Minha vingança

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Uma última olhada no espelho do banheiro e estava pronto. O terno preto estava impecável, a gravata alinhada. Peguei minha maleta de couro, o peso dela me lembrando do peso da minha missão. Com passos decididos e o coração martelando contra as costelas, marchei em direção ao meu destino.

- Para onde você vai, amor, tão arrumado assim? Savannah pergunta, aparecendo na porta do escritório, um sorriso suave no rosto.
- Tenho uma reunião de negócios, Savannah.
- A esta hora? Já está quase na hora do jantar.
- É uma reunião informal. Vamos nos encontrar em um bom restaurante, jantarmos enquanto falamos de negócios.
- Boa sorte, amor. Ela se aproxima, com aquela inocência que me destrói a cada dia.
Eu odiava mentir para Savannah. Mas eu não podia lhe contar a verdade, ou levá-la comigo. O que eu estava prestes a fazer seria a pior humilhação de sua vida se ela testemunhasse.
Ela arruma o colarinho da minha camisa e ajeita minha gravata, seus dedos roçando meu pescoço. Neste instante, eu me pego pensando, com um terror absoluto, que eu não deixaria ela partir. Há muito tempo esse casamento não é mais por conveniência. Eu a amo. Puxo seu corpo pequeno contra o meu e, logo, meus lábios estão devorando os seus com urgência, minhas mãos vagando por suas curvas, desesperado por uma última vez.

- Você vai se atrasar, Andrew . ela sussurra contra a minha boca.

- É verdade.

Antes de partir, eu envolvo seu corpinho num forte abraço, aspirando o cheiro dela, gravando-o na minha memória. E, dentro de mim, sinto com uma certeza agonizante que essa era a nossa despedida.
Chegando na mansão dos meus pais, noto que a área de estacionamento está cheia. Carros de luxo, convidados, luzes. Pelo jeito, meu irmão quer que seu aniversário seja o acontecimento do ano. E será, dependendendo de mim. Atravesso o gramado impecável e, em instantes, estou sendo abraçado por minha mãe e irmã. Meu pai aperta minhas mãos efusivamente.

- E sua esposa, filho? indaga minha mãe, olhando para trás.

- Ela amanheceu indisposta hoje. E eu achei melhor que ela ficasse descansando.

- Será se não é meu sobrinho a caminho? indaga Dríka, com aquele olhar cúmplice.

- É isso aí, filho. Adoraria ter um neto brincando pela casa. indaga meu pai, orgulhoso.

- Não é isso, é só que...

- Nem vai me parabenizar?

Essa voz hilária eu conheço a quilômetros. Me viro e vejo meu irmão Enrico, com um copo de whisky na mão e um sorriso presunçoso.

- Olá, irmaozinho. Parabéns. Espero que essa data se repita por... hã...

- Não gaste saliva para me dizer mentiras.
Um meio sozinho divertido brinca nos meus lábios.
- Você acreditaria se eu te dissesse que até te trouxe presentes?
Enrico olha desconfiado para a minha maleta e então dá de ombros, zombeteiro.

- Que seja.

Neste instante, Candela se aproxima de nós. Ela está trajando um macacão preto com enorme decote nas costas, exibindo o corpo que ela achava que me pertencia. Seu olhar de fera me dardeja, vejo desejo e provocação nele. Enrico envolve a cintura dela e pisca para mim, como um troféu.

- Você não acha, Andrew, que são poucos homens que têm a capacidade de manter ao lado uma mulher como essa?

Enrico estava me provocando. Decidi ignorar totalmente. Em breve, eu teria minha vingança.

- Vou beber alguma coisa. indago, me afastando.

Depois da terceira taça, paro de beber. Não tenho plano de me embebedar. Para meus planos, devo estar bem lúcido.
Me levanto e me aproximo do palco improvisado, onde está se apresentando uma banda de jazz. Pegando o microfone do vocalista, o som agudo faz todos pararem de conversar. Eu anuncio:
- Eu quero pedir que todos vocês se aproximem do palco. Eu tenho um comunicado importante.
Assim que todos estão reunidos, olhares curiosos voltados para mim, peço para que Enrico ficasse mais à frente.
- Hoje é seu aniversário, irmão. Eu tenho uma grande surpresa para você. Estou te dando tudo que você merece.
- Isso é sério, Andrew? O que você está aprontando dessa vez? Ele ri, nervoso.
- Nao estarei fazendo nada que nao mereça querido irmão. Parte da minha vida eu vivi preso naquela empresa, trabalhando duro ,deixei de lado a minha juventude para me entregar totalmente à ascensão da empresa. Enquanto eu me matava de trabalhar, onde você estava, irmão? Estava viajando pelo exterior, curtindo sua juventude com farras e orgias, e recebendo o mesmo que eu, com os mesmos direitos na empresa que eu reergui com meu suor. Desde o início, eu merecia mais a empresa do que você. E agora que Dríka me vendeu sua parte e você... vendeu a sua, ela é só minha.

UM ANO Para Te amar Histórias para pegar e não largar. Descubra agora