Depois de três dias inteiros me divertindo, me entregando e perdendo-me na companhia deliciosa de Andrew, estamos de volta ao seu apartamento. A viagem de volta foi silenciosa, mas carregada de uma tensão nova, algo que eu ainda não sabia nomear. Assim que Andrew abriu a porta com a chave, somos recebidos por uma chuva de palmas, gritos, assobios e luzes piscando. A família inteira de Andrew está reunida na espaçosa sala de estar.
- Sejam bem-vindos! gritam em uníssono, com bandeirinhas e balões pendurados no teto.
- O que estão fazendo aqui? indaga Andrew, franzindo a testa e perdendo o sorriso no mesmo instante.
- Não seja chato, filho, viemos recebê-los . indaga o pai de Andrew, com aquele tom de autoridade que não admite questionamentos.
- Não precisava, pai.
- Claro que precisava, filho. Fizemos um bolo enorme, compramos champanhe caro, tudo para a volta do meu bebê e da minha nora que, agora, é como uma filha para mim.
Ao dizer isso, a mãe de Andrew, a sra. Montesino, avança e me abraça apertado, afagando minhas costas. Eu murmuro um agradecimento fraco, sufocando a culpa que me assalta. Era em momentos exatamente assim que eu me sentia culpada por estar enganando todo mundo. Enganando essa família que me acolhia de braços abertos.
- E também mandamos fazer uma reforma no seu apartamento . indaga Dríka, a irmã de Andrew, animada, pulando de um pé para o outro. Repintamos as paredes, trocamos os móveis para algo mais confortáveis e modernos, e transformamos seu quarto de solteiro em um quarto de casal de verdade.
- Vocês... o quê? grita Andrew, a voz ecoando na sala silenciosa.
- Filho, essa casa não era adequada para você agora. Sua esposa precisa de uma casa agradável, que pareça um lar de verdade.
- Vocês não tinham esse direito de mexer nas minhas coisas, eu...
Eu segurei o braço de Andrew com força e o puxei para um canto, longe dos olhares curiosos de sua família.
- Por que você está agindo assim, Andrew? Sussurrei, a voz tensa. - Quer que todo mundo saiba que isto tudo é mentira, uma farsa? Trate de agir como o marido feliz. Mantenha a pose.
- Esta é a minha casa. Eles não tinham esse direito, eu...
Eu segurei o rosto de Andrew com as duas mãos, forçando-o a olhar nos meus olhos. O pânico estava se infiltrando nele isso era visível .
- Andrew, nós não chegamos até aqui para nada. Você tem que ser forte, tem que manter o controle. Não vai estragar tudo agora. Vamos voltar para lá e agir como um casal feliz, pelos menos por esta noite.
Ele respirou fundo, tentando acalmar a fúria que o dominava. Ele olhou para mim, e percebi que a irritação estava cedendo.
- Você tem razão, Savannah. Obrigado por tudo.
Eu apenas entrelacei nossas mãos, apertando os dedos dele com firmeza, e seguimos juntos de volta à sala. Todos nos esperavam apreensivos, o ar pesado com a expectativa.
- Filho, nos desculpe. Achamos que... o pai de Andrew começa, parecendo arrependido.
- Me desculpem vocês, eu estava um pouco estressado com o jet lag e acabei descontando em vocês. indaga Andrew, engolindo o orgulho pela família e pela farsa que sustentávamos.
- Parece que a sua lua de mel não foi tão boa assim, né, irmão? indaga Enrico, o irmão de Andrew, com aquele sorriso de deboche que sempre me irritava. O que foi, sua mulher não conseguiu satisfazê-lo?
- Ah amor, você não conhece essa garota, ela não passa de uma adolescente imatura! indaga Candela, a mulher de Enrico, com desdém.
Pela cara de Andrew, percebo que ele vai fazer besteira. Ele vai destruir tudo. Pensando rápido, ficando na ponta dos pés, colo meus lábios nos dele. Eles estão gélidos no início, mas logo ganham vida e devoram os meus avidamente. Suas mãos sobem e seguram minha cintura com força possessiva, apagando qualquer outro pensamento racional. O beijo é uma resposta visual e visceral para qualquer comentário maldoso.
- Ainda estamos aqui. indaga Dríka, dando um tapinha no ombro do irmão.
Andrew me solta devagar, os olhos escuros e intensos, e eu fico aérea por um momento, mal conseguindo focar em outra coisa que não seja ele. Logo, sou abraçada por aqueles braços fortes que adoro, me ancorando à realidade.
- E só respondendo a você, Enrico, e à sua mulherzinha . diz Andrew, a voz rouca e perigosa. Somos muito felizes. Minha mulher me realiza em tudo, e a nossa lua de mel está longe de acabar.
