Entregues

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As mãos fortes de Andrew massageavam meu pescoço, descendo pela minha lombar e aliviando a tensão acumulada nos meus ombros. Logo, sinto suas mãos quentes sendo substituídas por seus lábios. A barba por fazer dele arranhando levemente minha pele sensível, enviando ondas de eletricidade por todo o meu corpo.

— Andrew...

Minha voz saiu num murmúrio rouco. Eu quase não reconheci minha própria voz; ela estava trêmula, fragilizada. Mas como não estaria, com esse deus grego mordiscando minha pele exposta pela fina camisola de seda preta que mal cobria meu corpo?
Com um movimento repentino e possessivo, Andrew me virou de frente para si. Nossos olhares se conectaram. Podia ver o desejo quente e latente, quase predatório, nos seus olhos escuros, e creio que ele via exatamente o mesmo em mim. Para que negar? Eu queria esse homem como necessitava do ar para respirar. Seus lábios sedentos buscaram os meus e o encontraram submisso. Seu corpo procurou o meu e o encontrou totalmente entregue,esperando por ele. No último instante, porém, antes de a paixão nos consumirem, Andrew se afastou de mim com uma expressão angustiada, os dentes cerrados.
— Que foi? Eu fiz algo errado? Eu...
Ele segurou meu rosto entre as mãos grandes e disse, olhando fundo nos meus olhos.
— Você não fez nada errado, querida. O problema sou eu...
— Você não me deseja? —A insegurança borbulhou em meu peito.
— Não seja boba. Só Deus sabe o quanto eu desejo te amar aqui mesmo, nesta cama, até o raiar do dia.

— Mas...

— Eu quero que seja especial para você. Quero que seja perfeito. Não quero que você se arrependa.

— Só de ser com você já seria perfeito.

Ele me abraçou apertado, escondendo o rosto no meu pescoço, e seus lábios banquetearam a minha pele.

— Eu te adoro, menina.

É óbvio que eu queria ouvir um "eu te amo". Porque, afinal, eu já o amava mais do que a minha própria vida. Mas saber que ele gostava de mim, que ele me admirava, era suficiente para acalmar meu coração acelerado.

— Andrew, você acha que algum dia você será capaz de me amar? De verdade?

Ele me olhou profundamente. Parecia que ele estivesse lendo minha alma, decifrando cada medo e cada desejo.

— Temo que já esteja acontecendo. Agora, venha. Vamos dormir.

Ele entrou debaixo dos cobertores e eu fiz o mesmo, me aconchegando no seu peito musculoso. Logo adormeci, embalada pela voz rouca e aveludada de Andrew que cantava uma cantiga de ninar suave em alemão, uma melodia que acalmava minhas noites.
Quando acordei, o sol já estava alto e eu estava sozinha na cama. Mas, sobre o lençol branco, havia uma única rosa branca repousando. Peguei-a sorrindo, aspirando seu perfume doce e fresco. Ultimamente, Andrew tem me tratado como se eu fosse a sua verdadeira esposa. Só Deus sabe o quanto eu queria isso. Não sei como aconteceu, mas eu amo ele. Amo mais do que a mim mesma.
A campainha soa distante, quebrando meus devaneios. Visto o roupão sobre a fina camisola e vou atender. Mal posso acreditar quando uma Nanda eufórica se joga nos meus braços na porta.

— Amigaaaa!

— Oi, ingrata!  ri, retribuindo o abraço.

— Entre, Nanda.

Tomamos café juntas na cozinha, rindo das últimas novidades, e então nos sentamos no confortável sofá de couro.
— Hum... vida boa, hein, Savannah? Marido bonito, endinheirado, uma casa de luxo...
— Andrew é maravilhoso... suspiro, sem conseguir disfarçar o brilho nos olhos.
— Imagino. E essa carinha de boba apaixonada? Você está derretida!
— Ah, Nanda, cada dia eu me vejo mais e mais louca por esse homem. Tenho até medo desse sentimento.
— Medo por quê, amiga? Ele é seu marido, é normal que você o ame, não? A menos que ele não corresponda...
Eu queria dizer à Nanda que tudo isso era mentira. Que tudo não passava de um contrato, de uma farsa. A cada instante que eu pensava nisso, meu coração sangrava. Eu tentava me convencer de que Andrew iria se apaixonar por mim de verdade e que viveríamos felizes para sempre. Ultimamente, ele tem me tratado de forma diferente, está carinhoso comigo mesmo quando não há pessoas presentes. E o meu coração idiota tende a se iludir, tendendo a acreditar que esse aconchego é real.
— Terra para Savannah...
— Desculpe, eu me distraí. Mas me conta, você ainda está vivendo com Ricardinho?
— Claro que sim! Ele é um amor, sabia? E é por isso que vim aqui, para te entregar isto e te fazer uma proposta.
Ela me entrega um convite de casamento. Na verdade, o convite de seu próprio casamento. Fico boquiaberta, as palavras morrendo na minha garganta.

UM ANO Para Te amar Histórias para pegar e não largar. Descubra agora