Meu apartamento, que antes era tão aconchegante, agora estava frio, vazio, um mausoléu de silêncio. Enchi uma taça de vinho tinto e sorvi num só gole. O líquido queimou minha garganta, mas não foi o suficiente para apagar a dor que dilacerava meu peito. Achei que, depois de vingar-me do meu irmão, eu fosse me sentir melhor, vitorioso, mas agora eu me sinto ainda pior. Além de mostrar para todos que eu era igual a ele, que eu tinha os mesmos vícios, eu havia perdido a mulher da minha vida. Savannah, minha doce menina. Ela me olhou com tanta decepção, tanto choque, se ela soubesse a dor que eu senti naquele exato momento, se ela soubesse que dormi com Candela foi o maior suplício da minha vida.
Doce menina, por onde andas? Como eu queria ter te alcançado, te estreitado contra o peito, te tirado daquele lugar de horrores e beijado seus lábios de mel.
Me arrasto para o quarto, o corpo pesado como chumbo, e deito na cama que está espaçosa demais. Tanta falta me faz minha pequena menina. Se ela estivesse aqui, eu não sentiria esse frio insuportável. Como sempre, ela se aninharia em mim como uma gatinha manhosa. Ah, e como eu adorava ter seu corpinho quente e macio junto ao meu. Me levanto, abro o closet e pego a camisola de seda que Savannah usava. Me deito na cama e a abraço contra o peito, inalando.O cheiro doce de Savannah estava impregnado nela, e então adormeci e sonhei que o que estava nos meus braços não era uma fina camisola de seda, mas sim a própria Savannah, viva e sorrindo para mim.
Na manhã seguinte, não havia café quente e omelete me esperando. Havia apenas o vazio. O silêncio da casa gritava. Saí apressado do apartamento antes que meu coração atinasse a magnitude do que estava faltando na minha vida.
Na empresa, não foi como eu imaginava que sentiria. Não me senti melhor por ser agora o Dono absoluto da empresa. Havia pago um preço muito alto por isso, o preço da minha alma. Batidas insistentes na porta me tiraram dos meus pensamentos sombrios.
- Entre.
Logo, a última pessoa que eu pensava ver atravessou a porta.
- Pai...?
- Olá, Andrew.
- Sente-se, pai.
Ele se acomodou na confortável poltrona, e logo minha secretária nos serviu uma xícara de café. O silêncio entre nós era pesado.
- Pai, eu...
- Me diga, filho. Por que você inventou esse casamento?
- O senhor ameaçou me tirar a presidência da empresa. Eu não podia aceitar isso. Eu lutei por ela.
- E essa moça? Quem é? Onde a encontrou?
- Eu a salvei, pai. E, bom, ofereci uma boa grana para ela assinar o contrato.
- Boa coisa essa não deve ser, para...
- Não ouse falar dela, pai. Minha voz saiu como um rosnado. O crápula sou eu. Savannah nunca concordou com isso. Se ela aceitou, é porque não tinha outra alternativa, porque a vida foi cruel com ela.
- Você a defende como se estivesse apaixonado.
- E estou, pai. Eu amo Savannah mais do que tudo na minha vida.
- Se você ama essa moça, o que significa aquela pouca-vergonha sua com a Candela? O vídeo, Andrew. O maldito vídeo.
- Se o senhor soubesse o tamanho do sacrifício que isso representou... Eu não amo mais a Candela. Tudo fazia parte do meu plano. Eu queria que Enrico sentisse o mesmo que eu senti dez anos atrás. O desprezo. A humilhação.
- Sua mãe e eu ficamos tão decepcionados com você, Andrew. Imaginávamos que você tivesse seguido em frente, que tivesse iniciado uma família de verdade. Já sonhávamos com netos...
- Sinto muito, pai. Eu errei. Errei feio.
- Você acha que valeu a pena essa vingança?
- Eu esperei tanto por esse momento. Achei que ia ser diferente, que iria sentir preencher dentro de mim esse vazio, essa raiva. Mas, ao contrário, só aumentou. Perdi a mulher da minha vida.
VOCÊ ESTÁ LENDO
UM ANO Para Te amar
RomanceSavanna nunca teve uma vida fácil teve que sair de casa aos 15 anos para poder fugir dos assédios do seu padrasto. Andrew no passado foi traído por a única mulher que amou então a partir daí decidiu que jamais voltaria a amar, as mulheres seriam...