- Vamos apressar com a comemoração para que os pombinhos possam ficar sozinhos logo. indaga minha sogrinha, dando um sorriso cúmplice.
E foi aquela algazarra sem tamanho. Comemos bolo, biscoitos finos, carne assada e tomamos champanhe. Eu arrisquei tomar uma taça, sentindo a bolha efervescente subindo. Dançamos muito, e Andrew fazia questão de que estivéssemos juntinhos sempre, suas mãos na minha cintura, o olhar predatório varrendo a sala.
Já era noite, o silêncio tomou conta da casa, quando eles finalmente foram embora. Ficando apenas eu e Andrew naquela nova casa que, para mim, parecia estranha e assustadora. Não era mais apenas o apartamento de Andrew; havia se tornado em um lar. E como eu adoraria ser a dona desse lar, a dona de Andrew...
Estávamos sentados no novo e confortável sofá da sala, sem dizermos nada, cada um perdido nos seus próprios pensamentos. O silêncio era confortável, mas carregado de tudo o que não foi dito. Então, resolvi quebrar o silêncio.
- Sua mãe colocou todas as minhas coisas no seu quarto. Hum... eu estava querendo tomar um banho e...
- Por mim, tanto faz. Se quiser voltar para o quarto de hóspedes, fique à vontade. Mas se não, é muito bem-vinda no meu quarto. Gosto da sua companhia. indaga Andrew, com aquele tom casual que não condizia com o significado de suas palavras.
Ouvir de seus lábios que ele gostava da minha companhia faz com que meu coração tolo transbordasse de alegria. Quando vejo, já estou pulando sobre Andrew e o abraçando, escondendo meu rosto no seu pescoço. Seu sorriso se mistura com o meu, e por um momento, esse som é o que eu mataria para ouvir para sempre.
- Meu Deus, isso tudo é alegria porque eu te disse que podia dormir comigo? indaga Andrew, rindo, sentindo meu entusiasmo.
- Eu gosto de dormir com você, Andrew. Na verdade, gosto de você.
Ele segura meu rosto entre suas mãos longas, os dedos quentes contra minha pele, e diz olhando nos meus olhos, a intensidade do olhar dele queimando minha alma.
- Só não vai se apaixonar por mim, querida. Eu não sou um bom homem. Você merece alguém bem melhor, alguém inteiro.
Se ele soubesse que seu pedido chegou tarde demais que há tempo eu estou completamente apaixonada por ele, que a noite sempre o vejo nos meus sonhos, que ele é o meu desejo mais louco... Contendo a onda de sentimentos que me invade, eu seguro no seu rosto e digo, tentando soar leve:
- Bem que você queria que eu estivesse apaixonada por você, mas pode ficar tranquilo. Eu não estou. Não se preocupe, Andrew.
- Assim é melhor. Mas sabe o que eu estava pensando? Ele inclina a cabeça, o tom ficando conspiratório.
- Que tal nós bebermos? Chapar mesmo. Estamos em casa, nada vai acontecer.
- Eu não bebo.
- Para tudo existe uma primeira vez, querida.
- Eu não sei, eu...
- Não seja medrosa. É só um copo.
- Tudo bem. Mas isso vai ficar somente entre nós.
- Okay.
Andrew se levantou, foi até o bar embutido e me serviu um copo de Whisky com gelo. Ele pega um para si também, e em seguida, bebe em um só gole, sem hesitar. Tentei fazer o mesmo, mas acabo cuspindo tudo fora, a bebida forte queimando minha garganta. Ele riu de mim, me chamando de amadora. Depois de bebermos praticamente de tudo, e eu estar flutuando em uma nuvem de álcool, Andrew me pegou no colo e me leva para o quarto, me depositando no meio da cama King size.
Quando ele ia se levantar, eu me agarrei no seu pescoço com as duas mãos, o trazendo a mim com força.
- Fica aqui. Pedi, a voz embargada pelo álcool.
- Eu ia vestir um pijama.
- Te espero.
Assim que Andrew saiu para o banheiro, eu me sentei na cama, tirei o sapato e o casaco que ainda usava. Abaixo o travesseiro, que tem o cheiro másculo dele impregnado, e logo a inconsciência me toma, derrotada pelo whisky.
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UM ANO Para Te amar
RomanceSavanna nunca teve uma vida fácil teve que sair de casa aos 15 anos para poder fugir dos assédios do seu padrasto. Andrew no passado foi traído por a única mulher que amou então a partir daí decidiu que jamais voltaria a amar, as mulheres seriam...
