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sem escolha ( savana)

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Desde que eu disse a Andrew que aceitava sua proposta, não falamos mais nada. Ele estaciona o carro na garagem e entramos no elevador. Assim que as portas se abrem, Andrew passa o cartão na porta à frente, que se abre revelando o mesmo apartamento luxuoso que dias antes eu tinha visto.

Eu entrei com passos incertos, Andrew vindo logo atrás; o medo toma conta, pois sei que estou sozinha à noite no apartamento de um homem.

- Você está mancando muito ! observa Andrew.

- Hum... acho que foi porque fiquei muito tempo em pé hoje.

- Venha, vou te levar até o quarto e, se quiser, também pode tomar um banho.

- ok

Fui conduzida por um enorme hall mobiliado, com uma mesinha de centro contendo algumas fotografias. Paramos na quarta porta à direita; com um leve empurrão, a porta se abre e Andrew diz com aquela voz sedutora:

- Seu quarto de agora em diante, querida esposa.

- Como assim?

- A partir de hoje iremos morar juntos.

- Mas o acordo não seria só depois do casamento.

- Sim, mas nem morto que eu te deixarei voltar para aquele lugar asqueroso. Além disso, hoje em dia é muito normal as pessoas morarem juntas antes de se casar; na verdade, acho até bom, pois nos conheceremos melhor assim.

- Não quero nem pensar no que minha amiga vai pensar de mim...

- Depois discutimos o contrato. Tome um banho e me encontre na cozinha.

Assim que ele se foi, pus-me a admirar o quarto, era quase maior que a minha casa, com uma cama King size no centro, um criado-mudo ao lado com um abajur floral em cima, espelhos na parede e um lustre de cristal no teto.

Abri uma porta que havia num canto e me deparei com um banheiro digno de estrelas; fiquei até com dó de usar.

- Savanna...

Estava tão distraída que não notei Andrew parado na porta, de braços cruzados.

- E... eu estava distraída.

- Percebi.

- É tudo tão lindo... parece um sonho.

Ele se aproximou e eu, involuntariamente, me encostei na parede. Então ele apoiou os braços fortes de cada lado do meu corpo e, com o rosto a centímetros do meu, disse:

- Isso é muito pouco ainda. Não tive tempo de organizar melhor, mas te darei um cartão para comprar o que achar necessário para que este seja o seu lar.

- Mas está perfeito.

Senti minha voz falhar; essa proximidade me despertava sensações desconhecidas.

- Vim trazer sabonete e xampu. Este banheiro ainda não tem os produtos, mas amanhã você poderá comprar os da sua preferência.

- Certo.

Foi a única palavra que consegui proferir. Assim que ele saiu, tirei minhas roupas e entrei debaixo da água gelada.

Quando cheguei à cozinha, o encontrei sentado num banquinho ao balcão, com uma taça de vinho nas mãos; sentei-me à sua frente.

- Vinho? Eu não bebo.

- Tem suco na geladeira.

Levantei-me, abri a geladeira e me servi de um copo de suco de uva. Ele empurrou na minha direção uma fatia de pizza, a qual não recusei, pois desde cedo não comia nada. Depois de satisfeitos, ajudei Andrew a arrumar tudo e ele me entregou uma cópia do contrato.

- Leia-o. Se houver algo com que não concorde ou que não entenda, fale comigo que vamos discutir.

- Certo.

Li cada uma das cláusulas; não havia nada com que eu pudesse discordar.

- Hum... eu não posso falar desse contrato nem para a minha melhor amiga?

- No contrato está escrito sigilo total: ninguém poderá saber. Se houver quebra, há uma multa que você terá de pagar e, caso não quite, irá para a prisão.

- Pequena multa? Cem milhões de reais é pouco para você?

- Basta seguir tudo o que está escrito à risca.

- Mas o que eu digo a ela?

- Que vai se casar, e ponto final.

- E a sua família?

- Ninguém pode saber, de forma alguma, que esse casamento é fingido. Portanto, aprenda a mentir, pois terá de convencer meus pais de que está completamente apaixonada por mim.

- Eu não gosto de mentiras.

- A nossa vida será assim, então é bom começar a se acostumar.

- Daqui a um ano nos divorciamos e será como se nunca nos tivéssemos conhecido...

- Exatamente. A diferença é que sua vida será outra: quinhentos mil reais na conta, carro do ano, apartamento. Tudo o que eu te der enquanto estivermos casados você poderá levar consigo: roupas, sapatos, joias, tudo. E se quiser, posso arranjar um emprego para você nas empresas da família.

- Mas quando nos casarmos eu... terei que...

- Não precisará dormir comigo nem teremos nenhuma intimidade. Nossa relação se resumirá apenas a beijos e abraços quando estivermos na presença de outras pessoas. Quando estivermos sozinhos, seremos bons amigos e nada mais.

- Me diga: durante esse tempo, você se envolverá com outras mulheres?

- É claro. Você não acha que um homem ativo como eu ficaria um ano em abstinência.

- Então eu também farei o mesmo.

- Quer dizer que vai sair com outros homens?

- Lógico.

- Você leu o contrato e deixei bem claro: não poderá se envolver com ninguém até que nos separemos. Se não puder cumprir essa simples exigência, procurarei outra pessoa.

Não disse nada; na verdade, nem sabia o que dizer. Agora eu não podia simplesmente recusar essa proposta, pois nas condições em que me encontro, não tenho o direito de escolher. Então peguei o contrato, assinei e devolvi a Andrew, que também assinou.

- Muito bem. Nos casaremos dentro de dois meses.

- Vou dormir...

Desci do banquinho e, ao dar os primeiros passos, soltei um grito de dor. Andrew correu imediatamente ao meu socorro.

- Não consigo andar, está doendo muito.

Ele me pegou no colo e eu me aconcheguei em seu peito forte, aspirando seu perfume amadeirado. Ele me levou ao meu quarto, depositou-me sentada no meio da cama e retirou a bota ortopédica.

- Meu Deus, tem toda a razão por que não está conseguindo andar.

Meu tornozelo estava inchado e com manchas roxas bem escuras; eu já não conseguia nem mexer o pé.

- Pois veja bem: não devia ter ficado tanto tempo em pé naquele maldito bar.

- Eu teria perdido o emprego se não tivesse ido trabalhar.

- Não seja ingênua. Você tinha todo o direito de pedir folga.

- Eu não tenho carteira assinada nem nada disso. E em vez de ficar me criticando, me dê algo para aliviar essa dor.

Ele me olhou surpreso, depois saiu de perto e logo voltou com uma bolsa de gelo enrolada numa toalha. Colocou o gelo sobre o meu tornozelo inchado, deixou ali por alguns minutos e depois passou uma pomada anti-inflamatória. Ao final, acomodou meu pé sobre um travesseiro, apagou a luz e, antes de sair, disse:

- Boa noite.

UM ANO Para Te amar Histórias para pegar e não largar. Descubra agora