controlar. Louisa acordou assustada, olhando para mim sem entender.
— O que houve, querido? perguntou ela, sonolenta.
Vesti a calça rapidamente, depois a camisa, sem olhar muito para trás.
— Estou indo. Obrigado, a noite foi ótima ! disse, seco.
Joguei um maço de dinheiro sobre a mesa de cabeceira, suficiente para cobrir muito mais do que qualquer noite, e caminhei em direção à porta. Antes que eu saísse de vez, ouvi ela gritar com raiva e decepção:
— Você é um cretino!
Parei um instante, sem me virar, e respondi baixo:
— Tem razão, querida.
Em poucos minutos eu já estava de volta ao volante, ligando o som no volume máximo para tentar abafar os meus próprios pensamentos. Pisei fundo no acelerador e com uma garrafa de vodka na mão fui bebendo direto da boca a cada curva. A cada gole, a sensação de vazio parecia diminuir um pouco adormecendo a consciência. Até que vi as luzes azuis e vermelhas piscando atrás de mim; uma viatura policial fazia sinal para eu parar. Eu obedeci? Não. Enfiei o pé no acelerador com toda a força, e o carro disparou pelas ruas ainda movimentadas com a polícia em meu encalço, sirenes uivando como um aviso que eu não queria ouvir. Ao tentar fazer uma curva fechada em alta velocidade, perdi o controle da direção. O carro saiu da pista e foi de encontro direto a um poste de luz. O estrondo foi ensurdecedor, o impacto me jogou para frente, e aquela luz forte, branca e intensa foi a última coisa que vi antes que a escuridão total me dominasse.
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UM ANO Para Te amar
RomanceSavanna nunca teve uma vida fácil teve que sair de casa aos 15 anos para poder fugir dos assédios do seu padrasto. Andrew no passado foi traído por a única mulher que amou então a partir daí decidiu que jamais voltaria a amar, as mulheres seriam...
